Tava aqui bem ouvindo o Geraldo Azevedo e pensando.
Nem sei se pensando, acho que só estando.
Metade lutando contra o cansaço, metade curtindo a idéia do descanso.
Sempre acho um porre as pessoas dizendo que não têm muito a dizer, apesar de eu mesma fazer isso com certa frequência. Sei lá, então não diz, né não? Silêncio foi inventado por um motivo. Mas nessa vida a gente se pega tendo umas compulsões meio difíceis de controlar.
Outra musiquinha que me faz feliz, essa do Geraldo.
Tava semana passada conversando com uma amiga, ela me perguntou se eu tinha dificuldade pra escrever e eu tava respondendo que tinha um blog e, apesar de ele não ser assim tão ativo, desenvolvi o hábito de sentar e escrever, então, apesar de travar, acho que não tenho tanta.
E fui contando pra ela desse blog e do outro que eu tinha e explicar a teoria - quase esquecida - da idiotia. Engraçado voltar a pensar nessas questões, tanto tempo depois. Mais de três anos.
Estou agora muito distante das concepções que ditavam minha vida então, mas me dei conta de que, se elas se transformaram, foi pra alguma coisa muito parecida com a forma original.
Sentei dia desses numa mesa de bar com pessoas razoavelmente interessantes e, sentada ali, sentindo em mim alguma tranquilidade, consegui perceber como aquelas pessoas nunca iriam me conhecer, talvez não por ser impossível, mas porque existia ali uma barreira. Intransponível talvez, criada por mim ou por elas ou por uma abelha que passou numa tarde de verão.
Que será que nos faz ser minimamente conhecidos por alguém, ou impede o conhecimento?
Eu sentada ali, sendo, não conseguia mostrar a nenhum deles quem eu era. Quase volto no tempo e me vejo sentada, em outros bares, com outras companhias, falando quase exatamente as mesmas coisas. Que a gente vem e vai sozinho e ninguém nunca se vê, mesmo, só talvez uma manchinha no horizonte que pode ser o outro ou um leão visto de muito longe, como naquela tira da Mafalda.
Pensei isso, na mesa, e não senti uma vontade irresistível de fugir dali. Queria era ouvir as histórias que eu talvez conhecesse, se fosse outra, e dar com elas algumas risadas fugazes.
Se eu fosse outra, não ligaria a mínima pra nada disso.
Eu que sou, no entanto, fico contente de me sentar um tempo e ser desconhecida.
Eu que sou sinto vez ou outra um comichão aqui por dentro que se contenta em ser.
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domingo, 29 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Das pontas
Primeiro, eu ia contar dos meninos que encontrei num pseudo-restaurante, um maiorzinho, outro menorzinho. Ia dizer do estranhamento disso de meninos, e que o maior jogava bafo e eu há milênios não via ninguém jogar bafo. Ia falar que acho engraçado que ainda penso em mim como criança, até imaginar que, vista pelos olhos delas, sou qualquer coisa menos isso. Senti aqui algum comichão de ir jogar bafo com ele e me lembrei que nunca soube jogar, não sei se por ser menina ou estabanada ou a fatal combinação dos dois. Uma pena, de qualquer modo. Ia contar desses outros que eu só vejo pela janela e nunca entendo direito.
Depois, ia falar do apagão. Do incômodo que isso de energia causa na gente; que eu comecei a ficar neurótica com a segurança da casa depois da instalação da cerca elétrica; que senti uma vontade de sentar na varanda e apreciar a escuridão, mas não deu tempo, porque eu não podia simplesmente sentar na varanda e apreciar a escuridão, em primeiro lugar, porque não tenho varanda. Vivo me questionando sobre os malefícios que essa idéia de varanda traz à minha vida. Mas aí que vi que o problema tinha sido geral e tava todo mundo falando nisso e achei foi um saco.
Depois ainda ia falar disso das segundas vezes que são uma constante na minha vida e acabam dando certo. Dessas coisas que são nossas e só nossas e nem ninguém nos tira nem a gente não dá, porque são nossas e só. E das outras que, tiradas ou dadas, não eram e não são. E, não sendo, vão.
Mas aí comecei aqui a ver historinhas de terror e percebi que vou ter problemas pra dormir. Apesar que algum controle tem habitado esse corpo, porque ontem eu fiquei vendo as cenas de criancinhas fantasmas num lago e pensei "putz, vou pensar nisso logo quando for dormir..." e não deu outra, quando cansei de (re)ler o HP e apaguei a luz comecei logo a pensar no lago e etc. Mas aí eu falei comigo mesma: "meu, não vou ficar pensando nisso" e capotei logo em seguida e acho que nem tive pesadelo. Força do pensamento e tudo mais.
Tenho minhas dúvidas sobre se isso funciona sempre ou só quando a gente tá muito cansado. Coisa que, aliás, não estava ontem, nem estou hoje, porque esta semana estou adepta dos cochilinhos vespertinos. Mas também não preciso de muito para me exaurir e dormir, que essa sempre foi uma qualidade minha.
Enfim, só deixando aqui pontas soltas que minha intuição diz que não serão jamais amarradas. Mas vai que um dia cai por aqui um tecelão.
Depois, ia falar do apagão. Do incômodo que isso de energia causa na gente; que eu comecei a ficar neurótica com a segurança da casa depois da instalação da cerca elétrica; que senti uma vontade de sentar na varanda e apreciar a escuridão, mas não deu tempo, porque eu não podia simplesmente sentar na varanda e apreciar a escuridão, em primeiro lugar, porque não tenho varanda. Vivo me questionando sobre os malefícios que essa idéia de varanda traz à minha vida. Mas aí que vi que o problema tinha sido geral e tava todo mundo falando nisso e achei foi um saco.
Depois ainda ia falar disso das segundas vezes que são uma constante na minha vida e acabam dando certo. Dessas coisas que são nossas e só nossas e nem ninguém nos tira nem a gente não dá, porque são nossas e só. E das outras que, tiradas ou dadas, não eram e não são. E, não sendo, vão.
Mas aí comecei aqui a ver historinhas de terror e percebi que vou ter problemas pra dormir. Apesar que algum controle tem habitado esse corpo, porque ontem eu fiquei vendo as cenas de criancinhas fantasmas num lago e pensei "putz, vou pensar nisso logo quando for dormir..." e não deu outra, quando cansei de (re)ler o HP e apaguei a luz comecei logo a pensar no lago e etc. Mas aí eu falei comigo mesma: "meu, não vou ficar pensando nisso" e capotei logo em seguida e acho que nem tive pesadelo. Força do pensamento e tudo mais.
Tenho minhas dúvidas sobre se isso funciona sempre ou só quando a gente tá muito cansado. Coisa que, aliás, não estava ontem, nem estou hoje, porque esta semana estou adepta dos cochilinhos vespertinos. Mas também não preciso de muito para me exaurir e dormir, que essa sempre foi uma qualidade minha.
Enfim, só deixando aqui pontas soltas que minha intuição diz que não serão jamais amarradas. Mas vai que um dia cai por aqui um tecelão.
domingo, 8 de novembro de 2009
Etecap
Tava aqui ouvindo o Dr. Horrible e antecipando o momento em que vou passar a odiá-lo, depois da overdose. Tão triste, isso, né, que todas as coisas tenham de ter um fim.
Lembrei hoje do colégio em que estudei, em que os alunos tinham armários e eu dividia o meu com uma amiga, que não lembro se era a Tati ou a Ju ou ambas. Lembrei que quando era a Tati (acho) a gente ia no depósito de doces que tinha perto da escola e comprava um sacão de doce de leite, aquele de chupar, e guardava no armário, aí na hora do almoço a gente pegava um lençol amarelo e estendia debaixo de umas árvores com o doce e ficava ali morgando um pouco, antes de voltar às intermináveis aulas de química. Química de tudo que era jeito, quali, quanti, físico-, orgânica, inor, laboratórios e mais laboratórios.
Hoje, quando passei em frente a um depósito de doces, me peguei lembrando do armário e senti uma vontade não usual de voltar e tentar aproveitar mais o que tinha de bom naquela época. Estranho, porque eu não sou muito do tipo que se arrepende e, apesar de viver com eternas saudades, não sinto o desejo de voltar e passar de novo pelo que já foi. Acho que aceito um pouco demais aquela história de cada coisa em seu lugar, etc. Foi o que deu pra ser; sempre podia ter sido melhor, mas sempre podia ter sido pior. Mas senti essa saudade do armário que deve ser uma metáfora pra alguma outra coisa que, agora, não identifico. Acho que, então, eu era muito mais ativa do que sou agora, passava o dia na escola, aquele cotidiano quadradinho tão diferente do atual, em que quem manda em mim sou eu e não me sinto pronta pra essa responsabilidade. Dos lados ruins da vida na academia que é, de fato, extremamente solitária.
Mas eu era também o cúmulo do caxias e ninguém pode ser muito feliz sendo tão rígido como eu era. Eu dou risada, hoje, das coisas que fiz e disse, mas faz parte, né? Fui uma adolescente excentricamente pouco rebelde.
Tava hoje arrumando meu quarto e encontrei uma latinha que minha tia me deu, pra guardar brincos e colares ou sei lá o que, e ela fez uma pequena dedicatória a lápis, como ela costumava fazer, e a data era 99 e eu fiquei tentando calcular, estupidamente, quantos anos eu tinha então e tentando lembrar de quando ela me deu e de como eu era e já não era possível. Ai, o tempo, que feliz ou infelizmente leva tudo embora.
Tenho sentido, nos últimos dias, uma espécie de frustração, ou talvez um vazio, uma não vontade de fazer as coisas que costumo gostar de fazer e acho que, quando a gente quer muito muito uma coisa, quando a consegue vem de brinde isso. E agora, o que eu vou querer? Como se a vida fosse uma sucessão de desejos inalcançáveis, que quando a gente acha que pegou um, percebe que ele se transformou e seguiu viagem, está ali na frente e a gente tem logo que se levantar e recomeçar a busca. A eterna insatisfação.
Não gosto da idéia, nem do sentimento, porque acho que seria justo vez em quando a gente só ficar feliz por conseguir, sem começar a girar a cabeça procurando um novo objetivo.
Talvez não seja nada disso, talvez seja só o cansaço falando alto e me confundindo.
Talvez seja o Dr. Horrible começando a cansar, mas espero que não. Prefiro odiá-lo depois, não agora.
Pelo menos o calor deu uma trégua.
Mas hoje eu não me deitei embaixo de nenhuma árvore.
Lembrei hoje do colégio em que estudei, em que os alunos tinham armários e eu dividia o meu com uma amiga, que não lembro se era a Tati ou a Ju ou ambas. Lembrei que quando era a Tati (acho) a gente ia no depósito de doces que tinha perto da escola e comprava um sacão de doce de leite, aquele de chupar, e guardava no armário, aí na hora do almoço a gente pegava um lençol amarelo e estendia debaixo de umas árvores com o doce e ficava ali morgando um pouco, antes de voltar às intermináveis aulas de química. Química de tudo que era jeito, quali, quanti, físico-, orgânica, inor, laboratórios e mais laboratórios.
Hoje, quando passei em frente a um depósito de doces, me peguei lembrando do armário e senti uma vontade não usual de voltar e tentar aproveitar mais o que tinha de bom naquela época. Estranho, porque eu não sou muito do tipo que se arrepende e, apesar de viver com eternas saudades, não sinto o desejo de voltar e passar de novo pelo que já foi. Acho que aceito um pouco demais aquela história de cada coisa em seu lugar, etc. Foi o que deu pra ser; sempre podia ter sido melhor, mas sempre podia ter sido pior. Mas senti essa saudade do armário que deve ser uma metáfora pra alguma outra coisa que, agora, não identifico. Acho que, então, eu era muito mais ativa do que sou agora, passava o dia na escola, aquele cotidiano quadradinho tão diferente do atual, em que quem manda em mim sou eu e não me sinto pronta pra essa responsabilidade. Dos lados ruins da vida na academia que é, de fato, extremamente solitária.
Mas eu era também o cúmulo do caxias e ninguém pode ser muito feliz sendo tão rígido como eu era. Eu dou risada, hoje, das coisas que fiz e disse, mas faz parte, né? Fui uma adolescente excentricamente pouco rebelde.
Tava hoje arrumando meu quarto e encontrei uma latinha que minha tia me deu, pra guardar brincos e colares ou sei lá o que, e ela fez uma pequena dedicatória a lápis, como ela costumava fazer, e a data era 99 e eu fiquei tentando calcular, estupidamente, quantos anos eu tinha então e tentando lembrar de quando ela me deu e de como eu era e já não era possível. Ai, o tempo, que feliz ou infelizmente leva tudo embora.
Tenho sentido, nos últimos dias, uma espécie de frustração, ou talvez um vazio, uma não vontade de fazer as coisas que costumo gostar de fazer e acho que, quando a gente quer muito muito uma coisa, quando a consegue vem de brinde isso. E agora, o que eu vou querer? Como se a vida fosse uma sucessão de desejos inalcançáveis, que quando a gente acha que pegou um, percebe que ele se transformou e seguiu viagem, está ali na frente e a gente tem logo que se levantar e recomeçar a busca. A eterna insatisfação.
Não gosto da idéia, nem do sentimento, porque acho que seria justo vez em quando a gente só ficar feliz por conseguir, sem começar a girar a cabeça procurando um novo objetivo.
Talvez não seja nada disso, talvez seja só o cansaço falando alto e me confundindo.
Talvez seja o Dr. Horrible começando a cansar, mas espero que não. Prefiro odiá-lo depois, não agora.
Pelo menos o calor deu uma trégua.
Mas hoje eu não me deitei embaixo de nenhuma árvore.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Touro
Ultimamente, meu sono tem sido pior do que costumava ser.
Estou um tanto sem inspiração pra literatura, o que não deixa de ser estranho. Aí as leituras noturnas são aquelas do trabalho, que não inspiram bons sonhos. Tive seriamente de parar de fazer isso uma época em que era pesadelo toda noite, galera se matando na maior.
Como alternativa, vez em quando recorro à música, o playerzinho que tem a mesma lista há séculos, de que eu às vezes canso, às vezes não.
Foi nessas que eu comecei a ouvir tudo que tinha de instrumental no aparelhinho, desde os poucos Yamandus até o Brahms que me fascinou tanto, há já tanto tempo. Engraçado como associei essa música ao Proust e já não consigo ouvir sem pensar no Vinteuil.
Brinco, mesmo, de associação livre.
Enquanto ouvia os violinos de que gosto tanto, comecei a me incomodar com os barulhos da minha mente. Meio que já sabia, mas ficou tão claro pra mim que eu não consigo me impedir de ficar o tempo todo pensando e o modo como essa característica me irrita. Sem "ah, sou inteligente demais, super penso o mundo e tudo que me dizem" bla-bla-bla, mas eu fico mesmo o tempo todo cantarolando a música, ao invés de simplesmente deixá-la ser percebida pelos sentidos. É o normal, isso?
Tive então uma epifania: é esse o motivo de eu nunca gostar de nada que ouço pela primeira vez. É nunca, mesmo, com todo o peso da certeza. Porque não consigo cantarolar junto e é esse o meu jeito de ouvir.
Eu só gosto do que conheço. Acho que o que expande um tanto meus limites e me salva da perdição absoluta, é que, vez por outra, eu me permito conhecer as coisas, para daí gostá-las. Começo na quase indiferença, enquanto faço outras coisas, sem prestar muita atenção, só pra ir amaciando, registrando para depois reconhecer e, talvez, me apaixonar.
Isso foi numa noite de pseudo-insônia destas.
Aí hoje fiquei pensando no quanto gosto da estrada. Nem tenho aquela super paixão por dirigir o tempo todo, mas gosto da estrada. Minha paixão é inconstante. Mas aí, hoje, enquanto o sol arrasador detonava minha pele e ia chegando ao limite do suportável, me dei conta de outra coisa: eu não gosto do que não conheço por causa do diabo da lua em touro.
Não é fantástico?
Não entendo nada de astrologia, apesar de sempre querer saber. Sou, aí, muito da egocêntrica e quero saber tudo sobre meu mapa; falta espaço pra aprender sobre os dos outros.
Se é verdade ou não, não sei dizer e nem me importa. Acho é muito libertador poder explicar essas pequenas partes do que somos, atribuí-las a qualquer outra coisa que não à gente e ter, quem sabe, um pouco de paz. Eu, quando ouvi sobre o meu, confesso que fiquei um tanto pasma em perceber como algumas coisas encaixavam muito bem, e o processo todo me ajudou a entender algumas coisas sobre mim. É algo bizarro uma pessoa totalmente estranha te explicar comportamentos seus que, por vezes, não são tão legais, mas dá também como que um alívio, esse ver-se por outros olhos. Olhos lunáticos.
Enfim, porque eu pensei que devia contar e contei.
Finalmente começou a chover e chegou um vento fresco, pra embalar a noite.
Hora boa é sempre hora de voltar.
Estou um tanto sem inspiração pra literatura, o que não deixa de ser estranho. Aí as leituras noturnas são aquelas do trabalho, que não inspiram bons sonhos. Tive seriamente de parar de fazer isso uma época em que era pesadelo toda noite, galera se matando na maior.
Como alternativa, vez em quando recorro à música, o playerzinho que tem a mesma lista há séculos, de que eu às vezes canso, às vezes não.
Foi nessas que eu comecei a ouvir tudo que tinha de instrumental no aparelhinho, desde os poucos Yamandus até o Brahms que me fascinou tanto, há já tanto tempo. Engraçado como associei essa música ao Proust e já não consigo ouvir sem pensar no Vinteuil.
Brinco, mesmo, de associação livre.
Enquanto ouvia os violinos de que gosto tanto, comecei a me incomodar com os barulhos da minha mente. Meio que já sabia, mas ficou tão claro pra mim que eu não consigo me impedir de ficar o tempo todo pensando e o modo como essa característica me irrita. Sem "ah, sou inteligente demais, super penso o mundo e tudo que me dizem" bla-bla-bla, mas eu fico mesmo o tempo todo cantarolando a música, ao invés de simplesmente deixá-la ser percebida pelos sentidos. É o normal, isso?
Tive então uma epifania: é esse o motivo de eu nunca gostar de nada que ouço pela primeira vez. É nunca, mesmo, com todo o peso da certeza. Porque não consigo cantarolar junto e é esse o meu jeito de ouvir.
Eu só gosto do que conheço. Acho que o que expande um tanto meus limites e me salva da perdição absoluta, é que, vez por outra, eu me permito conhecer as coisas, para daí gostá-las. Começo na quase indiferença, enquanto faço outras coisas, sem prestar muita atenção, só pra ir amaciando, registrando para depois reconhecer e, talvez, me apaixonar.
Isso foi numa noite de pseudo-insônia destas.
Aí hoje fiquei pensando no quanto gosto da estrada. Nem tenho aquela super paixão por dirigir o tempo todo, mas gosto da estrada. Minha paixão é inconstante. Mas aí, hoje, enquanto o sol arrasador detonava minha pele e ia chegando ao limite do suportável, me dei conta de outra coisa: eu não gosto do que não conheço por causa do diabo da lua em touro.
Não é fantástico?
Não entendo nada de astrologia, apesar de sempre querer saber. Sou, aí, muito da egocêntrica e quero saber tudo sobre meu mapa; falta espaço pra aprender sobre os dos outros.
Se é verdade ou não, não sei dizer e nem me importa. Acho é muito libertador poder explicar essas pequenas partes do que somos, atribuí-las a qualquer outra coisa que não à gente e ter, quem sabe, um pouco de paz. Eu, quando ouvi sobre o meu, confesso que fiquei um tanto pasma em perceber como algumas coisas encaixavam muito bem, e o processo todo me ajudou a entender algumas coisas sobre mim. É algo bizarro uma pessoa totalmente estranha te explicar comportamentos seus que, por vezes, não são tão legais, mas dá também como que um alívio, esse ver-se por outros olhos. Olhos lunáticos.
Enfim, porque eu pensei que devia contar e contei.
Finalmente começou a chover e chegou um vento fresco, pra embalar a noite.
Hora boa é sempre hora de voltar.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Está computado nos dados oficiais
Eu tenho a capacidade de concentração de uma ostra.
É meia hora trabalhando e de repente preciso beber água, ou checar uma citação, ou pegar um clipe (é, disse o Aurélio que é assim que escreve, daqueles de papel!), ou ouvir uma música, ou comer uma tortinha de limão, ou falar alguma coisa rapidinho com alguém.
Ou fazer xixi, lavar a mão, coçar a cabeça, alguma coisa, qualquer coisa que não o que tenho que fazer.
Vim - dessa vez pelo clipe, que tinha levado um monte para a mesa mas perdi, aí a culpa é deles e dos seres superiores que os fazem desaparecer, né não? - e comecei a divagar e pensar na música do Chico que fala "está registrado nos dados oficiais", que achei que era "eternos amantes". Comentários, ou nem precisa?
Faz já um tempo que não o ouço, ao Chico, se não por acaso, num rádio ligado deixado esquecido num canto da casa. Ou na minha cabeça, quando vem alguma lembrança ou idéia, como a de agora.
Tão lembro da minha mãe ter os LP's e de um calhamaço de papel com todas - acho que só muitas, né, que ele tem música pra caramba - as letras, que eu ficava aprendendo e perguntando pro pai ou mãe como era mesmo. Lembro, em particular, da "mais formosa das cabrochas dessa ala". Depois meio que parei de gostar dessa, não sei bem por quê.
Sem mais a dizer, no fim desse dia tão quente. Hoje os termômetros da rua marcavam 40 graus e eu senti mesmo aquela ardência na pele de que tinha meio que esquecido.
Ao trabalho, então.
Vou só antes dar um telefonema.
É meia hora trabalhando e de repente preciso beber água, ou checar uma citação, ou pegar um clipe (é, disse o Aurélio que é assim que escreve, daqueles de papel!), ou ouvir uma música, ou comer uma tortinha de limão, ou falar alguma coisa rapidinho com alguém.
Ou fazer xixi, lavar a mão, coçar a cabeça, alguma coisa, qualquer coisa que não o que tenho que fazer.
Vim - dessa vez pelo clipe, que tinha levado um monte para a mesa mas perdi, aí a culpa é deles e dos seres superiores que os fazem desaparecer, né não? - e comecei a divagar e pensar na música do Chico que fala "está registrado nos dados oficiais", que achei que era "eternos amantes". Comentários, ou nem precisa?
Faz já um tempo que não o ouço, ao Chico, se não por acaso, num rádio ligado deixado esquecido num canto da casa. Ou na minha cabeça, quando vem alguma lembrança ou idéia, como a de agora.
Tão lembro da minha mãe ter os LP's e de um calhamaço de papel com todas - acho que só muitas, né, que ele tem música pra caramba - as letras, que eu ficava aprendendo e perguntando pro pai ou mãe como era mesmo. Lembro, em particular, da "mais formosa das cabrochas dessa ala". Depois meio que parei de gostar dessa, não sei bem por quê.
Sem mais a dizer, no fim desse dia tão quente. Hoje os termômetros da rua marcavam 40 graus e eu senti mesmo aquela ardência na pele de que tinha meio que esquecido.
Ao trabalho, então.
Vou só antes dar um telefonema.
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