Muito convencida estou de que costuraram meu nome na boca do sapo.
Não sem razão - apesar de não ter cometido crime algum, nem cretinice exagerada, poderia ter feito uma ou duas coisas diferentes. Mas fazer diferente nem sempre é possível, muitas vezes é mesmo difícil e a gente vai-se embora com o fácil e acumula assim toneladas de karma para depois poder se ferrar grandão.
Mas também, agir diferente... nesse mundo em que tudo é tão interconectado, nossas ações estão ligadas às ações de segundos, e terceiros, e quartos, e aí tudo degringola, porque os segundos e terceiros vão fazendo a coisa se enrolar e a gente termina que nem rabo de porco.
Mas é isso a vida, diz meu mesmo amigo recifense: a vida é manga, um dia mango eu, outro dia manga você.
Eita, que às vezes eu acho que o que me falta no mundo é o sotaque.
Páginas
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Nosso crime não compensa...
Pois é, Cazuza. "Já que eu não posso te levar, quero que você me leve".
Gênio.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Raimundo
"Nora lembrou-se do hotel em Belgrano, da primeira noite com Lúcio, porém não era lembrar, mas esquecer um pouco menos".
Cortázar, "Os prêmios".
Ali, nas primeiras páginas. Não sei ainda como me sinto a respeito, talvez seja um novo "Jogo da Amarelinha", de que eu não sabia se gostava ou não mas ainda assim ficou. Mas gosto demais dessa idéia. Lembrar-se, porém não ser lembrar, mas esquecer um pouco menos.
Como pode a gente só esquecer um pouco menos?
Minha fama de esquecida já se espalha rapidamente por aqui, conversas que eu tive que não me marcaram e eu apaguei, coisas que eu disse que não me marcaram que já apaguei, mas o mais assustador é uma sensação de estranhamento comigo, como se eu estivesse esquecendo quem sou.
Então ando pelas ruas, sinto a primavera que se aproxima, e penso "lembra quem você é!".
O único problema é que a gente nunca sabe direito quem é. Talvez desconfie vagamente de quem foi, ou quem poderia ser, mas saber e no presente é outra história.
A gente tenta, mas vem a vida e de repente estamos no redemoinho, sem tempo para pensar e saber, o corpo se movimentando algo automaticamente, os olhos focados em frente sem observar o que nos rodeia, nós mesmos olhando para dentro sem ver. E vem a vida, vem e passa, e as horas e os dias e vivê-la consome tanto, desgasta tanto, que parece não sobrar tempo para saber quem somos.
Não gosto muito disso, acho, mas sigamos em frente e tentando, esperando desvendar os sinais deixados pelos caminhos e chegar, algum dia, a uma conclusão.
"Mundo, mundo, vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo... seria uma rima, não seria uma solução." Drummond?
Haverá em algum lugar solução?
Cortázar, "Os prêmios".
Ali, nas primeiras páginas. Não sei ainda como me sinto a respeito, talvez seja um novo "Jogo da Amarelinha", de que eu não sabia se gostava ou não mas ainda assim ficou. Mas gosto demais dessa idéia. Lembrar-se, porém não ser lembrar, mas esquecer um pouco menos.
Como pode a gente só esquecer um pouco menos?
Minha fama de esquecida já se espalha rapidamente por aqui, conversas que eu tive que não me marcaram e eu apaguei, coisas que eu disse que não me marcaram que já apaguei, mas o mais assustador é uma sensação de estranhamento comigo, como se eu estivesse esquecendo quem sou.
Então ando pelas ruas, sinto a primavera que se aproxima, e penso "lembra quem você é!".
O único problema é que a gente nunca sabe direito quem é. Talvez desconfie vagamente de quem foi, ou quem poderia ser, mas saber e no presente é outra história.
A gente tenta, mas vem a vida e de repente estamos no redemoinho, sem tempo para pensar e saber, o corpo se movimentando algo automaticamente, os olhos focados em frente sem observar o que nos rodeia, nós mesmos olhando para dentro sem ver. E vem a vida, vem e passa, e as horas e os dias e vivê-la consome tanto, desgasta tanto, que parece não sobrar tempo para saber quem somos.
Não gosto muito disso, acho, mas sigamos em frente e tentando, esperando desvendar os sinais deixados pelos caminhos e chegar, algum dia, a uma conclusão.
"Mundo, mundo, vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo... seria uma rima, não seria uma solução." Drummond?
Haverá em algum lugar solução?
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Parabéns, Franny Glass!
Estou em crise e não sei dizer há quanto tempo eu não entrava em crise. Nem ao menos sei se em algum momento já tive uma crise dessas proporções e tendo a achar que não.
Claro que pimenta nos olhos dos outros não arde, então quaisquer crises que eu porventura tenha tido no passado, sendo eu outra, não se compara.
Há já algumas horas que ela dura, com intensidades diferentes mas persistentemente e eu como me desespero por não saber o que fazer agora. Há tanto e tanto tempo eu não sei bem o que é desespero, chega me acostumei com a ausência.
Mas não sei, alguma coisa nessa noite disparou o gatilho, que talvez esteja há meses se armando, talvez mesmo a vida toda e tudo até esse momento, conspirando para uma crise que chega meio sem motivo, sem grandes tristezas, sem grandes dramas, sem grandes desesperos. Só que, sendo tudo isso verdade, também não é, porque as coisas... ok, talvez não todas as coisas, mas essas coisas não acontecem ao acaso. Acontecem por um motivo, ou dois, ou vários, e eu consigo até identificar alguns que me tenham trazido até aqui, mas nenhum me parece suficiente para explicar o tamanho da dor. Não sei dor de quê, exatamente, mas eu nessa noite de domingo dôo como há anos não doía. Talvez jamais, desde que saturno esteve exatamente aqui.
Mas tudo, o ano passado com suas dificuldades e pesos, e a morte, essa... não sei dizer, não mesmo. E o fato de estar aqui e não estar em tantos outros lugares, e estar com algumas pessoas e outras não, talvez tudo fosse diferente se, mas provavelmente não seria, porque eu continuo sendo inexoravelmente eu e não há cenário no mundo que mude isso.
Mas eu, em crise, e ninguém mesmo se importa, tampouco eu, mas o mundo hoje se divide entre as pessoas que estão aqui e as que não estão. Ninguém perde nada com isso e também não ganha, mas o fato, hoje, é esse. Sim e não e o "não" tem uma força algo gigantesca, afirmando com sua voz gutural que estamos todos tanto e tão sós, apenas sós e nada mais do que sós e eu meio que quero que permaneça assim. Sem ilusões de qualquer tipo, a verdade nua e crua e nada mais resta, a não ser meu amor pelo sangue, Diadorim e o diamante louco.
Começa assim o novo ciclo e quem saberá como termina?
Eu, em crise, não quero nada, nem que passe. Fica, crise, e vamos ver aonde isso tudo nos leva, sabendo que temos chão à nossa frente.
Claro que pimenta nos olhos dos outros não arde, então quaisquer crises que eu porventura tenha tido no passado, sendo eu outra, não se compara.
Há já algumas horas que ela dura, com intensidades diferentes mas persistentemente e eu como me desespero por não saber o que fazer agora. Há tanto e tanto tempo eu não sei bem o que é desespero, chega me acostumei com a ausência.
Mas não sei, alguma coisa nessa noite disparou o gatilho, que talvez esteja há meses se armando, talvez mesmo a vida toda e tudo até esse momento, conspirando para uma crise que chega meio sem motivo, sem grandes tristezas, sem grandes dramas, sem grandes desesperos. Só que, sendo tudo isso verdade, também não é, porque as coisas... ok, talvez não todas as coisas, mas essas coisas não acontecem ao acaso. Acontecem por um motivo, ou dois, ou vários, e eu consigo até identificar alguns que me tenham trazido até aqui, mas nenhum me parece suficiente para explicar o tamanho da dor. Não sei dor de quê, exatamente, mas eu nessa noite de domingo dôo como há anos não doía. Talvez jamais, desde que saturno esteve exatamente aqui.
Mas tudo, o ano passado com suas dificuldades e pesos, e a morte, essa... não sei dizer, não mesmo. E o fato de estar aqui e não estar em tantos outros lugares, e estar com algumas pessoas e outras não, talvez tudo fosse diferente se, mas provavelmente não seria, porque eu continuo sendo inexoravelmente eu e não há cenário no mundo que mude isso.
Mas eu, em crise, e ninguém mesmo se importa, tampouco eu, mas o mundo hoje se divide entre as pessoas que estão aqui e as que não estão. Ninguém perde nada com isso e também não ganha, mas o fato, hoje, é esse. Sim e não e o "não" tem uma força algo gigantesca, afirmando com sua voz gutural que estamos todos tanto e tão sós, apenas sós e nada mais do que sós e eu meio que quero que permaneça assim. Sem ilusões de qualquer tipo, a verdade nua e crua e nada mais resta, a não ser meu amor pelo sangue, Diadorim e o diamante louco.
Começa assim o novo ciclo e quem saberá como termina?
Eu, em crise, não quero nada, nem que passe. Fica, crise, e vamos ver aonde isso tudo nos leva, sabendo que temos chão à nossa frente.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Saturno
No fim-de-semana passado, eu fui entrevistada. Nada que vá aparecer um dia num programa de televisão, só uma conversa com uma pessoa que me fazia perguntas específicas - material para um trabalho para ela; disposição de conversar para mim. Além do fato de eu poder simplesmente falar sobre mim mesma durante uma hora sem me sentir egoísta ou egocêntrica, só exercendo meu egocentrismo de maneira velada, enquanto empolgadamente respondia às perguntas.
Hoje, acho que pela terceira vez nas últimas semanas, me deram parabéns adiantado pelo meu aniversário. Tenho tido de mostrar minha identidade bastante por aí. E as pessoas de fato olham, fazem as contas, vêem que está chegando e dizem "feliz aniversário adiantado". Eu agradeço e conto para todo mundo, para as outras pessoas que não precisam ver minha identidade, que meu aniversário vem aí.
Essa noite, fui ler meu horóscopo, porque leio mesmo quando ele chega no meu e-mail, e fiz uma dessas mini-previsões da revolução solar. Sou mão-de-vaca e não vou pagar quarenta reals num mapa desse, mas fiz ali a prévia gratuita. E não dá pra entender nada, como não dá para entender nada da versão completa e nem da vida, afinal de contas, que é tanto uma viagem sem mapa. E sem destino? Só fim a gente sabe que tem, inevitável e talvez terrível.
Pois eu senti, como venho sentido, essa vontade enorme de ouvir falar sobre mim. Ler sobre mim, falar sobre mim e de repente isso vem acontecendo há vinte e tantos anos, ou de repente está mais exacerbado agora.
Nunca fui muito de ligar para aniversário, nem de ficar chateada por esquecerem, mas acho que fui construindo na minha cabeça que esse era diferente, pelo próprio número e o retorno de saturno e ser o último dos vinte, e primo, e fui achando que ele é mais importante do que os outros. Mas essa noite, lendo ali o horóscopo, comecei a perceber que daqui a pouco ele vai chegar, passar, o mundo vai continuar a girar e eu vou ter de encontrar outra coisa para esperar. Ou ansiar. Ou me preocupar.
Mas eu realmente não queria que passasse em branco. Queria que alguma coisa acontecesse, que alguma resposta chegasse, que a luz se fizesse, que eu entendesse e o mundo amanhecesse outro na segunda-feira de carnaval. Que eu me transformasse em outra, ainda permanecendo a mesma. Tenho tanto percebido como estou chegando àquele lugar em que não quero ser ninguém mais além de mim, em que posso ser feliz sendo quem sou e só, mas isso não me impede de querer ser eu de todas as maneiras e em todas as versões possíveis.
Não sei, meu velho amigo, mas não queria que passasse em branco. Sei que depende apenas de mim jogar as cores, mas só agora comecei a pensar em como fazê-lo e talvez seja meio tarde. Talvez dê apenas tempo de mudar o resto da minha vida, depois de domingo e para sempre.
Mudar o quê, não sei exatamente, mas tenho a impressão de que é preciso, antes de seguir adiante, lembrar.
E perguntar, abismado: como pode a gente esquecer?
Hoje, acho que pela terceira vez nas últimas semanas, me deram parabéns adiantado pelo meu aniversário. Tenho tido de mostrar minha identidade bastante por aí. E as pessoas de fato olham, fazem as contas, vêem que está chegando e dizem "feliz aniversário adiantado". Eu agradeço e conto para todo mundo, para as outras pessoas que não precisam ver minha identidade, que meu aniversário vem aí.
Essa noite, fui ler meu horóscopo, porque leio mesmo quando ele chega no meu e-mail, e fiz uma dessas mini-previsões da revolução solar. Sou mão-de-vaca e não vou pagar quarenta reals num mapa desse, mas fiz ali a prévia gratuita. E não dá pra entender nada, como não dá para entender nada da versão completa e nem da vida, afinal de contas, que é tanto uma viagem sem mapa. E sem destino? Só fim a gente sabe que tem, inevitável e talvez terrível.
Pois eu senti, como venho sentido, essa vontade enorme de ouvir falar sobre mim. Ler sobre mim, falar sobre mim e de repente isso vem acontecendo há vinte e tantos anos, ou de repente está mais exacerbado agora.
Nunca fui muito de ligar para aniversário, nem de ficar chateada por esquecerem, mas acho que fui construindo na minha cabeça que esse era diferente, pelo próprio número e o retorno de saturno e ser o último dos vinte, e primo, e fui achando que ele é mais importante do que os outros. Mas essa noite, lendo ali o horóscopo, comecei a perceber que daqui a pouco ele vai chegar, passar, o mundo vai continuar a girar e eu vou ter de encontrar outra coisa para esperar. Ou ansiar. Ou me preocupar.
Mas eu realmente não queria que passasse em branco. Queria que alguma coisa acontecesse, que alguma resposta chegasse, que a luz se fizesse, que eu entendesse e o mundo amanhecesse outro na segunda-feira de carnaval. Que eu me transformasse em outra, ainda permanecendo a mesma. Tenho tanto percebido como estou chegando àquele lugar em que não quero ser ninguém mais além de mim, em que posso ser feliz sendo quem sou e só, mas isso não me impede de querer ser eu de todas as maneiras e em todas as versões possíveis.
Não sei, meu velho amigo, mas não queria que passasse em branco. Sei que depende apenas de mim jogar as cores, mas só agora comecei a pensar em como fazê-lo e talvez seja meio tarde. Talvez dê apenas tempo de mudar o resto da minha vida, depois de domingo e para sempre.
Mudar o quê, não sei exatamente, mas tenho a impressão de que é preciso, antes de seguir adiante, lembrar.
E perguntar, abismado: como pode a gente esquecer?
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Morgou, visse?
Aqui na caretolândia tudo é, além de muito careta, muito complicado.
Pode parecer fácil, já que não é um mundo totalmente desconhecido, mas as pessoas se movem e se comportam informadas por códigos desconhecidos e que, portanto, não entendo.
E estou mesmo tentando entender. Só que não dá.
A verdade é que o mais fácil é a gente viver na bolha, do nosso lugar ou de nós mesmos. Às vezes parece até melhor; então deveríamos ficar sentados em casa assistindo ao jogo de futebol do sofá da sala no domingo à tarde. Mas não, a gente quer ser aventureiro e "viajar" e pronto. Quer "conhecer lugares novos" e, mais importante, se conhecer em lugares novos, mas ao fim e ao cabo a gente passa essa vida toda tentando e não conhece nada, não. Nem sabe, nem descobre.
O fato é que a caretolândia é careta pra caralho. E olha que eu não sou a pessoa mais doida que já andou por essa terra. Até me considero normalmente bastante quadrada, mas estou descobrindo o quão redonda eu sou.
Mas vamos lá, viver a vida e nos meter em enrascadas, não hipotéticas mas com nome e sobrenome e esperar depois poder rir disso tudo. Exceto que ontem fui jantar com os amigos e entre eles há um recifense, ou melhor, dois - porque sempre há de haver Recife na minha vida! -, ambos muito legais e engraçados, e um deles, o primeiro, me solta um: "j., morgô, visse? Beijo" e eu ri tanto que tanto que não quero esquecer o "morgô, visse?" nunca mais.
Porque às vezes a vida é simples assim, simplesmente foi lá e morgou.
Visse?
Pode parecer fácil, já que não é um mundo totalmente desconhecido, mas as pessoas se movem e se comportam informadas por códigos desconhecidos e que, portanto, não entendo.
E estou mesmo tentando entender. Só que não dá.
A verdade é que o mais fácil é a gente viver na bolha, do nosso lugar ou de nós mesmos. Às vezes parece até melhor; então deveríamos ficar sentados em casa assistindo ao jogo de futebol do sofá da sala no domingo à tarde. Mas não, a gente quer ser aventureiro e "viajar" e pronto. Quer "conhecer lugares novos" e, mais importante, se conhecer em lugares novos, mas ao fim e ao cabo a gente passa essa vida toda tentando e não conhece nada, não. Nem sabe, nem descobre.
O fato é que a caretolândia é careta pra caralho. E olha que eu não sou a pessoa mais doida que já andou por essa terra. Até me considero normalmente bastante quadrada, mas estou descobrindo o quão redonda eu sou.
Mas vamos lá, viver a vida e nos meter em enrascadas, não hipotéticas mas com nome e sobrenome e esperar depois poder rir disso tudo. Exceto que ontem fui jantar com os amigos e entre eles há um recifense, ou melhor, dois - porque sempre há de haver Recife na minha vida! -, ambos muito legais e engraçados, e um deles, o primeiro, me solta um: "j., morgô, visse? Beijo" e eu ri tanto que tanto que não quero esquecer o "morgô, visse?" nunca mais.
Porque às vezes a vida é simples assim, simplesmente foi lá e morgou.
Visse?
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
On drugs
São poucos os momentos dessa vida em que eu me arrependo, ainda que levemente, de não estar nas redes do momento, tipo facebook e twitter. Normalmente estou plenamente convencida de que não sinto a menor vontade de estar, todo esse lance de fazer propaganda da própria vida e depois ficar perseguindo pessoas aleatoriamente me cansa sobremaneira. E, sei lá, quem se importa? Para me expressar virtualmente já tenho essa birosca, que já não vende muito bem; quem nessa porra de mundo tá minimamente interessado no que eu possa escrever no twitter? Nem falta de auto-estima, consciência mesmo da minha mediocridade na mais pura acepção da palavra. Galera às vezes alega que o povo se expõe demais, mas eu acho que tem trocentos zenzilhões de pessoas se expondo tanto ou quanto, se um louco encanar com você pela internet, sei lá, você foi lá e deu azar. O mesmo pode acontecer na rua, a qualquer momento, porque o fato é que nessa vida não existe segurança alguma e vamos todos morrer mesmo.
E morrendo ou vivendo, não quero fazer vitrine, não sinto o menor desejo de participar da ilusão de uma proximidade que não existe, brincar de ser casual, quero é vontade e intenção e esforço. Às vezes é difícil, eu sei, mas né?, essa porcaria aqui não foi feita pra facilitar a vida de ninguém. E de repente há um pote de ouro no fim do arco-íris, ou uma luz no fim do túnel, ou só mesmo uma cachoeira gelada esperando no fim da estrada, mas você só vai apreciar se gastar a energia para chegar lá.
Eu tava com um manifesto anti-facebook todinho na cabeça, acho que desde o ano passado, mas fui esperando e ele se perdeu. Tenho noção de quanto eu perco com minha recusa, mas estou mesmo disposta a pagar pra ver.
Só que tem momentos, como esse, em que posso estar simplesmente cansada e surtada e no pico do chocolate para me manter acordada, mas bem agora eu penso que tenho algo a compartilhar com o mundo que é importante, enquanto simultaneamente me dou conta que ninguém no mundo vai rir como eu ri agora, porque a verdade final e absoluta é que não importa.
Eu tenho, porém, esse espaço e venho relatar que estou eu aqui, mergulhada para variar no século XIX, tentando desvendar a letra de um puto de um escrivão, quando o cara vai registrar a qualificação de um escravo que matou a mulher, e começa a dizer que o cara é "natural de Portugal, digo, do Rio Grande do Norte". Meu, essa pessoa tá muito on drugs. Aí, ok, não tem a menor graça, mas eu começo a imaginar a cena, o pessoal numa salinha meio suja, de parede caiada se tanto, um bando de gente e a porra do Juiz, e o curador, e o diabo do escravo que matou a mulher começando a contar como e por quê e de onde tirou essa idéia genial, e o doido do escrivão no mundo da lua, pensando na morte da bezerra, completamente surtado e fora da caixinha, por que da onde uma pessoa confunde Portugal e Rio Grande do Norte? Pra um escravo?
Tanta coisa nessa vida que a gente vive e morre sem saber e sonha ter a chance de um dia encontrar um deus inexistente e perguntar, ou encontrar a pessoa em questão e perguntar, tantos "por que você fez isso comigo?", "por que você não fez isso comigo?", as dúvidas mais angustiantes e desesperadas, talvez mesmo cruciais, exceto que nada é, mas juro mesmo que se eu tivesse a chance de fazer uma pergunta, provavelmente amanhã me arrependeria, mas essa noite seria: "amigo, onde diabos você tava com a cabeça?"
PS: Gente, o rapaz tava bem não. Duas linhas depois, ele pergunta "qual sua profissão? respondeu chamar-se, digo, respondeu ser trabalhador de roça"!
E morrendo ou vivendo, não quero fazer vitrine, não sinto o menor desejo de participar da ilusão de uma proximidade que não existe, brincar de ser casual, quero é vontade e intenção e esforço. Às vezes é difícil, eu sei, mas né?, essa porcaria aqui não foi feita pra facilitar a vida de ninguém. E de repente há um pote de ouro no fim do arco-íris, ou uma luz no fim do túnel, ou só mesmo uma cachoeira gelada esperando no fim da estrada, mas você só vai apreciar se gastar a energia para chegar lá.
Eu tava com um manifesto anti-facebook todinho na cabeça, acho que desde o ano passado, mas fui esperando e ele se perdeu. Tenho noção de quanto eu perco com minha recusa, mas estou mesmo disposta a pagar pra ver.
Só que tem momentos, como esse, em que posso estar simplesmente cansada e surtada e no pico do chocolate para me manter acordada, mas bem agora eu penso que tenho algo a compartilhar com o mundo que é importante, enquanto simultaneamente me dou conta que ninguém no mundo vai rir como eu ri agora, porque a verdade final e absoluta é que não importa.
Eu tenho, porém, esse espaço e venho relatar que estou eu aqui, mergulhada para variar no século XIX, tentando desvendar a letra de um puto de um escrivão, quando o cara vai registrar a qualificação de um escravo que matou a mulher, e começa a dizer que o cara é "natural de Portugal, digo, do Rio Grande do Norte". Meu, essa pessoa tá muito on drugs. Aí, ok, não tem a menor graça, mas eu começo a imaginar a cena, o pessoal numa salinha meio suja, de parede caiada se tanto, um bando de gente e a porra do Juiz, e o curador, e o diabo do escravo que matou a mulher começando a contar como e por quê e de onde tirou essa idéia genial, e o doido do escrivão no mundo da lua, pensando na morte da bezerra, completamente surtado e fora da caixinha, por que da onde uma pessoa confunde Portugal e Rio Grande do Norte? Pra um escravo?
Tanta coisa nessa vida que a gente vive e morre sem saber e sonha ter a chance de um dia encontrar um deus inexistente e perguntar, ou encontrar a pessoa em questão e perguntar, tantos "por que você fez isso comigo?", "por que você não fez isso comigo?", as dúvidas mais angustiantes e desesperadas, talvez mesmo cruciais, exceto que nada é, mas juro mesmo que se eu tivesse a chance de fazer uma pergunta, provavelmente amanhã me arrependeria, mas essa noite seria: "amigo, onde diabos você tava com a cabeça?"
PS: Gente, o rapaz tava bem não. Duas linhas depois, ele pergunta "qual sua profissão? respondeu chamar-se, digo, respondeu ser trabalhador de roça"!
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