Caí de paraquedas em mim mesma.
Depois de uma tpm algo destemperada, com direito a crise existencial, sentimental e apartamental, as coisas meio que voltavam aos seus lugares de sempre quando ali, de repente, no meio de uma permuta algo vazia e meio cheia (os copos, os copos!) me lembrei de uma música do Los Hermanos, talvez das primeiras que conheci deles. Que gostei porque (rufem os tambores) me soava familiar, como se fosse uma regravação, mas não era. Como quando ouvi Amy Winehouse pela primeira vez e imaginei aquela negrona americana dos anos 1950 ou sei lá quando. Parte do registro, do que fica aqui escondido em algum lugar para nunca ser encontrado.
Mas não era regravação nada, era "novo". Eram "novos", os dois.
Aí eu ouvi aquela música, agitadinha, de dançar mas não assim muito. Uma levada gostosa.
No meio da permuta, pensei: como é mesmo que diz aquela música, de sambar sozinho?
E ela diz:
Sambo bem a dois, por mim
Bambo e só, mas sambo, sim.
O que é, a meu ver, um lema, um projeto de vida, uma razão de ser. Sambo bem a dois, por mim, bambo e só mas sambo, sim.
Aí fui lá ouvir e caí de paraquedas em mim mesma, porque né?
Tão, mas tão engraçado. Ou irônico, ou apenas e simplesmente triste, uma pessoa vir me dizer que me desconhece, quando eu já dei a ela o caminho das pedras. "Quer me conhecer? Chama 'errarsemfim'". Nem precisa saber se é blogspot ou wordpress ou posterous. Para me encontrar, basta procurar.
Eu não sambo mais em vão.
Como eu esqueci disso? Não sei dizer se já fiz muitas coisas em vão nessa vida, que não sou disso.
Sou do sentido, mesmo que o sentido seja justamente o não haver mesmo sentido.
Mas eu tinha esquecido do lema.
Acho que já vivi pensando nisso.
Me esqueci, de viver ou de pensar.
Terei esquecido como sambar?
Páginas
segunda-feira, 21 de julho de 2014
quarta-feira, 9 de julho de 2014
As chuvas de Castamere
Porque essa música é sensacional e quando eu li, não imaginei nada nem perto disso.
Porque acabei de assistir e ela grudou.
Porque, como bem sabe o Senhor de Castamere, a vingança vem a cavalo.
E só porque ali no youtube tem uma comparação entre katana japonesa e espada longa européia e eu morri de rir, lembrando que uma vez conheci um cara que curtia espadas, tinha em casa, bem Ted e Marshall, mas acho que pior porque ele também tinha problema. Como é engraçado isso das coisas que a gente lembra, hoje mesmo (terá sido hoje?) passei pelo prédio dele e me perguntei. Isso tudo já foi um dia informação tão relevante para mim e hoje faz parte de uma névoa quase que inalcançável, a não ser por esses lampejos que vira e mexe afloram da escuridão.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Deixei minhas botas em Paris
Sem politicagem e sem senso crítico e sem pensar nas coisas que importam e nas que não importam, sem pensar na fome e na morte, posso ficar triste porque deixei minhas botas em Paris?
Andei com elas por tantos lugares. Comprei-as num shopping com Lettícia; queria um coturno, mas achei minhas botas e me apaixonei por elas.
Lembro de usá-las numa festa na faculdade e encontrar o Wando.
Andei com elas por Belo Horizonte e tantas outras cidades, mas lembro bem dessa. Lembro de me vestir para sair para jantar, num quarto de hotel, calçá-las com um vestido preto e uma faixa de cabelo colorida e pensar: vou assim meio mal-ajambrada, mesmo, não é hoje que vou conhecer o grande amor da minha vida.
Pisei com elas em concreto e areia e água gelada e gelo. Compreensivelmente, talvez, elas furaram e eu as deixei em Paris.
Já disse mais de uma vez, reconhecendo o absurdo de dizê-lo, que se eu tenho um arrependimento na vida, absoluto e inquestionável, é ter deixado minhas botas em Paris.
Comprei outras botas depois, até as castiguei bastante, mas não é a mesma coisa.
Nem sei exatamente porque me lembrei disso nessa hora adiantada, é só que me lembrei de Belo Horizonte, de ver um rato na calçada e caminhar pelas ruas desertas e das estátuas (de quem, mesmo?) e vieram junto a bota e o vestido.
Talvez das coisas mais fúteis que já tive a ousadia de registrar por escrito, mas vá lá.
Também das mais verdadeiras.
Andei com elas por tantos lugares. Comprei-as num shopping com Lettícia; queria um coturno, mas achei minhas botas e me apaixonei por elas.
Lembro de usá-las numa festa na faculdade e encontrar o Wando.
Andei com elas por Belo Horizonte e tantas outras cidades, mas lembro bem dessa. Lembro de me vestir para sair para jantar, num quarto de hotel, calçá-las com um vestido preto e uma faixa de cabelo colorida e pensar: vou assim meio mal-ajambrada, mesmo, não é hoje que vou conhecer o grande amor da minha vida.
Pisei com elas em concreto e areia e água gelada e gelo. Compreensivelmente, talvez, elas furaram e eu as deixei em Paris.
Já disse mais de uma vez, reconhecendo o absurdo de dizê-lo, que se eu tenho um arrependimento na vida, absoluto e inquestionável, é ter deixado minhas botas em Paris.
Comprei outras botas depois, até as castiguei bastante, mas não é a mesma coisa.
Nem sei exatamente porque me lembrei disso nessa hora adiantada, é só que me lembrei de Belo Horizonte, de ver um rato na calçada e caminhar pelas ruas desertas e das estátuas (de quem, mesmo?) e vieram junto a bota e o vestido.
Talvez das coisas mais fúteis que já tive a ousadia de registrar por escrito, mas vá lá.
Também das mais verdadeiras.
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