E se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz, quem então agora eu seria?
Eita, manhã doída.
Não é uma merda quando as pessoas simplesmente não são como a gente gostaria que elas fossem?
Minha senhoria, por exemplo, é uma vaca. Com todo o respeito.
Eu preferia que ela fosse, digamos, uma égua, animal que me agrada mais.
Mas se ela é uma vaca, se a vida fez dela uma vaca e se, na vida, ela optou por ser vaca, o que se pode fazer, além de dar capim e tirar leite?
As coisas como elas são.
E eu sou como sou, também, e um número seguramente alto de pessoas já deve ter dito coisas piores sobre mim. Pensando sobre se e quanto isso me incomoda, não consigo responder; acho que não me importa. Eu, como sou, tenho essa característica da idiotia.
Sou mesmo uma perfeita idiota. Vivo no meu mundo e o impacto que as pessoas têm sobre ele é também absolutamente aleatório, umas vezes é maior do que deveria, em outros as pessoas só não existem.
E ao mesmo tempo, eu sinto algum prazer em não existir em mundos paralelos, ou, como agora, preferia não existir. A migalhas.
A manhã doeu, também, pelas migalhas. E, ainda, a destiempo.
Mas tudo bem, elas vêm e vão, que se juntem à grama que a senhoria vai comer.
A sorte é que aqui o tempo passa diferente. A manhã já acaba, e começa a tarde.
Há pouco eu dizia aqui que não sobra espaço para arrependimentos. Desdigo, enquanto reafirmo.
Se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz, quem então eu seria?
Tanto faz, que o que não foi não é,
E se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?
Se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição.
Acabou a putaria, Los Hermanos estão de volta, mais fortes do que nunca.
Páginas
sábado, 29 de novembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Marambaia
Um disco, LP, desses pequenos. Dentro de um livro, chamado "As casas que fugiram de casa" ou algum equivalente, três casas na capa, rosa, amarela e branca.
A história era da Casa Branca que estava muito triste, porque foi construída por um português, com azulejinhos e tal, e o dono foi embora e não voltava mais. Aí as amigas vão tentar consolá-la, mas ela fica chorando, tanto que o gato escorrega pelo telhado.
No fim das contas, pra satisfazer a Casa Branca, a Rosa e a Amarela fazem um pedido pra Iemanjá e elas se transformam casas-barco e atravessam o Atlântico.
Será que essa história tem alguma coisa a ver comigo? Incluindo as casas-barco? Eu adoraria viver em uma. Aliás, visitei uma essa semana e mesmo com a clautrofobia hipocondríaca, eu tentaria, de coração aberto.
Casinha na Marambaia.
Hoje acordei com essa música na cabeça e cantarolei algumas vezes, inclusive agorinha, quando fui escovar os dentes, até que lembrei que tenho a Bethânia e a Omara cantando. Não é o disquinho da minha infância, não tem a historinha, o livro, os desenhos, o gato, não tem no final o esquema ensinando a fazer umas casinhas de papel, com cortininha e tudo, que sempre foi meu sonho construir mas eu nunca nem tentei.
Isso de sonho não faz o menor sentido, né? Eu até ensaiei escrever um "quase nunca", ou um "às vezes", mas acho que é absoluto, mesmo. É sempre o inatingível. Talvez por isso eu nunca tenha tentado fazer as casinhas, porque não iam ficar iguais às do livro, de qualquer jeito. Do mesmo jeito que eu nunca vou comer um bolo de morango como os que a Magali comia no gibi.
Mas e aí, a gente não deveria fazer casinhas e comer bolos mesmo assim? Entender que não serão tão bons ou bonitos, mas acreditar que podem ser bons ou bonitos.
Eu não sei.
No entanto, não importa o que eu faça ou deixe de fazer, nunca vou dizer "lá na marambaia" como Bethânia ou Elis. Eu posso, apesar disso, ouvi-las agora, inclusive a Elis e a Casa Rosa, porque internet é isso.
A lua nasce por detrás da serra anunciando que acabou o dia.
Afinal a deprimida era a Rosa. Chega faz sentido, né?
A história era da Casa Branca que estava muito triste, porque foi construída por um português, com azulejinhos e tal, e o dono foi embora e não voltava mais. Aí as amigas vão tentar consolá-la, mas ela fica chorando, tanto que o gato escorrega pelo telhado.
No fim das contas, pra satisfazer a Casa Branca, a Rosa e a Amarela fazem um pedido pra Iemanjá e elas se transformam casas-barco e atravessam o Atlântico.
Será que essa história tem alguma coisa a ver comigo? Incluindo as casas-barco? Eu adoraria viver em uma. Aliás, visitei uma essa semana e mesmo com a clautrofobia hipocondríaca, eu tentaria, de coração aberto.
Casinha na Marambaia.
Hoje acordei com essa música na cabeça e cantarolei algumas vezes, inclusive agorinha, quando fui escovar os dentes, até que lembrei que tenho a Bethânia e a Omara cantando. Não é o disquinho da minha infância, não tem a historinha, o livro, os desenhos, o gato, não tem no final o esquema ensinando a fazer umas casinhas de papel, com cortininha e tudo, que sempre foi meu sonho construir mas eu nunca nem tentei.
Isso de sonho não faz o menor sentido, né? Eu até ensaiei escrever um "quase nunca", ou um "às vezes", mas acho que é absoluto, mesmo. É sempre o inatingível. Talvez por isso eu nunca tenha tentado fazer as casinhas, porque não iam ficar iguais às do livro, de qualquer jeito. Do mesmo jeito que eu nunca vou comer um bolo de morango como os que a Magali comia no gibi.
Mas e aí, a gente não deveria fazer casinhas e comer bolos mesmo assim? Entender que não serão tão bons ou bonitos, mas acreditar que podem ser bons ou bonitos.
Eu não sei.
No entanto, não importa o que eu faça ou deixe de fazer, nunca vou dizer "lá na marambaia" como Bethânia ou Elis. Eu posso, apesar disso, ouvi-las agora, inclusive a Elis e a Casa Rosa, porque internet é isso.
A lua nasce por detrás da serra anunciando que acabou o dia.
Afinal a deprimida era a Rosa. Chega faz sentido, né?
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Mudança
Sábado, eu tinha me prometido ir para Amsterdam, visitar o Museu Van Gogh e a Casa da Anne Frank. Foi o que, lendo o guia, me saltou aos olhos, e achei que era uma boa programação para um dia. Mas, pra variar, eu fiquei acordada até muito tarde na sexta e não consegui me levantar tão cedo quanto precisava.
Decidi então não ir, deixar para domingo, e encontrar uns amigos para passear aqui em Leiden, mesmo. E enquanto eu me arrumava, vencendo a preguiça de dormir mais meia hora com a expectativa de ver umas lojas de casacos no caminho, aquela música da Vanessa da Mata que eu postei há pouco tempo me veio à mente, semanas depois, e aqui eu tive que baixar - porque quando eu estava em casa isso não era necessário, já que eu a ouvia no rádio umas três vezes por dia. Baixei, fiquei meio assim, acabei de me arrumar, saí e o dia foi super bacana. Comi arroz, no jantar, e tal. Voltei cedo pra casa, pra tentar de novo dormir logo e acordar na hora.
Aí deu certo, passei o dia ontem em Amsterdam, surpreendentemente consegui fazer as duas coisas que eu tinha programado, e ainda tirar umas fotos nevadas. Sim, agora era neve de verdade, não granizo como o Bruno, meu amigo, ficou me dizendo o sábado todo.
Hoje acordei mais tarde e enrolei praticamente o dia todo, saí pra almoçar, gastei uma nota no supermercado, estava lendo longe do computador e resolvi logo fichar o artigo, vim desligar o computador, mas antes fui ver e-mail e fui pega pelo redemoinho. Horas se passaram, e eu aqui, mas eu já me prometi que hoje ainda leio uns dois artigos, pra compensar. Não que eu cumpra a minha palavra, quando ela é empenhada comigo mesma, mas é assim,a vida. Nada além de uma ilusão, como cantaria meu pai.
Mas a questão é que a música que ficou na minha cabeça hoje o dia inteirinho, que eu até assoviei quando sabia que não tinha mais ninguém em casa - eu não sei assoviar, ao menos não no ritmo nem... afinadamente - é Wind of Change, Scorpions.
Também fui ver uns acupunturistas chineses aqui da esquina de casa, e não posso deixar de me perguntar se isso tudo são sinais.
Ah, e eu experimentei, finalmente, o tal kroketten, daqui, na hora do almoço. Porque até hoje eu não achei um lugar pra comer um bife, frango grelhado ou peixe à milanesa, com arroz ou purê de batata, é sempre ovo com pão, ou sei lá o quê. E, afinal, o kroketten é bom pra caramba.
Mas nessa se foi mais uma fortuna e um dia que se acaba - porque depois das 17 horas já é noite de verdade - comigo muito mais pobre do que planejei, mas com o paladar satisfeito - porque a barriga já esvaziou faz tempo - e o assovio encoberto pelo volume, consideravelmente alto, de uma voz que diz ouvir o vento da mudança.
Decidi então não ir, deixar para domingo, e encontrar uns amigos para passear aqui em Leiden, mesmo. E enquanto eu me arrumava, vencendo a preguiça de dormir mais meia hora com a expectativa de ver umas lojas de casacos no caminho, aquela música da Vanessa da Mata que eu postei há pouco tempo me veio à mente, semanas depois, e aqui eu tive que baixar - porque quando eu estava em casa isso não era necessário, já que eu a ouvia no rádio umas três vezes por dia. Baixei, fiquei meio assim, acabei de me arrumar, saí e o dia foi super bacana. Comi arroz, no jantar, e tal. Voltei cedo pra casa, pra tentar de novo dormir logo e acordar na hora.
Aí deu certo, passei o dia ontem em Amsterdam, surpreendentemente consegui fazer as duas coisas que eu tinha programado, e ainda tirar umas fotos nevadas. Sim, agora era neve de verdade, não granizo como o Bruno, meu amigo, ficou me dizendo o sábado todo.
Hoje acordei mais tarde e enrolei praticamente o dia todo, saí pra almoçar, gastei uma nota no supermercado, estava lendo longe do computador e resolvi logo fichar o artigo, vim desligar o computador, mas antes fui ver e-mail e fui pega pelo redemoinho. Horas se passaram, e eu aqui, mas eu já me prometi que hoje ainda leio uns dois artigos, pra compensar. Não que eu cumpra a minha palavra, quando ela é empenhada comigo mesma, mas é assim,a vida. Nada além de uma ilusão, como cantaria meu pai.
Mas a questão é que a música que ficou na minha cabeça hoje o dia inteirinho, que eu até assoviei quando sabia que não tinha mais ninguém em casa - eu não sei assoviar, ao menos não no ritmo nem... afinadamente - é Wind of Change, Scorpions.
Também fui ver uns acupunturistas chineses aqui da esquina de casa, e não posso deixar de me perguntar se isso tudo são sinais.
Ah, e eu experimentei, finalmente, o tal kroketten, daqui, na hora do almoço. Porque até hoje eu não achei um lugar pra comer um bife, frango grelhado ou peixe à milanesa, com arroz ou purê de batata, é sempre ovo com pão, ou sei lá o quê. E, afinal, o kroketten é bom pra caramba.
Mas nessa se foi mais uma fortuna e um dia que se acaba - porque depois das 17 horas já é noite de verdade - comigo muito mais pobre do que planejei, mas com o paladar satisfeito - porque a barriga já esvaziou faz tempo - e o assovio encoberto pelo volume, consideravelmente alto, de uma voz que diz ouvir o vento da mudança.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Ok, acho que está nevando.
No entanto, como saber com certeza? Como é que um bicho tropical reconhece tão estranho fenômeno?
O fato é que desde ontem venta muito, durante a noite caiu uma chuva mei forte, mas o dia amanheceu bonito. No final da manhã, uma chuva fina com vento enquanto o céu estava azul.
O vento é quase horizontal, o que é muito estranho.
Agorinha estava fazendo sol, mas o sol aqui não é como no nosso inverna, que esquenta pra caramba. De novo, o vento, que não dá sossego.
Então eu estou aqui no meu quarto, arrumando a cama, separando roupa pra lavar, quando começo a ouvir um barulhinho de batidas no vidro - as janelas são só de vidro, aqui, o que, além de nos expôr aos olhos da rua, também faz com que o clima pareça muito mais presente - e vejo uma chuva quase horizontal, e depois uns floquinhos, ou bolinhas.
Tá, pode ser que isso seja só granizo, mas eu prefiro pensar que é neve.
Tentei tirar umas fotos, mas não saiu nada e já parou.
Essa semana, enquanto por um lado eu reclamava do tempo aqui não estar nada encorajador, também me dei conta de que a coisa mais diferente da minha vida normal é um inverno rigoroso. Ok, verão ou primavera seria legal, mas não seria exatamente diferente - mesmo considerando uma primavera de verdade. Mas neve, só assim, mesmo.
Agora é esperar pra ver se era mesmo e pra ver uma tempestade de verdade.
No entanto, como saber com certeza? Como é que um bicho tropical reconhece tão estranho fenômeno?
O fato é que desde ontem venta muito, durante a noite caiu uma chuva mei forte, mas o dia amanheceu bonito. No final da manhã, uma chuva fina com vento enquanto o céu estava azul.
O vento é quase horizontal, o que é muito estranho.
Agorinha estava fazendo sol, mas o sol aqui não é como no nosso inverna, que esquenta pra caramba. De novo, o vento, que não dá sossego.
Então eu estou aqui no meu quarto, arrumando a cama, separando roupa pra lavar, quando começo a ouvir um barulhinho de batidas no vidro - as janelas são só de vidro, aqui, o que, além de nos expôr aos olhos da rua, também faz com que o clima pareça muito mais presente - e vejo uma chuva quase horizontal, e depois uns floquinhos, ou bolinhas.
Tá, pode ser que isso seja só granizo, mas eu prefiro pensar que é neve.
Tentei tirar umas fotos, mas não saiu nada e já parou.
Essa semana, enquanto por um lado eu reclamava do tempo aqui não estar nada encorajador, também me dei conta de que a coisa mais diferente da minha vida normal é um inverno rigoroso. Ok, verão ou primavera seria legal, mas não seria exatamente diferente - mesmo considerando uma primavera de verdade. Mas neve, só assim, mesmo.
Agora é esperar pra ver se era mesmo e pra ver uma tempestade de verdade.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Novas tradições
Então é definitivo.
A partir desse instante, todas as vezes que eu fizer uma viagem ao exterior vou perder dinheiro.
Não só pelo câmbio ou preços elevados ou a necessidade de fazer gastos excessivos desenfreadamente. Eu quero dizer literalmente.
Ano passado, quando eu estava em Cuzco, numa noite de desespero eu saí pelas ruas e, depois de sentar pateticamente na porta de uma igreja, responder aos guardas que estava, sim, tudo bem comigo, ao voltar para o hotel percebi que tinha perdido a nota de 50 soles que eu carregava no bolso da jaqueta. Voltei para procurar e foi quando eu encontrei o que eu considero até hoje ser um anjo, que apareceu naquele dia e depois nunca mais, que me perguntou se eu tinha perdido meu "sweetheart" e quando eu digo que não exatamente, que eu procurava ali meus 50 soles, ele disse: "bem, tomara que uma pessoa que precisa bastante tenha achado". Eu às vezes me pergunto se era ele a pessoa que precisava e, sendo ou não, tudo bem. Fiquei tranquila em relação ao dinheiro, embora não quanto a todo o resto. Ou até um tanto quanto ao resto em que o anjo pôde ajudar.
Mas, numa versão muito menos romântica, a história se repetiu hoje, mais como comédia do que farsa, porque juro que é verdade. Vou tomar um café com uma conhecida holandesa, coloco no bolso uma nota de 20 euros e, depois do café, quando vem a conta, cadê a nota?
Sim, senhores, perdida para sempre. E o consolo da necessidade do sortudo que a encontrou aqui é mais duvidosa, mas ainda assim eu espero que a pessoa precisasse ou, no mínimo, faça bom proveito. Posso achar consolo na idéia de que a minha confusão fez a alegria - ainda que momentânea - de algum desconhecido, coisa até bastante romântica. Se eu tivesse pensado em escrever meu telefone ou e-mail na nota, aí a história dava um filme.
E como eu acredito piamente que não há dois sem três - fé que hoje foi maior que a no santo protetor, a quem eu pedi mas sem muito entusiasmo e que, claramente, não me atendeu - acho melhor começar a me conformar com o fato de que essa se torna, a partir de hoje, uma nova tradição na minha vida.
Eu que ontem falava em comprar um casaco por 20 euros... Mas é a vida e não se pode fazer nada. Nem lamentar muito, que eu tenho motivos mais sérios com que me martirizar, como a concentração negativa que ainda me persegue.
A partir desse instante, todas as vezes que eu fizer uma viagem ao exterior vou perder dinheiro.
Não só pelo câmbio ou preços elevados ou a necessidade de fazer gastos excessivos desenfreadamente. Eu quero dizer literalmente.
Ano passado, quando eu estava em Cuzco, numa noite de desespero eu saí pelas ruas e, depois de sentar pateticamente na porta de uma igreja, responder aos guardas que estava, sim, tudo bem comigo, ao voltar para o hotel percebi que tinha perdido a nota de 50 soles que eu carregava no bolso da jaqueta. Voltei para procurar e foi quando eu encontrei o que eu considero até hoje ser um anjo, que apareceu naquele dia e depois nunca mais, que me perguntou se eu tinha perdido meu "sweetheart" e quando eu digo que não exatamente, que eu procurava ali meus 50 soles, ele disse: "bem, tomara que uma pessoa que precisa bastante tenha achado". Eu às vezes me pergunto se era ele a pessoa que precisava e, sendo ou não, tudo bem. Fiquei tranquila em relação ao dinheiro, embora não quanto a todo o resto. Ou até um tanto quanto ao resto em que o anjo pôde ajudar.
Mas, numa versão muito menos romântica, a história se repetiu hoje, mais como comédia do que farsa, porque juro que é verdade. Vou tomar um café com uma conhecida holandesa, coloco no bolso uma nota de 20 euros e, depois do café, quando vem a conta, cadê a nota?
Sim, senhores, perdida para sempre. E o consolo da necessidade do sortudo que a encontrou aqui é mais duvidosa, mas ainda assim eu espero que a pessoa precisasse ou, no mínimo, faça bom proveito. Posso achar consolo na idéia de que a minha confusão fez a alegria - ainda que momentânea - de algum desconhecido, coisa até bastante romântica. Se eu tivesse pensado em escrever meu telefone ou e-mail na nota, aí a história dava um filme.
E como eu acredito piamente que não há dois sem três - fé que hoje foi maior que a no santo protetor, a quem eu pedi mas sem muito entusiasmo e que, claramente, não me atendeu - acho melhor começar a me conformar com o fato de que essa se torna, a partir de hoje, uma nova tradição na minha vida.
Eu que ontem falava em comprar um casaco por 20 euros... Mas é a vida e não se pode fazer nada. Nem lamentar muito, que eu tenho motivos mais sérios com que me martirizar, como a concentração negativa que ainda me persegue.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Do luxo e do lixo
Hoje o meu tarot do dia disse que eu devia investir em mim. Se eu tivesse visto antes, teria ficado menos insegura com a minha pequena extravagância.
É o seguinte: estou morando numa casa com mais três pessoas, o quarto até que é bom, mas as áreas comuns deixam a desejar. E alguém em algum dia infeliz achou que um frigobar seria suficiente para quatro estranhos morando juntos armazenarem suas guloseimas.
Ora, meus caros, não é!
Fui tentar dar um jeito no bendito, super morrendo de nojo e pensando em como fazer a coisa funcionar, até que tive uma idéia brilhante: aqui na esquina tem um tal dum árabe que vendo eletrodomésticos usados, então eu disse para mim mesma que se ele tivesse um frigobar por 50 euros eu ia lá e comprava; depois quando eu for embora revendo e boa.
Não é que o cara tinha um por 65? Dei uma chorada, assim, em mímica, porque ele não falava inglês, português nem pensar - aliás, isso de ir falando inglês com as pessoas pode ser irritante, nem tanto por eu não falar bem inglês, mas porque as pessoas parecem pensar de partida que eu sou americana ou inglesa. Mas também não vejo opção, porque de holandês eu não vou chegar nem perto e português ninguém sabe - aliás encontrei já algumas pessoas que ficaram surpresas ao saber que no Brasil se fala português e que é a mesma língua de - argh! - Portugal. Enfim, isso sempre consola, acaba com essa história de que na-Europa-tudo-é-melhor.
Mas voltando ao assunto, o cara me vendeu o frigobar por 55 euros, com direito a emprestar o carrinho para trazer até aqui. Detalhe que meu quarto é no andar de cima, então toca eu e a menina holandesa que mora embaixo, Katja - aliás bastante legal -, nos matando pra trazer o negócio por uma escada em que mal passa uma pessoa engatinhando. Mas deu tudo certo, está tudo ligado e funcionando.
Sim, eu sei que sou fresca, até muito fresca, mas sei lá. Já disse o tarot que era o momento de investir no meu bem-estar e uma coisa imbecil como uma geladeira limpa e com espaço podem realmente ajudar. E essa semana eu ainda não tinha gastado quase nada, sobrevivi a pão e queijo.
Não que eu não compre outro casaco se encontrar numa promoção a vinte euros, mas aí são outros quinhentos.
É o seguinte: estou morando numa casa com mais três pessoas, o quarto até que é bom, mas as áreas comuns deixam a desejar. E alguém em algum dia infeliz achou que um frigobar seria suficiente para quatro estranhos morando juntos armazenarem suas guloseimas.
Ora, meus caros, não é!
Fui tentar dar um jeito no bendito, super morrendo de nojo e pensando em como fazer a coisa funcionar, até que tive uma idéia brilhante: aqui na esquina tem um tal dum árabe que vendo eletrodomésticos usados, então eu disse para mim mesma que se ele tivesse um frigobar por 50 euros eu ia lá e comprava; depois quando eu for embora revendo e boa.
Não é que o cara tinha um por 65? Dei uma chorada, assim, em mímica, porque ele não falava inglês, português nem pensar - aliás, isso de ir falando inglês com as pessoas pode ser irritante, nem tanto por eu não falar bem inglês, mas porque as pessoas parecem pensar de partida que eu sou americana ou inglesa. Mas também não vejo opção, porque de holandês eu não vou chegar nem perto e português ninguém sabe - aliás encontrei já algumas pessoas que ficaram surpresas ao saber que no Brasil se fala português e que é a mesma língua de - argh! - Portugal. Enfim, isso sempre consola, acaba com essa história de que na-Europa-tudo-é-melhor.
Mas voltando ao assunto, o cara me vendeu o frigobar por 55 euros, com direito a emprestar o carrinho para trazer até aqui. Detalhe que meu quarto é no andar de cima, então toca eu e a menina holandesa que mora embaixo, Katja - aliás bastante legal -, nos matando pra trazer o negócio por uma escada em que mal passa uma pessoa engatinhando. Mas deu tudo certo, está tudo ligado e funcionando.
Sim, eu sei que sou fresca, até muito fresca, mas sei lá. Já disse o tarot que era o momento de investir no meu bem-estar e uma coisa imbecil como uma geladeira limpa e com espaço podem realmente ajudar. E essa semana eu ainda não tinha gastado quase nada, sobrevivi a pão e queijo.
Não que eu não compre outro casaco se encontrar numa promoção a vinte euros, mas aí são outros quinhentos.
domingo, 9 de novembro de 2008
Resposta
Eu pensava sobre isso mais cedo.
Acho que a diferença entre estar num lugar conhecido e num desconhecido não é assim tão grande como as pessoas pensam.
Acho que eu não me sinto mais - nem menos - solitária aqui do que me sentia antes, em casa, porque eu estou sempre, irremediavelmente acompanhada da minha solidão, que não me deixa nunca, não importa onde eu esteja, e essa companhia tão presente também é absolutamente pressentida, e sentida e vivida, diariamente, não importa onde eu esteja.
Acho que quando a gente está longe, a perda das referências que costumam nos definir, perante nós e o mundo, nos deixam um pouco mais livres para perceber isso. Porque eu não saí esperando ser diferente, saí esperando continuar a ser exatamente a mesma pessoa que sou e não sou todos os dias, então continuo em casa.
Acho que principalmente o fato de desconhecer totalmente a língua que me rodeia e não envolve, porque não me pega, não me fisga, acho que isso é que muda alguma coisa. Porque estamos muito acostumados a ouvir o que vem de fora, e não reconhecer quaisquer sons que nos rodeiam, não nos fisgam, desde as palavras de casais de namorados, ou grupos de amigos, ou crianças de dois anos que perseguem irmãs mais velhas num restaurante com um brinquedo na mão, ou sinos de bicicletas, não reconhecer os sons que nos rodeiam apesar de reconhecer as cenas, isso te coloca num estado diferente. Como uma anestesia, talvez uma apatia, ou talvez esse silêncio cheio de sons incompreensíveis e, talvez por isso, menos sons, talvez toda essa atmosfera simplesmente case com um estado interior já existente, ou crie um estado em que as coisas já não fazem barulho.
Acho que é assim que eu me sinto, sem barulho.
Acho que a diferença entre estar num lugar conhecido e num desconhecido não é assim tão grande como as pessoas pensam.
Acho que eu não me sinto mais - nem menos - solitária aqui do que me sentia antes, em casa, porque eu estou sempre, irremediavelmente acompanhada da minha solidão, que não me deixa nunca, não importa onde eu esteja, e essa companhia tão presente também é absolutamente pressentida, e sentida e vivida, diariamente, não importa onde eu esteja.
Acho que quando a gente está longe, a perda das referências que costumam nos definir, perante nós e o mundo, nos deixam um pouco mais livres para perceber isso. Porque eu não saí esperando ser diferente, saí esperando continuar a ser exatamente a mesma pessoa que sou e não sou todos os dias, então continuo em casa.
Acho que principalmente o fato de desconhecer totalmente a língua que me rodeia e não envolve, porque não me pega, não me fisga, acho que isso é que muda alguma coisa. Porque estamos muito acostumados a ouvir o que vem de fora, e não reconhecer quaisquer sons que nos rodeiam, não nos fisgam, desde as palavras de casais de namorados, ou grupos de amigos, ou crianças de dois anos que perseguem irmãs mais velhas num restaurante com um brinquedo na mão, ou sinos de bicicletas, não reconhecer os sons que nos rodeiam apesar de reconhecer as cenas, isso te coloca num estado diferente. Como uma anestesia, talvez uma apatia, ou talvez esse silêncio cheio de sons incompreensíveis e, talvez por isso, menos sons, talvez toda essa atmosfera simplesmente case com um estado interior já existente, ou crie um estado em que as coisas já não fazem barulho.
Acho que é assim que eu me sinto, sem barulho.
O homem que respirava
Ontem à noite, já noite adentro, voltando para casa, tinha um homem deitado num banco, dormindo.
O banco é diferente, não de rua, mas algumas casas tem alguns embaixo da janela, às vezes até com mesa; aqui mesmo na rua tem um com cinzeiros que dizem "Côte d'Azur", e eu me pego imaginando o que é e, se eu fumasse, ou andasse com alguém que fuma, o que aconteceria se simplesmente nos sentássemos no banco, debaixo da janela de alguém, e usássemos o cinzeiro que está em cima da mesa.
Mas o homem, ontem à noite, dormia, com o casaco aberto e a noite gelada. Ele não cabia inteiramente no banco, então estava com um joelho sobre o braço e a outra perna apoiada no chão, a boca aberta e um sono tranquilo. Primeiro passei reto, em seguida parei e voltei, para tentar descobrir se ele respirava. Nunca mais, depois que uma tia me contou que quando era moça não dormia bem pensando se os irmãos ainda estavam respirando e se levantava periodicamente para checar, nunca mais eu me livrei desse medo de se parar de respirar dormindo. E o homem dormia e, após algum tempo de observação atenta pude checar, respirava. No banco, debaixo da janela, na noite gelada.
As vidas - e as noites - das pessoas às vezes são mesmo um total mistério.
O banco é diferente, não de rua, mas algumas casas tem alguns embaixo da janela, às vezes até com mesa; aqui mesmo na rua tem um com cinzeiros que dizem "Côte d'Azur", e eu me pego imaginando o que é e, se eu fumasse, ou andasse com alguém que fuma, o que aconteceria se simplesmente nos sentássemos no banco, debaixo da janela de alguém, e usássemos o cinzeiro que está em cima da mesa.
Mas o homem, ontem à noite, dormia, com o casaco aberto e a noite gelada. Ele não cabia inteiramente no banco, então estava com um joelho sobre o braço e a outra perna apoiada no chão, a boca aberta e um sono tranquilo. Primeiro passei reto, em seguida parei e voltei, para tentar descobrir se ele respirava. Nunca mais, depois que uma tia me contou que quando era moça não dormia bem pensando se os irmãos ainda estavam respirando e se levantava periodicamente para checar, nunca mais eu me livrei desse medo de se parar de respirar dormindo. E o homem dormia e, após algum tempo de observação atenta pude checar, respirava. No banco, debaixo da janela, na noite gelada.
As vidas - e as noites - das pessoas às vezes são mesmo um total mistério.
Outono

Outono onde ele existe.
Como se as coisas pudessem existir onde elas não existem, né?
O mais estranho é que podem.
Bem, tirei hoje essa foto, na rua do supermercado, Albert Heins, a única coisa que eu sei dizer em holandês, porque não é tão difícil.
Vale observar, porque depois eu vou me esquecer, que eu parei despreocupadamente na calçada para tirar a foto, até que quase fui atropelada por uma bicicleta. Afinal, eu não estava na calçada e sim na ciclovia, e o ciclista bateu o sininho pra mim mas, acostumada com buzinas, eu obviamente nem percebi, até que ele passou olhando feio. Já disse pra mim mesma que para o meu próprio bem eu tenho que me acostumar com o sininho, mas até agora nada.
Afinal de contas é isso a vida, né? A gente se acostumar com as coisas enquanto a gente não muda nem elas mudam, e depois lutar de novo pra acostumar com outras coisas e assim por diante.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
O paraíso dos voyeurs
Qualquer pessoa que já andou comigo pelas ruas sabe que eu tenho uma fixação por janelas. Nada doentio, acho, mas eu gosto muito de ver esse pedacinho da vida das pessoas que transparece através dos vidros, com uma luz e um recorte diferentes do que se vê pelo lado de dentro.
Quando eu estive no Rio, da última vez, tinha um apartamento, na rua do hotel, cuja janela deixava ver o topo de uma biblioteca. Era mais um armário que cobria a parede de uma porta, e todas as vezes que eu passava por ali ficava olhando.
Já falei muito sobre isso, e mesmo falando é difícil de superar, essa idéia de como a vida das pessoas parece interessante vista de fora.
Enfim, a questão é que essa cidade - não sei ainda o país, mas imagino que seja o mesmo - é uma loucura: praticamente todas as casas têm grandes janelas na altura da rua, sem persianas, no máximo uma cortininha que não esconde nada, ou nem isso. Então você anda pela rua com total acesso às casas das pessoas, salas, cozinhas, escritórios. Na primeira noite, em uma rua aqui perto, em duas casas vizinhas, velhinhos assistindo televisão. Hoje, já na minha rua, uma vidraça adesivada de "happy birthday" e dois menininhos correndo de cueca pela sala. Deviam ser gêmeos, eu fiquei na dúvida se era um só ou dois, até que um veio em direção à janela fazer não sei o quê. Qualquer hora eu penso sobre o que isso significa, essa exposição quase despudorada, se é apenas um sinal da supereducação das pessoas, que não se permitem invadir a privacidade alheia, ou o quê. Ou talvez não haja um motivo, ou talvez não importe, e talvez eu não pense.
De todo modo a tentação persiste, o contraste entre o frio cinza da rua e o interior quente atraem esses olhos, ainda que discretamente.
Por quanto tempo, será?
Quando eu estive no Rio, da última vez, tinha um apartamento, na rua do hotel, cuja janela deixava ver o topo de uma biblioteca. Era mais um armário que cobria a parede de uma porta, e todas as vezes que eu passava por ali ficava olhando.
Já falei muito sobre isso, e mesmo falando é difícil de superar, essa idéia de como a vida das pessoas parece interessante vista de fora.
Enfim, a questão é que essa cidade - não sei ainda o país, mas imagino que seja o mesmo - é uma loucura: praticamente todas as casas têm grandes janelas na altura da rua, sem persianas, no máximo uma cortininha que não esconde nada, ou nem isso. Então você anda pela rua com total acesso às casas das pessoas, salas, cozinhas, escritórios. Na primeira noite, em uma rua aqui perto, em duas casas vizinhas, velhinhos assistindo televisão. Hoje, já na minha rua, uma vidraça adesivada de "happy birthday" e dois menininhos correndo de cueca pela sala. Deviam ser gêmeos, eu fiquei na dúvida se era um só ou dois, até que um veio em direção à janela fazer não sei o quê. Qualquer hora eu penso sobre o que isso significa, essa exposição quase despudorada, se é apenas um sinal da supereducação das pessoas, que não se permitem invadir a privacidade alheia, ou o quê. Ou talvez não haja um motivo, ou talvez não importe, e talvez eu não pense.
De todo modo a tentação persiste, o contraste entre o frio cinza da rua e o interior quente atraem esses olhos, ainda que discretamente.
Por quanto tempo, será?
Querido diário
Acho que não vai ter jeito.
Eu não gosto muito de blogs "querido diário", mas acho que esse está prestes a se tornar um. Ou quase um. Eu que não sou muito de contar coisas me vejo agora obrigada, pelos inesperados rumos que as coisas tomam na vida, a vir aqui, contar coisas.
Agora é uma hora da tarde, e eu ainda não fiz nada. Tirei a manhã para descansar um pouco, mas, tonta que sou, coloquei o despertador para 9:30 e desde então estou dormindo e acordando regularmente, mas tudo bem. Da próxima vez eu não faço isso.
Tinha combinado comigo hoje de passar aspirador no quarto, inclusive nas cortinas e almofadas, mas a preguiça foi maior, então fica para mais tarde, ou amanhã.
Eu ontem, ou anteontem, queria contar como foi a viagem. Claro que um clássico "Família Pinto", com direito a irmã que não chega, sobrinha que não acorda, saída atrasada, discussão sobre comprar ou não um lanche para irmã-que-passa-mal-se-não-comer, etc. Mas fui eu quem quis ser levada ao aeroporto pela trupe toda, então não tenho direito a reclamar.
Pulemos a parte das despedidas.
Os vôos foram melhores do que eu poderia esperar; agradeço à Deborah pelos treinos feitos há alguns meses, que se não aniquilaram meu medo de voar, me deixaram mais acostumada, a ponto de não achar que uma curva é uma queda e saber que barulhos estranhos são normais e o avião não está parando. O problema é o meu tamanho, incompatível com as poltronas. Isso porque vim com um assento vago ao meu lado. Quando entrei no avião, pela frente, vi umas poltronas bonitonas e pensei com meus botões "aaah, isso é que é avião!". Ledo engano, inocente criança. "Isso sim que é classe executiva!".
A imigração foi imbecil, passei em Frankfurt e estava tão passada que nem me preocupei, quase saí pelo lado errado, e tive de correr para não perder a conexão. No segundo vôo, vim ao lado de um espanhol que mora em Munique, e nós demos muita risada quando ele disse que praticou capoeira por um tempo e eu contei que faço aulas de dança flamenca. Vai, é inusitado...
O frio não está insuportável, meu aquecedor não chega exatamente a aquecer, tanto quanto não-esfria, mas vai melhorar. Ontem eu andei por horas, moro a 5 minutos do calçadão da cidade e imagino o que essa informação faria com os corações (e bolsos!) de algumas pessoas.
Mas é isso, um primeiro sinal de Leiden. Holanda. Onde eu estou.
Eu não gosto muito de blogs "querido diário", mas acho que esse está prestes a se tornar um. Ou quase um. Eu que não sou muito de contar coisas me vejo agora obrigada, pelos inesperados rumos que as coisas tomam na vida, a vir aqui, contar coisas.
Agora é uma hora da tarde, e eu ainda não fiz nada. Tirei a manhã para descansar um pouco, mas, tonta que sou, coloquei o despertador para 9:30 e desde então estou dormindo e acordando regularmente, mas tudo bem. Da próxima vez eu não faço isso.
Tinha combinado comigo hoje de passar aspirador no quarto, inclusive nas cortinas e almofadas, mas a preguiça foi maior, então fica para mais tarde, ou amanhã.
Eu ontem, ou anteontem, queria contar como foi a viagem. Claro que um clássico "Família Pinto", com direito a irmã que não chega, sobrinha que não acorda, saída atrasada, discussão sobre comprar ou não um lanche para irmã-que-passa-mal-se-não-comer, etc. Mas fui eu quem quis ser levada ao aeroporto pela trupe toda, então não tenho direito a reclamar.
Pulemos a parte das despedidas.
Os vôos foram melhores do que eu poderia esperar; agradeço à Deborah pelos treinos feitos há alguns meses, que se não aniquilaram meu medo de voar, me deixaram mais acostumada, a ponto de não achar que uma curva é uma queda e saber que barulhos estranhos são normais e o avião não está parando. O problema é o meu tamanho, incompatível com as poltronas. Isso porque vim com um assento vago ao meu lado. Quando entrei no avião, pela frente, vi umas poltronas bonitonas e pensei com meus botões "aaah, isso é que é avião!". Ledo engano, inocente criança. "Isso sim que é classe executiva!".
A imigração foi imbecil, passei em Frankfurt e estava tão passada que nem me preocupei, quase saí pelo lado errado, e tive de correr para não perder a conexão. No segundo vôo, vim ao lado de um espanhol que mora em Munique, e nós demos muita risada quando ele disse que praticou capoeira por um tempo e eu contei que faço aulas de dança flamenca. Vai, é inusitado...
O frio não está insuportável, meu aquecedor não chega exatamente a aquecer, tanto quanto não-esfria, mas vai melhorar. Ontem eu andei por horas, moro a 5 minutos do calçadão da cidade e imagino o que essa informação faria com os corações (e bolsos!) de algumas pessoas.
Mas é isso, um primeiro sinal de Leiden. Holanda. Onde eu estou.
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