Nada de novo sobre a terra, mesmo nada. Tudo muito velho na verdade e eu continuo não exatamente me surpreendendo, mas confirmando quase diariamente como estamos tão absolutamente sozinhos nesse mundo. A idéia já me causou, talvez há meses ou anos, profundos desesperos, hoje a lição só se repete a cada dia e vai se fixando em mim, ao ponto de conseguir lidar melhor com a idéia e aceitar que as pessoas são livres pra fazer o que diabos quiserem das próprias vidas. Mas o mundo continua, cada vez mais cão e, talvez recalcadamente, eu semi acredito que as pessoas perdem com isso. Porque né, mesmo cão e na total solidão, a vida é mais que isso. Ou a minha é, ou deveria ser, ou eu tento fazer, mas enfim, começo de novo a me achar ligeiramente superior à maioria das pessoas à minha volta e isso é sempre mal sinal.
Só mesmo pra dizer e ficar alguns minutos sem pensar que eu preciso trabalhar no meu relatório.
Sim, Jack e Neal e o outro cara cujo nome esqueci estão curtindo todas no México e no fim da estrada e começo a pensar se a seguir vou pra Salinger, Borges ou Cortázar.
Ou se largo tudo e vou eu também para Tijuana.
Com os coiotes não há aduana.
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
Je ne t'aime plus
Tava aqui na onda com a amiga colombiana ouvindo Manu Chao. Ficamos curtindo o som e tentando lembrar de onde diabos o cabra é, filho de quê ou de quem e de onde tirou essas misturebas todas que faz.
Tenho ensaiado voltar a ele muito, nos últimos tempos, e ficava procurando nos pen-drives e hd's externos onde estavam os álbuns e nunca que encontrava, até finalmente chegar à conclusão de que perdi. Mas, na onda, comecei a ouvir de novo o Clandestino e voltaram algumas músicas de que tinha me esquecido completamente, como essa em francês e me bateu uma saudade do tempo em que eu meio que conseguia falar francês. Estudei até que bastante, talvez se tivesse viajado na época, se não tivesse parado, se...
Tenho percebido, ultimamente, que gosto demais de estudar línguas, mas obviamente não consigo fazê-lo se não for obrigada - e acho que obrigação para mim é do tipo "tenho que tirar nota nessa disciplina ou então perco todos os créditos e o mundo explode" ou coisa assim. Meio que passou do tempo, então. Mas gosto e fico achando que curto todo o lance do instinto, de ficar ouvindo e meio que sair falando - tudo errado e talz, mas a sonoridade e as consoantes malucas e tudo isso.
Não sei a quem eu dizia esses dias que acho que falar francês é achar o sotaque certo em português, engatar a segunda, terceira ou quinta e simplesmente ir embora. Não tenho certeza se é exatamente assim e estou longe há tempo o bastante para criar uma memória absolutamente deturpada, mas seria tão legal se fosse. Como o portunhol, que preciso demais desenvolver.
Tenho estado também nessa onda do espanhol, quem sabe nos próximos meses ele nasce. Fui falar esses dias prum pessoal sobre a Mafalda e ninguém conhecia. Tudo bem, era um pessoal, como direi?, jovem; mas pô, como assim não conhecer a Mafalda? Tão uma instituição, na minha bolha! E fui me dar conta, novamente, de que ainda não pus os pés na Argentina e a cada dia isso me soa mais criminoso. Quem sabe esse é o ano, mas são tantas coisas pra fazer e lugares para ir e eu dizendo que vou encontrar tanta gente e não tenho tempo e dinheiro e dramin suficiente para tudo, ou metade, agora. Mas estou pensando em fazer uma viagem camicase dentro de algumas semanas, algo como vinte horas dentro de um ônibus, lance todo cachorro cinza e etc., me sentindo o próprio Jack Kerouac experimentando as estradas e as paisagens, mas de maneira só um pouco mais comedida.
E, em algum momento do caminho, sinto uma taquicardia tão intensa que parece que vai me explodir, de repente o som subindo e tudo que posso ouvir no mundo é meu coração e literalmente ouço e sinto o peito ficar pequeno para ele, como se ele lutasse para se livrar de amarras ou sei lá o quê, mas o que ele não percebia, ou eu não percebia, é que ele estava de fato solto. É só que é algo apavorante, isso. Eu sou tosca e me pego pensando: o coração da gente dispara assim numas de defesa, de situação de perigo e se preparar para lutar ou fugir, mas nós somos seres tão fodidos nessa vida que a pessoa sente isso confortavelmente sentada, entre quatro paredes, num dia de sol e céu azul, sem perigo algum rondando nas imediações. E ainda, na segurança mais absoluta, nosso corpo reage sem saber bem a quê e a força da reação é tanta que parece nos prostar, chega mesmo a doer de medo de o músculo simplesmente parar ou, quem sabe, de não parar. Não é difícil perceber que a verdade é que não estamos seguros nunca, nem dentro de casa, nem sozinhos, porque a vida... Ai, Diadorim, a vida é perigosa. Precisa mais nada além de estar vivo.
Há tempos, percebo agora, não pensava eu em Diadorim. Nem tanto tempo, talvez um mês ou menos, mas é surpreendente que se tenha passado tanto tempo quando eu imaginei que ele agora já estava dentro e sempre.
Je ne t'aimes plus tous les jours e me pergunto: cuándo llegaré?
Tenho ensaiado voltar a ele muito, nos últimos tempos, e ficava procurando nos pen-drives e hd's externos onde estavam os álbuns e nunca que encontrava, até finalmente chegar à conclusão de que perdi. Mas, na onda, comecei a ouvir de novo o Clandestino e voltaram algumas músicas de que tinha me esquecido completamente, como essa em francês e me bateu uma saudade do tempo em que eu meio que conseguia falar francês. Estudei até que bastante, talvez se tivesse viajado na época, se não tivesse parado, se...
Tenho percebido, ultimamente, que gosto demais de estudar línguas, mas obviamente não consigo fazê-lo se não for obrigada - e acho que obrigação para mim é do tipo "tenho que tirar nota nessa disciplina ou então perco todos os créditos e o mundo explode" ou coisa assim. Meio que passou do tempo, então. Mas gosto e fico achando que curto todo o lance do instinto, de ficar ouvindo e meio que sair falando - tudo errado e talz, mas a sonoridade e as consoantes malucas e tudo isso.
Não sei a quem eu dizia esses dias que acho que falar francês é achar o sotaque certo em português, engatar a segunda, terceira ou quinta e simplesmente ir embora. Não tenho certeza se é exatamente assim e estou longe há tempo o bastante para criar uma memória absolutamente deturpada, mas seria tão legal se fosse. Como o portunhol, que preciso demais desenvolver.
Tenho estado também nessa onda do espanhol, quem sabe nos próximos meses ele nasce. Fui falar esses dias prum pessoal sobre a Mafalda e ninguém conhecia. Tudo bem, era um pessoal, como direi?, jovem; mas pô, como assim não conhecer a Mafalda? Tão uma instituição, na minha bolha! E fui me dar conta, novamente, de que ainda não pus os pés na Argentina e a cada dia isso me soa mais criminoso. Quem sabe esse é o ano, mas são tantas coisas pra fazer e lugares para ir e eu dizendo que vou encontrar tanta gente e não tenho tempo e dinheiro e dramin suficiente para tudo, ou metade, agora. Mas estou pensando em fazer uma viagem camicase dentro de algumas semanas, algo como vinte horas dentro de um ônibus, lance todo cachorro cinza e etc., me sentindo o próprio Jack Kerouac experimentando as estradas e as paisagens, mas de maneira só um pouco mais comedida.
E, em algum momento do caminho, sinto uma taquicardia tão intensa que parece que vai me explodir, de repente o som subindo e tudo que posso ouvir no mundo é meu coração e literalmente ouço e sinto o peito ficar pequeno para ele, como se ele lutasse para se livrar de amarras ou sei lá o quê, mas o que ele não percebia, ou eu não percebia, é que ele estava de fato solto. É só que é algo apavorante, isso. Eu sou tosca e me pego pensando: o coração da gente dispara assim numas de defesa, de situação de perigo e se preparar para lutar ou fugir, mas nós somos seres tão fodidos nessa vida que a pessoa sente isso confortavelmente sentada, entre quatro paredes, num dia de sol e céu azul, sem perigo algum rondando nas imediações. E ainda, na segurança mais absoluta, nosso corpo reage sem saber bem a quê e a força da reação é tanta que parece nos prostar, chega mesmo a doer de medo de o músculo simplesmente parar ou, quem sabe, de não parar. Não é difícil perceber que a verdade é que não estamos seguros nunca, nem dentro de casa, nem sozinhos, porque a vida... Ai, Diadorim, a vida é perigosa. Precisa mais nada além de estar vivo.
Há tempos, percebo agora, não pensava eu em Diadorim. Nem tanto tempo, talvez um mês ou menos, mas é surpreendente que se tenha passado tanto tempo quando eu imaginei que ele agora já estava dentro e sempre.
Je ne t'aimes plus tous les jours e me pergunto: cuándo llegaré?
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Depois de viver um século
Opa, que lembrei mas muito vagamente que comecei a cantarolar, já deitada pra dormir, aquela música tão bonita da Violeta Parra. Volver a los diecisiete.
Sei não de onde ela surgiu, a não ser que de vez em quando essas coisas voltam.
Não liguei o computador, mas procurei no meu novo celular high tech um vídeo dela no youtube e achei com a Mercedes Sosa e entrei numa viagem, daí para Gracias a la vida e a Alfonsina. Chega encontrei uma versão da primeira com a Joan Baez, o que tem toda uma simbologia que não vem agora ao caso, mas o fato é que prefiro com a Violeta. Ou com a Mecedes. E eu muito não sabia que a tal Alfonsina foi uma poetisa que de fato se lançou ao mar e lá se quedou.
Não sei, as duas, ou as três, me trazem essa sensação de pertencimento que é tão engraçada, tão recorrente e de que falo tanto, da idéia de América e de Sul, de alguma coisa que é nossa, mesmo sem que saibamos o que ou quem é nós, mas que nos pertence e a mais ninguém. Porque infelizmente eu ainda estou nesse estágio em que preciso ser melhor do que os outros, mas acho que apesar disso, é nosso e de ninguém mais. Eles lá, ou aqui, ou aí, tem outras coisas, talvez melhores coisas, talvez coisas que nos despertam inveja e vontade de ganhar e que derrubem aqui e ali nossa auto-estima, mas dentre tudo que eles tem ou não, que eles são ou não, não são América e nem Sul. E é engraçado, porque eu muito não conheço a América. Vi um pedacinho minúsculo, quase nada, como sei também quase nada do Brasil. Nem à Argentina ainda não consegui ir. Mas quando as pessoas me perguntam se sou latino-americana, não concebo outra resposta que não um sonoro "sim".
Não era isso, afinal, que eu pensava à noite e sobre o que queria escrever, mas é isso que penso sempre, que está já incorporado em mim. Tenho visto e refletido muito sobre essa questão do ufanismo, por tantas e tantas razões, e o fato é que se me quiserem acusar de ufanista, creio ser obrigada a aceitar, apesar de não pensar em mim dessa maneira. Nem sou patriota a ponto de pensar que venho do melhor lugar do mundo, nem ao contrário, de afirmar o tempo todo como "lá fora" tudo é melhor do que no Brasil; é só que gosto tanto dessa idéia de pertencer a um lugar, não por ser melhor ou pior, mas simplesmente por vir dali, estarem ali minhas memórias e referências, por serem aquelas as cores com que me acostumei a ver o mundo e a gente sabe, ou eu sei, que as cores mudam de acordo com o lugar em que você está. São os sons que minha língua aprendeu a produzir, a música que sai da minha boca quando falo, que pode fazer um menininho de casaco laranja se contorcer na mesa ao lado para ouvir. Não amo-o ou deixo-o, não salve nada, só e simplesmente pertencer a um lugar - e um lugar que são tantos, que podem se expandir até formar um "Brasil" que desconheço ou uma "América" que adoro.
Muito não sei, mas tanto gosto de fingir que sim - e bem pode ser que esse fingimento se prove mais real do que muitas verdades alardeadas aos quatro ventos.
Aqui com Mercedes Sosa e Milton Nascimento. Gosto da levada mais melancólica.
Sei não de onde ela surgiu, a não ser que de vez em quando essas coisas voltam.
Não liguei o computador, mas procurei no meu novo celular high tech um vídeo dela no youtube e achei com a Mercedes Sosa e entrei numa viagem, daí para Gracias a la vida e a Alfonsina. Chega encontrei uma versão da primeira com a Joan Baez, o que tem toda uma simbologia que não vem agora ao caso, mas o fato é que prefiro com a Violeta. Ou com a Mecedes. E eu muito não sabia que a tal Alfonsina foi uma poetisa que de fato se lançou ao mar e lá se quedou.
Não sei, as duas, ou as três, me trazem essa sensação de pertencimento que é tão engraçada, tão recorrente e de que falo tanto, da idéia de América e de Sul, de alguma coisa que é nossa, mesmo sem que saibamos o que ou quem é nós, mas que nos pertence e a mais ninguém. Porque infelizmente eu ainda estou nesse estágio em que preciso ser melhor do que os outros, mas acho que apesar disso, é nosso e de ninguém mais. Eles lá, ou aqui, ou aí, tem outras coisas, talvez melhores coisas, talvez coisas que nos despertam inveja e vontade de ganhar e que derrubem aqui e ali nossa auto-estima, mas dentre tudo que eles tem ou não, que eles são ou não, não são América e nem Sul. E é engraçado, porque eu muito não conheço a América. Vi um pedacinho minúsculo, quase nada, como sei também quase nada do Brasil. Nem à Argentina ainda não consegui ir. Mas quando as pessoas me perguntam se sou latino-americana, não concebo outra resposta que não um sonoro "sim".
Não era isso, afinal, que eu pensava à noite e sobre o que queria escrever, mas é isso que penso sempre, que está já incorporado em mim. Tenho visto e refletido muito sobre essa questão do ufanismo, por tantas e tantas razões, e o fato é que se me quiserem acusar de ufanista, creio ser obrigada a aceitar, apesar de não pensar em mim dessa maneira. Nem sou patriota a ponto de pensar que venho do melhor lugar do mundo, nem ao contrário, de afirmar o tempo todo como "lá fora" tudo é melhor do que no Brasil; é só que gosto tanto dessa idéia de pertencer a um lugar, não por ser melhor ou pior, mas simplesmente por vir dali, estarem ali minhas memórias e referências, por serem aquelas as cores com que me acostumei a ver o mundo e a gente sabe, ou eu sei, que as cores mudam de acordo com o lugar em que você está. São os sons que minha língua aprendeu a produzir, a música que sai da minha boca quando falo, que pode fazer um menininho de casaco laranja se contorcer na mesa ao lado para ouvir. Não amo-o ou deixo-o, não salve nada, só e simplesmente pertencer a um lugar - e um lugar que são tantos, que podem se expandir até formar um "Brasil" que desconheço ou uma "América" que adoro.
Muito não sei, mas tanto gosto de fingir que sim - e bem pode ser que esse fingimento se prove mais real do que muitas verdades alardeadas aos quatro ventos.
Aqui com Mercedes Sosa e Milton Nascimento. Gosto da levada mais melancólica.
Cuento Chino
Aconteceu outra vez, na noite passada, de eu estar pensando em alguma coisa legal e importante para dizer, depois de um longo tempo, algo que valia a pena, mas, cansada, não quis ligar o computador, despertar totalmente na noite que já ia avançada, e pensei em dizer depois, mas quantas vezes nessa vida a gente precisa aprender que depois não existe?
Depois é igual a nunca. Sempre só agora, nada mais.
As coisas por aqui andam iguais, apesar das diferenças. Eu continuo a ser eu, o que quer que isso signifique, independente de endereço ou de qualquer outra coisa. Deveria estar estudando e trabalhando muito mais do que estou, mas isso é praxe.
O fato é que andava ontem na universidade e comecei a ouvir uma campainha bastante chata; hipocondríaca que sou comecei a pensar que estava seriamente doente e era a única a ouvi-la, visto ninguém ao meu redor parecer incomodado com o barulho irritante. Imediatamente depois, após confirmar que não tinha problema algum e outras pessoas podiam ouvi-la, comecei a cogitar a possibilidade de ser, sei lá, um alarme de aproximação de um tornado ou alguma coisa assim. Sempre me lembro de um programa que vi no GNT há muitos anos, em que os caras estudavam diversos comportamentos humanos e um episódio em específico me marcou muito. Colocaram uma pessoa qualquer junto de um bando de atores numa sala, pra fazer um teste ou sei lá, e aí começaram a tocar fumaça pra dentro da sala, pelas frestas das portas e a observar a reação da pessoa. Os atores ficavam impassíveis, enquanto o pobre do inocente se mostrava nervoso, percebendo que algo ia errado, mas ao olhar a seu redor e perceber que o grupo permanecia calmo, a maioria das pessoas meio que não fazia nada. O lance é que, se fosse uma situação real, o tempo que elas demoraram para fazer alguma coisa teria sido suficiente para elas se encrencarem grandão. Só uns poucos - obviamente não me lembro das estatísticas - viam a fumaça, olhavam ao redor, diziam "galera, essa joça tá queimando" e, mesmo os panacas dos atores continuando sem fazer nada, levantavam e saíam. O x da questão é que somos animais sociais e balizamos muito dos nossos comportamento pelos do grupo.
Pois estava eu no meio dessa reflexão toda, sirene tocando, galera ao redor com cara de tacho, até entrar no prédio da biblioteca e uma mulher dizer "vocês ouviram o alerta de tornado?!'.
Queixo caído e tudo o mais a que tenho direito. Visualização de manchete de jornal anunciando que fui levada por ventos avassaladores, enquanto pensava no documentário do GNT, de vacas passando voando ao meu redor e etc.
No fim das contas, era mesmo um alarme falso - ou acho que as pessoas prefeririam chamar de excesso de precaução. Alguma chance mínima de rolar um tornado numa área relativamente próxima, então bora ficar atento pra evitar desgraça maior.
Mas é verdade é que ventou como os diabos, chega choveu um pouco, mas não o suficiente para matar minha saudade das tempestades tropicais.
Não chega a ser exatamente o conto chinês, mas ainda assim.
Depois é igual a nunca. Sempre só agora, nada mais.
As coisas por aqui andam iguais, apesar das diferenças. Eu continuo a ser eu, o que quer que isso signifique, independente de endereço ou de qualquer outra coisa. Deveria estar estudando e trabalhando muito mais do que estou, mas isso é praxe.
O fato é que andava ontem na universidade e comecei a ouvir uma campainha bastante chata; hipocondríaca que sou comecei a pensar que estava seriamente doente e era a única a ouvi-la, visto ninguém ao meu redor parecer incomodado com o barulho irritante. Imediatamente depois, após confirmar que não tinha problema algum e outras pessoas podiam ouvi-la, comecei a cogitar a possibilidade de ser, sei lá, um alarme de aproximação de um tornado ou alguma coisa assim. Sempre me lembro de um programa que vi no GNT há muitos anos, em que os caras estudavam diversos comportamentos humanos e um episódio em específico me marcou muito. Colocaram uma pessoa qualquer junto de um bando de atores numa sala, pra fazer um teste ou sei lá, e aí começaram a tocar fumaça pra dentro da sala, pelas frestas das portas e a observar a reação da pessoa. Os atores ficavam impassíveis, enquanto o pobre do inocente se mostrava nervoso, percebendo que algo ia errado, mas ao olhar a seu redor e perceber que o grupo permanecia calmo, a maioria das pessoas meio que não fazia nada. O lance é que, se fosse uma situação real, o tempo que elas demoraram para fazer alguma coisa teria sido suficiente para elas se encrencarem grandão. Só uns poucos - obviamente não me lembro das estatísticas - viam a fumaça, olhavam ao redor, diziam "galera, essa joça tá queimando" e, mesmo os panacas dos atores continuando sem fazer nada, levantavam e saíam. O x da questão é que somos animais sociais e balizamos muito dos nossos comportamento pelos do grupo.
Pois estava eu no meio dessa reflexão toda, sirene tocando, galera ao redor com cara de tacho, até entrar no prédio da biblioteca e uma mulher dizer "vocês ouviram o alerta de tornado?!'.
Queixo caído e tudo o mais a que tenho direito. Visualização de manchete de jornal anunciando que fui levada por ventos avassaladores, enquanto pensava no documentário do GNT, de vacas passando voando ao meu redor e etc.
No fim das contas, era mesmo um alarme falso - ou acho que as pessoas prefeririam chamar de excesso de precaução. Alguma chance mínima de rolar um tornado numa área relativamente próxima, então bora ficar atento pra evitar desgraça maior.
Mas é verdade é que ventou como os diabos, chega choveu um pouco, mas não o suficiente para matar minha saudade das tempestades tropicais.
Não chega a ser exatamente o conto chinês, mas ainda assim.
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