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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Garrafas

Tava aqui, meio assistindo-sem-prestar-muita-atenção Glee, meio viajando pela internet, lendo aqui uma coisa ou outra, ouvindo mais ou menos uma música.
Vi o lance que a Claro fez sobre "Eduardo e Mônica" e achei mesmo tão bonitinho. Tão não sabia que a música tinha 25 anos - naquelas de que quando saiu eu tinha três, portanto eu não me lembro, mas também sempre soube que não fui a geração de acompanhar Legião como novidade.
E tenho achado tão tão esquisito isso de ter 28. Pessoas têm me perguntado muito, ultimamente, a minha idade. Aí umas acham que não parece, que me dariam 22 (sim, eu duvido seriamente da sinceridade delas, mas enfim), enquanto outras olham para mim como se eu devesse cair morta na frente delas, só porque venceu meu prazo de validade. Mas o que me deixa meio bolada é mesmo o lance do 28. Ou, mais ainda, do 29. De 29 eu gosto, porque é primo. E tem toda aquela história, de que já ouvi muito falar mas não aprofundei, do retorno de Saturno. E de estar ali, na beira dos 30. Aí não sei de onde comecei a me associar mais com 29 que com 28, talvez numa de me preparar, ou sentir alguma ansiedade que eu não sei ainda se é boa ou má. O fato, de qualquer maneira, é que esse ano tá indo em turbo e eu meio que começo a me preparar para o próximo. Se bem que, pra mim, cada semestre é um ano, e eu me preparo também para a segunda metade que já está na esquina. Com as mudanças e talz, esperando um pouco mais de agitação e discussão e cafés e cervejas e chorinhos e sabendo que bem pode não sair nenhum coelho desse mato. E é só que até lá, muitas pedras ainda vão rolar. Ou só uma pedra, mas uma pedra meio grande.
Mas, sim, eu dizia estar aqui sentada, meio aqui, meio ali. E entre uma coisa e outra, me peguei pensando que eu cavei um buraco e super entrei dentro. Sei lá, acho que buraco todo mundo vive cavando, só que algumas pessoas pulam para lá e ali ficam, enquanto outras vão tentando achar uma saída. E nem sei se eu também não sigo buscando, o lance todo é que eu estou muito dentro do buraco. Nem chega a ser um mau buraco, tirando o fato óbvio de ser buraco.
Eu tenho pensado muito, nas últimas semanas, em escrever sobre algumas decisões que tomei. Uma, em particular, algo séria profissionalmente, que eu chamaria de "queimar pontes". Naquele lance todo de exército em guerra, recuando à toda, e queimando tudo que deixasse para trás, para não ser usado pelo inimigo? Nem que eu tenha inimigo a temer, só mesmo a impossibilidade de voltar, depois de atravessar. O que me causa uma considerável angústia - mas também ouvi uma coisa, semana passada, que me deixou meio bolada: que me falta a mim, em particular, e à minha geração em geral, ousadia. Fiquei matutando sobre a questão. Será?
Acho mesmo que estamos no tornando, de maneira generalizada, muito mais conservadores. Eu sou até que bastante conservadora, não por príncipio e mais pelo jeito caxias de ser. Mas não em princípio, o que parece fazer muita diferença.
Então, algo animada com o próximo meio-ano que se aproxima, começo a me animar um pouco. Com o ano-inteiro, me animo mais. Numas de realmente me preparar, como não fiz da outra vez. Algo como estudar, conhecer, planejar e me envolver e não apenas cair de pára-quedas.
É só que, para trás, ficam as pontes. E eu dentro do buraco.
Pode ser a sanidade que escapa pela janela, mas eu nesta noite invernal acho é graça.
E, é claro, conto com as mensagens que larguei por aí.
Em garrafas.

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