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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Entre linhas

Na brincadeira o ano começou e já andou um tanto, antes de eu voltar para casa. Porque eu olho aqui, vejo esse espaço, essas cores, essas imagens e a sensação que tenho é mesmo de voltar para casa. Estar em casa.
Eu, ao menos, valorizo demais isso, da casa, e fico vez ou outra imaginando como pode ter gente que nem sabe o que é isso.
Só pra variar um pouco, não tenho muito a dizer, nessa manhã de terça-feira. Logo tenho que sair, antes tinha de trabalhar, mas fui tomada por esse desejo de retorno que parece algo infértil. É só que não dá para saber agora se ele vai dar em alguma coisa, né? Ah, o tempo, o tempo...
Eu tinha mesmo de ser da história. Sinto um prazer enorme de vir e refazer meus passos e me lembrar das histórias que só eu conheço, desvendar os motivos que ninguém mais vê, gosto demais da história e do mistério.
Vai lá saber o que é de fato mistério, o que minhas entrelinhas tão cuidadosamente codificadas não revelam, apesar de mim. É só que não podem revelar tudo, porque tudo ninguém sabe nem pode ver e essa impossibilidade, que às vezes me angustia, noutras acalenta.
Eis que começou um novo ano. Fiz lá um ritual nessa passagem que nunca tinha feito, talvez esperando grandes transformações que eu sei que não chegam só porque mudou um numerozinho na data. É só que todos os dias mudam numerozinhos na data e a cada segundo muda um numerozinho - ou vários - na vida. O tempo.
Pois então ele corre de lá e eu corro de cá, que a verdade é que já estou atrasada.