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domingo, 15 de junho de 2008

Encaixe

Tava lendo o que a garota de saturno disse.
Não, primeiro eu tava pensando naquela coisa de encaixar o redondo no quadrado, aí pensei que eu não sei exatamente como é o ditado. Eu visualizo, mas não sei explicar, o encaixar o quadrado no redondo. A verdade é que eu vejo televisão demais pro meu próprio bem - então eu associei com a garota de saturno -, mas o outro lado dessa moeda é que a gente acaba aprendendo alguma coisa. Quem se importa com a inutilidade do aprendido? O fato é que eu me vejo numa situação e, depois de um google básico, penso: "you can't fit square peg in a round hole". Ou vice-versa.
A gente se acostuma tanto a uma situação e a um tipo de interação e começa a pensar que o mundo é assim. Má notícia, queridos, ele não é. Às vezes a gente faz uma pergunta e uma pessoa responde, simplesmente, "hmmmm". Ou qualquer equivalente não produtivo. E é difícil aceitar isso, quando estamos acostumados a avalanches.
Decepção, pessoal, faz parte da vida.
E assim a gente segue. Para um pouquinho pra lamentar e segue.

sábado, 14 de junho de 2008

Saber pra onde e ir

Isso dos sonhos.
Eu conheço gente que sonha com muita coisa, sabe com o que sonha. Às vezes sonhos possíveis, outras nem tanto, às vezes eu acho que fazem sentido, outras, não.
Lembro da Mafalda planejando o futuro, pegando um giz e traçando no chão um novelo de linhas cruzadas, aí chega a mãe dela, dizendo alguma coisa e ela "não!! Mamãe, você apagou minha viagem de estudos para o Japão!!".
É esquisito demais gente que faz mapa. Porque eu não faço e, não tendo alteridade, tudo que é diferente de mim é potencialmente esquisito. Não sei até que ponto isso é uma opção consciente ou é só um conformismo intrínseco com a minha falta total de senso de direção. Mapas não servem para nada se você não sabe lê-los.
Um desses dias, eu ouvia rádio e tocou Infinita Highway" e eu chorei. Isso da estrada. Na boca ao invés de um beijo, um chiclé de menta e a sombra do sorriso que eu deixei.
Mas hoje, como todos os dias, hoje em especial, eu penso: "mas não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir". Não queremos lembrar o que esquecemos.
Muita vezes eu me defini como uma pessoa de pouca imaginação. Artisticamente nula, isso de ficar planejando muito exige uma disciplina que eu, dda, não tenho.
Então eu sei muito bem o que quero, apesar de não saber exatamente como quero. Será que isso é possível? E se for, será assim e não ao contrário? Sei como, mas não o quê? Não sei exatamente onde ela está, mas eu vejo alguma diferença. Eu não sei pra onde, mas sei que quero ir. Preciso? Tem diferença, será? Quem será que separa em duas caixas, ou em duas listas, uma chamada "precisar" e outra "querer"?
Recentemente, me pediram pra confiar e eu tentei muito, não sei se consegui. Agora, não sei se eu confio. Recebi uma notícia triste e fui inundada por ela, não sei mais se minha ou alheia. Tem diferença, será? Quem separa em duas caixas, ou em duas listas, uma "minha", outra "alheia"?
Estamos sós e nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Andança

Celebrando o começo de 1996.
Mad about you é mesmo velho. Episódio clássico em que o Paul faz sei lá o que e a bola que cai em sei lá que rua de Nova York não cai, na contagem regressiva. Ele fica preso no topo do prédio e vai passar o reveillon longe da Jamie, etc.
É, na verdade o Paul não faz nada e passa o reveillon com a mulher, mas tudo bem.
Mas não era disso que eu ia falar, foi um acidente de percurso.
Sei lá, estou num momento hiperativo, talvez por ter acordado cedo demais ou ter decidido colocar a mão na massa, mas
Essa semana foi meio foda, pra mim, como também já é de costume, eu já fiquei muito triste e muito com raiva e muito confusa e muito muitas coisas. Ontem melhorei bastante, mas ainda parece faltar alguma coisa, eu sei muito bem o que, que palavras e mão eu gostaria agora. Mas, por algum motivo, não tá doendo muito, só latejando um pouquinho, e eu tenho mesmo essa mágoa enorme do que não é e não pode ser, do que eu acho que não posso falar nem fazer, mas tá bom.
Só por ontem de noite e hoje de manhã, tá bom.

Uma saudade imensa.

sábado, 7 de junho de 2008

Resposta

Escrevo, mas o quê?
Uma coisa que eu aprendi nos últimos meses é o clichê último da bonança depois da tempestade. Mas como a vida não é uma ciência exata, ela dessa vez não veio, o que significa, no mundo maniqueísta em que eu vivo, que a tempestade ainda ronda por aqui.
Eu continuo a ser perseguida, no mais das vezes por mim mesma, minhas vontades e saudades e confusões, outras, como hoje, pelo mundo, que aparece estampado em capas de revistas e praticamente em tudo e qualquer coisa sobre que meus olhos recaem.
Juro que acreditei que podia só tomar a decisão de sair e sair. E que o fato de a decisão ser minha tornaria as coisas mais fáceis, ou amenizaria a frustração. Só que não é bem assim, porque eu sinto mesmo uma enorme frustração e fracasso e tantas outras coisas que eu nem sei. Minha garganta continua doendo.
Eu olho para o mundo e não entendo. Sinceramente, não entendo. Muita coisa também não me interessa entender, mas as que interessam estão, da mesma forma, fora do meu alcance.
Ontem ouvi alguém dizer que amadurecer é lidar com a frustração, hoje, sobre congelamento e sobre ver o horizonte.
Eu agora só vejo o muro ou o campo que acaba aqui, sem depois.
Já faz alguns dias que eu não choro - e tenho tido vontade.
O clima aqui é esse. Garoa. Menos, só um sereno, que esfria mas não explode e eu às vezes gosto de explosões.
Escrevo, mas sobre o quê?
Não sei mais.