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quarta-feira, 24 de outubro de 2018
João e Maria
Ato pró-Haddad nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo
Já há muitos dias pensei em vir aqui falar, mas de fato as palavras têm faltado.
Penso nas perdas que eu, pessoalmente sofri, nas dores que pareceram tão grandes, penso na saudade imensa e a sensação que eu tenho é que o insuportável é agora.
Não vivi, não vivemos, uma coisa assim antes. Todos os meus amigos de braços dados no mesmo barco de tristeza e de incredulidade e de consciência e de dor.
Que dor imensa.
Este vídeo me chegou e jogou numa nova espiral, como tantas que têm acontecido, e de todos os lugares em que estive esse é aquele da flor da pele.
Chico de novo tão atual, tudo de Chico e a gente sem acreditar. Mas, sim, João e Maria, que figuras incríveis, que sorte, que felicidade, que honra poder pedir-lhes socorro e eles virem, como sempre, eles que já viveram uma coisa assim. Há tanta beleza aí, mas o redemoinho as prende e a garganta dói.
Mas olha, veja como somos belos, como somos lindos.
Sempre tive essa sensação de São Paulo, que era esse lugar meio não-lugar, que falta uma ligação com raízes como tem o Nordeste; como se fosse uma mistura de um monte de coisas, que podem ser maravilhosas, mas faltasse ali um sentido qualquer que meus olhos não viam.
Hoje eu ouvi, hoje veio da minha terra esse canto, porque o grito já não basta e só temos tido vontade de gritar.
É hora de começar.
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