Me sentindo assim meio "comfortably numb".
Desses dias, ou noites, em que a gente percebe com inteireza o fato de estarmos total e absolutamente sós sob o céu. Percepção essa que não traz nada, nem angústia, nem tristeza, nem felicidade, talvez resultante de alguma idéia de independência. Numb. Confortavelmente.
Pode ser algo de cansaço, pode ser a ansiedade mostrando suas garras, além de tantas outras coisas que se misturam e se formam e se transmutam do lado de dentro da gente.
É só um fato, o mais banal e imponderável fato, esse da solidão.
Sem remédio, sem saída, sem conversa, chegamos sós e partimos sós e nesse meio tempo... tem sido difícil não me perguntar, mais constantemente do que de costume, por que estamos aqui. E tantas outras perguntas, tantas não-respostas também cheias de significados e enquanto isso tanta tanta solidão.
Não, nada de novo sob o céu. Só tudo. Tudo só.
Páginas
terça-feira, 29 de novembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Quarta-feira
Não sei se de repente, ou se muito natural e previsivelmente, mas estou/estava com todas essas bolas no ar, muitas bolas de todos os tipos e tamanhos, e de repente, ou logicamente, parece que elas começam a cair na minha cabeça.
Não tenho alma - e coordenação - de malabarista, suponho. Ou "balabarista", como dizia uma amiga minha do colégio. E dizia a sério e eu me lembro do tanto que rimos disso, na ocasião. Foi num chat que ela escreveu, no meio de uma aula do curso de química - é, a gente era panacão e arrancava uma folha do caderno e escrevia "chat" em cima e ficava passando de um pro outro, sem falar nada em particular, mas brincando e passando o tempo (e desrespeitando os pobres professores, mas que fazer?).
Mas eis que as bolas começam a cair, uma por uma e em velocidades distintas. Eu percebo, porque adquiri nos últimos dias uma tremenda dificuldade de lidar com as menores e mais insignificantes frustrações. O engraçado é que eu muito vejo que estou dramatizando, então a consciência me impede de enlouquecer e eu vou voltando devagar para a realidade, mas o peito começa a apertar e eu não sei como fazer pra ele soltar.
E muitas vezes, como hoje, não sei exatamente porque dói. Acho que é por tudo e a pressão que vem de todos os lados, principalmente de mim.
Estou totalmente pirada no Lirinha e tem uma que chama "ela vai dançar" e ele diz que "pra desfazer a dor da quarta-feira".
E no show ele perguntou se a gente sabia o que era a dor da quarta-feira e eu fiquei tão pensando. Que não sei, mas imagino. E hoje me dei conta de como a coisa de que eu mais gosto no mundo são as idéias. Não as coisas, festas, pessoas, mas as idéias que eu crio delas - e sei que isso é uma completa loucura egocêntrica e egoísta, sei que vou me foder grandão pra sempre, porque idéias simplesmente não existem, mas ao mesmo tempo há nelas e na própria abstração algo que me completa e não existe nada mais real que isso.
Então, não, eu não conheço a dor da quarta-feira, mas imagino e pra mim é mais. E bem hoje, nessa noite fria de novembro eu dramatizei total e concluí que a estou sentindo, a quarta, só que sem a terça.
A dor da quarta-feira sem antes o carnaval, como ela em si sem aquilo que a compensa e justifica. Ela como pura e cortante, ela fim e eu esperando o começo.
Eu aqui ameaçando sucumbir, mas tão me acostumei a permanecer de pé, tão endureci a casca de outras quedas que nem sei. Pode ser que as bolas vão caindo sem causar qualquer dano e só fiquem no ar as essenciais. E tudo bem, amanhã melhor, mas hoje está tudo meio difícil.
Não tenho alma - e coordenação - de malabarista, suponho. Ou "balabarista", como dizia uma amiga minha do colégio. E dizia a sério e eu me lembro do tanto que rimos disso, na ocasião. Foi num chat que ela escreveu, no meio de uma aula do curso de química - é, a gente era panacão e arrancava uma folha do caderno e escrevia "chat" em cima e ficava passando de um pro outro, sem falar nada em particular, mas brincando e passando o tempo (e desrespeitando os pobres professores, mas que fazer?).
Mas eis que as bolas começam a cair, uma por uma e em velocidades distintas. Eu percebo, porque adquiri nos últimos dias uma tremenda dificuldade de lidar com as menores e mais insignificantes frustrações. O engraçado é que eu muito vejo que estou dramatizando, então a consciência me impede de enlouquecer e eu vou voltando devagar para a realidade, mas o peito começa a apertar e eu não sei como fazer pra ele soltar.
E muitas vezes, como hoje, não sei exatamente porque dói. Acho que é por tudo e a pressão que vem de todos os lados, principalmente de mim.
Estou totalmente pirada no Lirinha e tem uma que chama "ela vai dançar" e ele diz que "pra desfazer a dor da quarta-feira".
E no show ele perguntou se a gente sabia o que era a dor da quarta-feira e eu fiquei tão pensando. Que não sei, mas imagino. E hoje me dei conta de como a coisa de que eu mais gosto no mundo são as idéias. Não as coisas, festas, pessoas, mas as idéias que eu crio delas - e sei que isso é uma completa loucura egocêntrica e egoísta, sei que vou me foder grandão pra sempre, porque idéias simplesmente não existem, mas ao mesmo tempo há nelas e na própria abstração algo que me completa e não existe nada mais real que isso.
Então, não, eu não conheço a dor da quarta-feira, mas imagino e pra mim é mais. E bem hoje, nessa noite fria de novembro eu dramatizei total e concluí que a estou sentindo, a quarta, só que sem a terça.
A dor da quarta-feira sem antes o carnaval, como ela em si sem aquilo que a compensa e justifica. Ela como pura e cortante, ela fim e eu esperando o começo.
Eu aqui ameaçando sucumbir, mas tão me acostumei a permanecer de pé, tão endureci a casca de outras quedas que nem sei. Pode ser que as bolas vão caindo sem causar qualquer dano e só fiquem no ar as essenciais. E tudo bem, amanhã melhor, mas hoje está tudo meio difícil.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Lirinha - Ah se não fosse o amor
Porque eu vi e não conhecia e, novamente, me apaixonei. Repeat one há horas e mais que horas na minha cabeça.
Só pra ter uma vaga idéia do que é esse cara. Pensei nisso, quando ouvi, todo o clichê de "amor" rimar com "dor", e nem é isso, né? "A força incrível do seu reator".
E como pode, alguém entrar e dentro se desmanchar?
E o sotaque. Ah, o sotaque...
"Nunca esqueça as oferendas quando contar na rua as nossas lendas"
Lindo.
"Chamei você, mas você não veio e eu entendi que era normal, nada pessoal"
Tive ainda hoje essa experiência, mesmo sensação corpórea, do reator explodindo dentro de mim e eu sei que tem valor em si, mas e a falta de endereço certo? E o que vaza e parece se perder, ao invés de acender alguma luz em algum lugar?
Ah, se não fosse o amor.
Nada pessoal.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Insustentável
Tenho sido ultimamente assombrada pelo Kundera.
Na verdade, bem agora, eu dormia e sonhava com vampiros russos que faziam inseminação artificial em doze mulheres, mas não acordei assombrada e, sim, numas de "wtf?!". Eu digo sempre que meu inconsciente é burro e não se liga que pode fazer coisas totalmente absurdas enquanto eu durmo, e eis a prova. Quando ele resolve viajar vai até a Rússia encontrar vampiros. E antes disso, ontem, sonhei com "os outros" e foi bem apavorante - apesar de nada original. Aí, sim, acordei com medo e, confesso, como tinha ainda muito sono e voltava sempre ao mesmo sonho, para acordar assustada e voltar ao sonho e etc., tive de dormir com a luz acesa. Penso que até racionalizei a coisa, com a lâmpada incandescente e "os outros" não curtindo calor.
Mas o que verdadeiramente tem me assombrado é o Kundera.
Ele está tão ou mais presente do que na época em que li. Será que devo voltar? Mas tenho medo.
Há algumas semanas até peguei outro livro dele, que não a Insustentável, numa livraria, mas olhei bem para ele e decidi não. E mesmo assim tenho citado - o que eu lembro de - a Insustentável com grande frequência, brincando com o fato de "eu ter de ser mais leve" como ela, ou das sinfonias, ou do ensaio, ou do "tem de ser?" ou do final. Será que devo voltar?
Diria, se bem me lembro, o Kundera que a gente não volta. E o incrível é que perdemos um tempo gigantesco imaginando como seria a vida se, mesmo sabendo que é impossível. "Se?" não existe e ainda é nossa brincadeira favorita.
Mas é brincar com fogo e já diz o ditado que leva a fazer xixi na cama.
Eu aqui dormi e acordei e o sono se foi. Dói a cabeça e sinto fome e meio que só. Algo de frio, o verão insiste em não chegar, e as folhas balançam na palmeira debaixo da janela, e meio que só.
Eu pensando no Kundera, e na leveza que eu deveria ter, e na sinfonia, e no ensaio, e "não tem de ser", e no meio de tudo só o que dói é a cabeça.
Sem metáforas, ela mesma lateja de fome, má postura e hipocondria.
Kundera meio que me assombra, mas eu me acostumei aos fantasmas e me importo pouco com eles.
Desde que não sejam outros.
Na verdade, bem agora, eu dormia e sonhava com vampiros russos que faziam inseminação artificial em doze mulheres, mas não acordei assombrada e, sim, numas de "wtf?!". Eu digo sempre que meu inconsciente é burro e não se liga que pode fazer coisas totalmente absurdas enquanto eu durmo, e eis a prova. Quando ele resolve viajar vai até a Rússia encontrar vampiros. E antes disso, ontem, sonhei com "os outros" e foi bem apavorante - apesar de nada original. Aí, sim, acordei com medo e, confesso, como tinha ainda muito sono e voltava sempre ao mesmo sonho, para acordar assustada e voltar ao sonho e etc., tive de dormir com a luz acesa. Penso que até racionalizei a coisa, com a lâmpada incandescente e "os outros" não curtindo calor.
Mas o que verdadeiramente tem me assombrado é o Kundera.
Ele está tão ou mais presente do que na época em que li. Será que devo voltar? Mas tenho medo.
Há algumas semanas até peguei outro livro dele, que não a Insustentável, numa livraria, mas olhei bem para ele e decidi não. E mesmo assim tenho citado - o que eu lembro de - a Insustentável com grande frequência, brincando com o fato de "eu ter de ser mais leve" como ela, ou das sinfonias, ou do ensaio, ou do "tem de ser?" ou do final. Será que devo voltar?
Diria, se bem me lembro, o Kundera que a gente não volta. E o incrível é que perdemos um tempo gigantesco imaginando como seria a vida se, mesmo sabendo que é impossível. "Se?" não existe e ainda é nossa brincadeira favorita.
Mas é brincar com fogo e já diz o ditado que leva a fazer xixi na cama.
Eu aqui dormi e acordei e o sono se foi. Dói a cabeça e sinto fome e meio que só. Algo de frio, o verão insiste em não chegar, e as folhas balançam na palmeira debaixo da janela, e meio que só.
Eu pensando no Kundera, e na leveza que eu deveria ter, e na sinfonia, e no ensaio, e "não tem de ser", e no meio de tudo só o que dói é a cabeça.
Sem metáforas, ela mesma lateja de fome, má postura e hipocondria.
Kundera meio que me assombra, mas eu me acostumei aos fantasmas e me importo pouco com eles.
Desde que não sejam outros.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
XXXIX
O mistério das coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas.
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos. Talvez eu vá até ele, a seguir.
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas.
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos. Talvez eu vá até ele, a seguir.
A parte do latifúndio
Real e de viés. Hoje a vida foi. Tanto no "ser" quanto no "ir".
Eis que o dia chega ao sem fim e tanta coisa aconteceu sem acontecer.
Tantas verdades que vêm à tona, tal como nem-tão-verdades-assim.
Ia escrever sobre como fiquei mesmo triste e envergonhada, como acho que nunca tinha ficado, vendo aquele vídeo das velhas dondocas botocadas falando sobre o Brasil. E enojada, e pensando que não pertenço ao mesmo lugar que elas. Ou, melhor colocando, elas não pertencem ao mesmo lugar que eu. Tenho, reiteradamente, esse algo de paixão por esse lugar de onde venho (sim, propositalmente no presente, porque continuo vindo e virei para sempre, sem fim, como o errar), o qual não entendo e tantas vezes estranho, esse desconhecido que é minha terra, que não é minha mas eu gostaria que fosse. Digo sempre da minha adoração pela idéia desse lugar - talvez mais do que pelo lugar em si, e é essa uma das idéias que me é mais cara. E eu sou intolerante, ainda, apesar de meus empenhados esforços em deixar de sê-lo. E arrogante, e possessiva, e ver as botocadas falando do meu lugar, da minha idéia, assim, provoca tristeza, e raiva, e nojo, e vergonha. Mas não pertencemos ao mesmo lugar e nisso encontro consolo.
E por caminhos e descaminhos, encontros e desencontros, fui chegando à "morte e vida severina". Que poema, que música.
E antes disso li, no metrô, um poema do Caeiro e eu pensando "tenho de ler Caeiro, mas não gosto de poesia, mas essa é sublime" e senti vontade... de ter trazido meu livro do desassossego, de ter trazido meu poesia completa de Alberto Caeiro em edição de bolso, e resolvo agora colocar na mala. Vou tentar achar o poema e colar aqui, se encontrar.
A conta menor que tiraste em vida. De bom tamanho, nem largo nem fundo, a parte que cabe neste latifúndio.
Tenho essa tendência - não temos todos? - de personalizar o mundo, mas essa idéia é tanto, a parte que te cabe, que sempre é tão pequena. Sinto então essa simpatia ambígua pelas pessoas, todas, sem saber até onde ela chega. E o sofrimento das pessoas que, momentâneo e pálido, sofre também em mim. E os meus sofrimentos, sempre exagerados, que me corroem em solidão.
A vida que vem a cavalo, e vai a jato, e a parte que nos cabe sempre tão pequena. E o resto eu não sei pra onde vai.
Não sei ao menos se existe.
Eis que o dia chega ao sem fim e tanta coisa aconteceu sem acontecer.
Tantas verdades que vêm à tona, tal como nem-tão-verdades-assim.
Ia escrever sobre como fiquei mesmo triste e envergonhada, como acho que nunca tinha ficado, vendo aquele vídeo das velhas dondocas botocadas falando sobre o Brasil. E enojada, e pensando que não pertenço ao mesmo lugar que elas. Ou, melhor colocando, elas não pertencem ao mesmo lugar que eu. Tenho, reiteradamente, esse algo de paixão por esse lugar de onde venho (sim, propositalmente no presente, porque continuo vindo e virei para sempre, sem fim, como o errar), o qual não entendo e tantas vezes estranho, esse desconhecido que é minha terra, que não é minha mas eu gostaria que fosse. Digo sempre da minha adoração pela idéia desse lugar - talvez mais do que pelo lugar em si, e é essa uma das idéias que me é mais cara. E eu sou intolerante, ainda, apesar de meus empenhados esforços em deixar de sê-lo. E arrogante, e possessiva, e ver as botocadas falando do meu lugar, da minha idéia, assim, provoca tristeza, e raiva, e nojo, e vergonha. Mas não pertencemos ao mesmo lugar e nisso encontro consolo.
E por caminhos e descaminhos, encontros e desencontros, fui chegando à "morte e vida severina". Que poema, que música.
E antes disso li, no metrô, um poema do Caeiro e eu pensando "tenho de ler Caeiro, mas não gosto de poesia, mas essa é sublime" e senti vontade... de ter trazido meu livro do desassossego, de ter trazido meu poesia completa de Alberto Caeiro em edição de bolso, e resolvo agora colocar na mala. Vou tentar achar o poema e colar aqui, se encontrar.
A conta menor que tiraste em vida. De bom tamanho, nem largo nem fundo, a parte que cabe neste latifúndio.
Tenho essa tendência - não temos todos? - de personalizar o mundo, mas essa idéia é tanto, a parte que te cabe, que sempre é tão pequena. Sinto então essa simpatia ambígua pelas pessoas, todas, sem saber até onde ela chega. E o sofrimento das pessoas que, momentâneo e pálido, sofre também em mim. E os meus sofrimentos, sempre exagerados, que me corroem em solidão.
A vida que vem a cavalo, e vai a jato, e a parte que nos cabe sempre tão pequena. E o resto eu não sei pra onde vai.
Não sei ao menos se existe.
sábado, 5 de novembro de 2011
Graça
Tem tanta graça viver. Tudo que coça e dói e passa.
Tudo que a gente poderia ter sido e não foi.
Estou num momento tão engraçado da vida, de algo como questionamento total e absoluto, acompanhado passo a passo dessa certeza de que o que tem de ser, é.
Abre-se à minha frente, inescapável, irresistivelmente, uma janela para uma vida que eu não quis, mas que poderia ter sido a minha. Um caminho aberto, metade de encruzilhada, para o quel nunca antes olhei.
Segui em frente com certeza e precisei chegar tão longe, até aqui, para perguntar "e se?"
E "se" não existe, lembro-me de ouvir pela primeira vez com meu professor de história do ginásio. O mesmo que me inspirou a marcar a profissão que sou eu naquela outra vida, preenchendo fichas de inscrição em universidades. Universidades, s, plural.
E se?
E se o caminho fosse o outro, eu não seria essa agora. Seria outra, talvez melhor, talvez mais feliz, talvez ainda mais perdida. Seria eu? Seria possível me tornar eu como sou, se tivesse escolhido outra estrada?
Abre-se uma janela e não resisto à tentação de olhar. E, olhando, imaginar.
Tantas viagens que poderiam ter sido.
Não tinha de ser.
Eu, a janela, olhamos por caminhos percorridos e esquecidos, apagados à força, recriados, inventados.
Tem que ter graça, a vida.
Tem de ser ou não.
Tudo que a gente poderia ter sido e não foi.
Estou num momento tão engraçado da vida, de algo como questionamento total e absoluto, acompanhado passo a passo dessa certeza de que o que tem de ser, é.
Abre-se à minha frente, inescapável, irresistivelmente, uma janela para uma vida que eu não quis, mas que poderia ter sido a minha. Um caminho aberto, metade de encruzilhada, para o quel nunca antes olhei.
Segui em frente com certeza e precisei chegar tão longe, até aqui, para perguntar "e se?"
E "se" não existe, lembro-me de ouvir pela primeira vez com meu professor de história do ginásio. O mesmo que me inspirou a marcar a profissão que sou eu naquela outra vida, preenchendo fichas de inscrição em universidades. Universidades, s, plural.
E se?
E se o caminho fosse o outro, eu não seria essa agora. Seria outra, talvez melhor, talvez mais feliz, talvez ainda mais perdida. Seria eu? Seria possível me tornar eu como sou, se tivesse escolhido outra estrada?
Abre-se uma janela e não resisto à tentação de olhar. E, olhando, imaginar.
Tantas viagens que poderiam ter sido.
Não tinha de ser.
Eu, a janela, olhamos por caminhos percorridos e esquecidos, apagados à força, recriados, inventados.
Tem que ter graça, a vida.
Tem de ser ou não.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Medéia
Só porque eu fui assistir a Gota d'água e é tão fodido demais que nem vou tentar dizer.
De dar rumo e criar raiz e tanta coisa.
Não fiquei feliz, porque seria sacrilégio, mas alguma coisa aqui que estava vazia se encheu e eu não sei dizer de quê.
Sou eu que estou aqui.
De dar rumo e criar raiz e tanta coisa.
Não fiquei feliz, porque seria sacrilégio, mas alguma coisa aqui que estava vazia se encheu e eu não sei dizer de quê.
Sou eu que estou aqui.
Assinar:
Postagens (Atom)