Estou aqui nesse processo meio de limpeza-de-primavera (existe isso, Arnaldo?) e encontrei uma conversa, já de alguns anos (nossa, de muitos anos!) em que eu dizia da minha então nascente loucura, que me fazia confundir roxo e laranja e - eu tinha esquecido - banana e panela.
Desde então já troquei garfo e colher, já saí na rua com sapatos despareados (true story, mas era pra aula de dança então meio que deu pra disfarçar), já tomei remédio errado, já coloquei o macarrão direto no molho, deixando a panela (não banana!) com água fervendo vazia ao lado, já... que mais que eu fiz??
Lembro não, agora, mas foi muito disso e de trocar os nomes das pessoas. Que coisa, né, isso de conviver um tanto com alguém e todo mundo a partir de então partilhar aquele nome que sai automaticamente.
Hoje mesmo ria com minha irmã de um fora desses que ela deu, há muito e muitos anos, que gerou uma baita saia justa e risos histéricos incontroláveis. E dessas loucuras que a gente faz - ou ela fez - ali aos vinte e poucos anos e como graças aos céus o tempo passou e aquelas loucuras não fazemos mais. Coisa bem de gente pino frouxo, como disse ela.
A questão é que estive acompanhando duas amigas passarem pelo mesmo caminho que trilhei dois anos atrás e, conversando com uma delas, ela dizia dessa experiência esquisita que é, do fim.
Que a gente espera que seja maravilhoso e afinal é mais anticlimático do que qualquer outra coisa.
Eu disse isso à época e meio que desde então, do limbo que se segue e da escuridão que sobrevém até que, com sorte, chega alguma luz para iluminar o breu. Mesmo uma lanterninha, ou o fogo de uma vela ou isqueiro podem trazer alento em alguns momentos difíceis, mas a gente toma é paulada.
É difícil resistir, é difícil acreditar e sobreviver e não se achar um grande monte de merda, é difícil se apegar a outras vivências e seguir acreditando, que é o que se pode fazer.
Mas a luz no fim do túnel...
Há luz no fim do túnel?
A gente quer acreditar que sim e, acreditando mais ou menos, segue tateando as paredes escuras e limosas.
E nessa eu me vejo aqui, com trinta e tais anos e minha vida meio que começando.
Ou recomeçando mais uma vez, ou sei lá.
Houve um tempo em que eu sabia aonde queria chegar ao começar essas viagens, mas esse tempo, tal como (grande?) parte da minha sanidade já foi-se indo ou foi-se ou vai-se, assim como eu vou agora do meio do caminho, sem saber direito a que vim.
Será mesmo só pra dizer da panela e da banana?
Ou pra guardar o eco de uma risada de mim mesma, porque acho que o faço bem?
Talvez nem o faça, mas isso de fato pouco importa.
Agora tenho de ir, pois Potirinha dorme sobre o computador, o que é na verdade muito climático.
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quarta-feira, 5 de julho de 2017
domingo, 2 de julho de 2017
Palo seco
Aí a vida tem dessas, de levar a gente por caminhos e a gente tá lá no meio dele sem saber exatamente como foi parar ali.
Não de não saber como deus me colocou aqui, mas de se perguntar mesmo por onde foi que viemos.
Por um acaso do destino, eu até sei o caminho que me trouxe aqui, ou melhor, que trouxe hoje o Belchior.
Porque eu tenho uma amiga, que tem amigos.
E adoram Belchior.
Aí eu vou pensando que já encontrei nesse caminho algumas pá de pessoa que adoram Belchior. Mas não assim, "ah, eu gosto e talz", mas super adoram, mesmo, vivem ali Belchior cotidianamente.
E esses amigos ali são assim, que toda vez vão por lá um Belchior e achar ali um sentido.
E uma beleza, né?
Tenho pensado nisso ultimamente, ou talvez desde sempre, de como esse sul besta se acha tão o centro das coisas, quase como aqueles doidos lá do XVI ou assim que acreditavam que depois dali o mundo acabava numa cachoeira.
Amigos, o mundo é maior que esse sul besta, o Brasil é maior que esse sul besta.
Talvez o melhor do Brasil esteja para lá desse sul besta ou, para não pecar por excesso (Oi, Chico!), pra lá do sul besta tem um Brasil tão bom quanto pra cá.
Mas aí perguntamos: quem foi que disse "se você vier me perguntar por onde andei no tempo em que você sonhava, de olhos abertos lhe direi: amigo eu me desesperava! Sei que assim falando pensas que esse desespero é moda em 73, mas ando mesmo descontente, desesperadamente eu grito em português: Tenho vinte cinco anos de sonho e de sangue e de América do Sul! Por força deste destino um tango argentino me vai bem melhor que o blues!"?
Aí você faz o quê?
Grita em português.
E sai do sul besta.
Não de não saber como deus me colocou aqui, mas de se perguntar mesmo por onde foi que viemos.
Por um acaso do destino, eu até sei o caminho que me trouxe aqui, ou melhor, que trouxe hoje o Belchior.
Porque eu tenho uma amiga, que tem amigos.
E adoram Belchior.
Aí eu vou pensando que já encontrei nesse caminho algumas pá de pessoa que adoram Belchior. Mas não assim, "ah, eu gosto e talz", mas super adoram, mesmo, vivem ali Belchior cotidianamente.
E esses amigos ali são assim, que toda vez vão por lá um Belchior e achar ali um sentido.
E uma beleza, né?
Tenho pensado nisso ultimamente, ou talvez desde sempre, de como esse sul besta se acha tão o centro das coisas, quase como aqueles doidos lá do XVI ou assim que acreditavam que depois dali o mundo acabava numa cachoeira.
Amigos, o mundo é maior que esse sul besta, o Brasil é maior que esse sul besta.
Talvez o melhor do Brasil esteja para lá desse sul besta ou, para não pecar por excesso (Oi, Chico!), pra lá do sul besta tem um Brasil tão bom quanto pra cá.
Mas aí perguntamos: quem foi que disse "se você vier me perguntar por onde andei no tempo em que você sonhava, de olhos abertos lhe direi: amigo eu me desesperava! Sei que assim falando pensas que esse desespero é moda em 73, mas ando mesmo descontente, desesperadamente eu grito em português: Tenho vinte cinco anos de sonho e de sangue e de América do Sul! Por força deste destino um tango argentino me vai bem melhor que o blues!"?
Aí você faz o quê?
Grita em português.
E sai do sul besta.
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