De volta à "casa", com frio de lascar, canais congelados, preguiça e relógio biológico enlouquecido e, já, outra queimadura na mão. Saudades do calor tropical em que a gente queima de sol, só. Eu, uma vez, há coisa de dois anos mais ou menos, peguei uma queimadura que me fez parecer um plástico bolha, assim no colo e na barriga. São dores diferentes, porém. Essas, de fogo, doem mais ardido e rápido. É fato que eu não sei brincar com esses aquecedores e forninhos.
De volta também aos tils e circunflexos devidamente colocados, a arroba ali no 2 e não onde seria o cedilha. Fala sério, o que esse povo pensa?
Bem, eu fiquei meio doida com os carros, já não sabia qual é o lado normal deles andarem, então ao atravessar a rua lia o sinal no chão que dizia "look right" ou "look left" com setinhas apontando o respectivo lado, antes de atravessar a rua, e confirmava olhando mesmo para os dois lados. Só o balão é que salta aos olhos. Eles, obviamente, fazem o balão pro lado errado. Tão contra a natureza humana, isso...
E, assim, 2008 foi-se. Alguém viu pra que lado, anotou a placa?
Provavelmente o último post do ano nesse blog que tentou, tentou nascer em 2007 mas só conseguiu agora. Ano 1. Passou. Pelo menos é ímpar. Acho que a virada passada foi mais traumática, acho que talvez até três semanas atrás essa também parecia que ia ser, mas acho que não está sendo, nem será. É estranho, no entanto, porque a gente sempre sabe que o ano termina e sempre no mesmo dia, vejam que coisa!, mas ainda parece que foi meio de repente. Eu do meu lado planejei o Natal e depois nada e o depois chegou e eu não sei o que vem e não importa muito. Não estou arrasada como poderia estar.
Mas tem uma coisa na qual andei pensando.
Qual é a dessas pessoas apaixonantes? Assim, instantaneamente, à primeira vista; por vezes nem um rosto perfeito, mas lindo, e as expressões e a voz. Acho que a voz é o mais importante. Conheci uma dessas figuras impactantes no feriado, que calha de ser uma prima distante. E a gente sente uma mistura de um amor idólatra e uma inveja corrosiva, que faz pessoas comuns como eu começar a imitá-las imediatamente. E uma imperfeição e uma impaciência, não sei. Dá uma vontade de ser assim, uma garota genuína, e ficar por perto e conhecer mais e ouvir histórias sobre.
Me apaixonei também pelo pai dela, um inglês assim de meia idade, simpático que só.
E a mãe, mas essa também é prima e mais próxima.
Tive um ótimo Natal, de noites em claro numa família maluca que tem a peculiaridade de ser, inteirinha, notívaga. De risada de cuspir bebida, e comida boa, e passeios agradáveis num inverno rigoroso.
Tenho a sensação de que as coisas estão no lugar certo e são o que deveriam ser. Sinto assim uma tranquilidade e uma esperança, sem angústia e aperto no peito, apesar da tristeza e saudade que às vezes bate. Mas sem desespero.
E se a coisa aperta, ouço a Lida, que diz que está tudo bem e dá na gente um alongar-se langoroso, um espreguiçar-se felino.
Acaba o ano e sei lá. Sem grandes considerações a fazer. Esperemos pelo próximo, que seja ainda melhor do que esse.
Páginas
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Caras (os)
Mesmo que eu queria, e impossivel atualizar a partir de um teclado sem acentos.
E como eu nao sei escrever a mao, e como minha memoria e pessima, provavelmente o que eu escreveria agora se perde no mundo das palavras perdidas, junto aos guarda-chuvas (ainda nao sei fazer esse plural...), canetas e pes de meia.
Ate gostaria de escrever um texto com mais acentos, para dar maior estranheza, mas a inspiracao - e principalmente a expiracao - para tal trabalho no momento falta.
Entao, ate ja.
E como eu nao sei escrever a mao, e como minha memoria e pessima, provavelmente o que eu escreveria agora se perde no mundo das palavras perdidas, junto aos guarda-chuvas (ainda nao sei fazer esse plural...), canetas e pes de meia.
Ate gostaria de escrever um texto com mais acentos, para dar maior estranheza, mas a inspiracao - e principalmente a expiracao - para tal trabalho no momento falta.
Entao, ate ja.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
domingo, 7 de dezembro de 2008
Dos cegos.
Ouvindo Ana Carolina.
Sem associações, sinceramente, somente aquelas da força do hábito, mas essas independem de mim e dos meus sentimentos.
Eu aqui sigo livre, esperando que dure eternamente.
Aí começa "vestido estampado". Não traz um aperto e uma tristeza e um sufoco. Vêm pensamentos, porque eu sou o cúmulo do egocentrismo e tudo que acontece no mundo, ao meu redor ou não, eu pergunto se se refere - ou poderia - a mim.
E eu tô num momento tão over que seria triste, se não fosse livre.
Tudo acabado, assim, tão final e indolorosamente que chega a assustar.
E aí eu me pergunto das coisas que eu nunca saberei, aquilo das impressões alheias sobre tudo que se relaciona a mim. Mágoas ficam pelo caminho, aos montes, como é da vida. Tristezas e penas e chateações, qualquer nome que se dê, como é da vida. Eu da minha parte não sinto vontade nem necessidade nem força para recolher cacos. Eles ficam no chão, aonde pertencem, e eu sigo meu caminho.
Mas hoje, especificamente hoje, eu penso em como as pessoas são escrotas umas com as outras. Vê-las fazendo tantas merdas quase que é desesperador, se não estivesse acabado. E a pior delas é isso da gente nunca nunca conseguir saber exatamente quando somos nós a fazê-las. É tão fácil e simples ver de fora, perceber e diagnosticar, de longe a gente sabe, mas aí quando somos nós dirigindo perdemos a noção.
Talvez o mundo pareça um lugar mais compreensível e menos cruel se a gente for lembrando disso, que tá todo mundo aqui muito perdido tentando ser feliz, o que quer que isso signifique para cada pessoa. E, na tentativa, somos cegos, como escreveu o Saramago, e vamos pisando uns nos outros, às vezes propositadamente e outras simplesmente porque não podemos ver.
Só que isso não muda nada para quem está embaixo, tendo a cabeça ou o coração esmagado. A dor dói à mesma e não há pensamento ou compaixão que alivie. E, desnorteados, é bem possível que ao nos debatermos atinjamos ainda outra cabeça ou coração e assim a coisa vai.
Nós fazemos e não sabemos parar.
Veio a chuva e ficou tudo tão desigual.
Por algum motivo inexplicável, entre o frio e os chuviscos e os dias de oito horas, através da distância e dos silêncios cheios de palavras, eu aqui, no meu quarto azul, rodeada de coisas, sigo tendo uma esperança quase infantil, em mim e - talvez até - nas pessoas. Menos uma ou duas, mas ainda em uma ou duas, porque são também elas crianças. Só que sejam e fiquem do lado de lá.
O daqui está cheio. Por enquanto.
Sem associações, sinceramente, somente aquelas da força do hábito, mas essas independem de mim e dos meus sentimentos.
Eu aqui sigo livre, esperando que dure eternamente.
Aí começa "vestido estampado". Não traz um aperto e uma tristeza e um sufoco. Vêm pensamentos, porque eu sou o cúmulo do egocentrismo e tudo que acontece no mundo, ao meu redor ou não, eu pergunto se se refere - ou poderia - a mim.
E eu tô num momento tão over que seria triste, se não fosse livre.
Tudo acabado, assim, tão final e indolorosamente que chega a assustar.
E aí eu me pergunto das coisas que eu nunca saberei, aquilo das impressões alheias sobre tudo que se relaciona a mim. Mágoas ficam pelo caminho, aos montes, como é da vida. Tristezas e penas e chateações, qualquer nome que se dê, como é da vida. Eu da minha parte não sinto vontade nem necessidade nem força para recolher cacos. Eles ficam no chão, aonde pertencem, e eu sigo meu caminho.
Mas hoje, especificamente hoje, eu penso em como as pessoas são escrotas umas com as outras. Vê-las fazendo tantas merdas quase que é desesperador, se não estivesse acabado. E a pior delas é isso da gente nunca nunca conseguir saber exatamente quando somos nós a fazê-las. É tão fácil e simples ver de fora, perceber e diagnosticar, de longe a gente sabe, mas aí quando somos nós dirigindo perdemos a noção.
Talvez o mundo pareça um lugar mais compreensível e menos cruel se a gente for lembrando disso, que tá todo mundo aqui muito perdido tentando ser feliz, o que quer que isso signifique para cada pessoa. E, na tentativa, somos cegos, como escreveu o Saramago, e vamos pisando uns nos outros, às vezes propositadamente e outras simplesmente porque não podemos ver.
Só que isso não muda nada para quem está embaixo, tendo a cabeça ou o coração esmagado. A dor dói à mesma e não há pensamento ou compaixão que alivie. E, desnorteados, é bem possível que ao nos debatermos atinjamos ainda outra cabeça ou coração e assim a coisa vai.
Nós fazemos e não sabemos parar.
Veio a chuva e ficou tudo tão desigual.
Por algum motivo inexplicável, entre o frio e os chuviscos e os dias de oito horas, através da distância e dos silêncios cheios de palavras, eu aqui, no meu quarto azul, rodeada de coisas, sigo tendo uma esperança quase infantil, em mim e - talvez até - nas pessoas. Menos uma ou duas, mas ainda em uma ou duas, porque são também elas crianças. Só que sejam e fiquem do lado de lá.
O daqui está cheio. Por enquanto.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Leve
Já há algum tempo eu penso nisso.
Vi algumas pessoas - orkut é isso, minha gente! - colocarem como lema, quem sou eu, ou sei lá o que, "viver ou morrer é o de menos, a vida inteira pode ser qualquer momento; ser feliz ou não, questão de talento". Uau, né, que profundo!
A minha dúvida, ao ver isso estampado na cara de alguém, é se a pessoa tem alguma auto-crítica. A sério. Sei lá, se pensa um pouco sobre si e o mundo, para além de se fazer auto-elogios ou querer parecer bem sem grande esforço.
Eu concordo inteiramente com a idéia, não haja dúvida sobre isso.
Mas a única pessoa feliz que eu conheço é minha sobrinha de 3,5 anos.
Vasculho minha cabeça, as lembranças, pessoas que eu vi na rua, e só penso nela. Nem eu com 3,5 anos não era feliz. Acho, ou não lembro de ser. Talvez seja essa a questão, de ver a felicidade sempre nos outros, a eterna história que me persegue e eu persigo, da grama do vizinho que, pelo menos aos meus olhos sem talento, insistem em parecer mais verde.
Não que eu seja um poço de infelicidade, mas sou, sim, uma pessoa melancólica que vez por outra tem momentos assim de uma alegria gritante que passa rápido demais. E eu ainda não aprendi a sentir isso mais vezes ou por mais tempo, não aprendi que é o pequeno que nos faz feliz, porque para mim o pequeno que me faz feliz torna-se grande, ainda que momentaneamente, e depois murcha e se esvai.
Como ver uma criança com um folha outonal na mão, andando devagar e sendo deixada para trás pela mãe que leva outro bebê num carrinho, até se voltar e esperar paciente e carinhosamente a chegada da criança e da folha (é um post maternal!) ou um velhinho pedalando, devagar mas pedalando, ou um raio de sol num dia escuro, essas coisas me trazem uma alegria que às vezes é plena, mas ainda assim intermitente. Não dura, e talvez seja essa a lição da vida, que nada dura.
Eu tinha medo desse momento, do depois, de não ter nada resolvido e sentir ainda uma dor imensa. A verdade é que não, pode ser uma anestesia ou o choque, mas agora já não dói, agora tenho esperança. Agora me sinto pronta para ver o mundo sem a venda que me tampou os olhos durante tanto tempo.
Uma vez eu disse sobre "tocando em frente" que é uma música de que gosto muito, mas que para mim é futuro, que eu esperava ser um dia uma pessoa que a pudesse cantar com sinceridade, e que no momento eu só podia esperar, e cantar algo sinceramente esperando a verdade vir um dia.
Mesma coisa.
Eu, por mim, se tivesse de citar a canção, e tenho, diria: "leve, a semente vai onde o vento leva; gente pesa. Por mais que invente, só vai onde pisa."
Vi algumas pessoas - orkut é isso, minha gente! - colocarem como lema, quem sou eu, ou sei lá o que, "viver ou morrer é o de menos, a vida inteira pode ser qualquer momento; ser feliz ou não, questão de talento". Uau, né, que profundo!
A minha dúvida, ao ver isso estampado na cara de alguém, é se a pessoa tem alguma auto-crítica. A sério. Sei lá, se pensa um pouco sobre si e o mundo, para além de se fazer auto-elogios ou querer parecer bem sem grande esforço.
Eu concordo inteiramente com a idéia, não haja dúvida sobre isso.
Mas a única pessoa feliz que eu conheço é minha sobrinha de 3,5 anos.
Vasculho minha cabeça, as lembranças, pessoas que eu vi na rua, e só penso nela. Nem eu com 3,5 anos não era feliz. Acho, ou não lembro de ser. Talvez seja essa a questão, de ver a felicidade sempre nos outros, a eterna história que me persegue e eu persigo, da grama do vizinho que, pelo menos aos meus olhos sem talento, insistem em parecer mais verde.
Não que eu seja um poço de infelicidade, mas sou, sim, uma pessoa melancólica que vez por outra tem momentos assim de uma alegria gritante que passa rápido demais. E eu ainda não aprendi a sentir isso mais vezes ou por mais tempo, não aprendi que é o pequeno que nos faz feliz, porque para mim o pequeno que me faz feliz torna-se grande, ainda que momentaneamente, e depois murcha e se esvai.
Como ver uma criança com um folha outonal na mão, andando devagar e sendo deixada para trás pela mãe que leva outro bebê num carrinho, até se voltar e esperar paciente e carinhosamente a chegada da criança e da folha (é um post maternal!) ou um velhinho pedalando, devagar mas pedalando, ou um raio de sol num dia escuro, essas coisas me trazem uma alegria que às vezes é plena, mas ainda assim intermitente. Não dura, e talvez seja essa a lição da vida, que nada dura.
Eu tinha medo desse momento, do depois, de não ter nada resolvido e sentir ainda uma dor imensa. A verdade é que não, pode ser uma anestesia ou o choque, mas agora já não dói, agora tenho esperança. Agora me sinto pronta para ver o mundo sem a venda que me tampou os olhos durante tanto tempo.
Uma vez eu disse sobre "tocando em frente" que é uma música de que gosto muito, mas que para mim é futuro, que eu esperava ser um dia uma pessoa que a pudesse cantar com sinceridade, e que no momento eu só podia esperar, e cantar algo sinceramente esperando a verdade vir um dia.
Mesma coisa.
Eu, por mim, se tivesse de citar a canção, e tenho, diria: "leve, a semente vai onde o vento leva; gente pesa. Por mais que invente, só vai onde pisa."
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Violino violão eu
Isso aconteceu antes apenas uma vez.
Na OPESP, ao som de Brahms, acho que foi quando meu pai cantarolou ao meu lado um trechinho da melodia, ao reconhecê-la, e soltou um "ah..." de surpresa e reconhecimento. Engraçado que eu não me dou tão bem assim com meu pai, não nos últimos anos em que ele insiste em me ver como criança e eu insisto em me irritar com ele pelos motivos mais imbecis, mas é fato que a 3a. se tornou para mim "A 3a." por causa do "ah..." do meu pai, que não quer que eu passe vexame.
Essa música ficou na minha mente pra sempre, escrevi sobre ela e tive a melhor resposta que já tive em toda a minha vida, e a associei com o livro que eu lia então, Em busca do tempo perdido, em que há uma melodia que perpassa toda a história, e que me fez achar que eu também tinha uma música que perpassasse a minha história e foi essa, por tanto tempo.
Uma vez, num hotel, calhou de eu ver na televisão a gravação desse concerto e se não me tocou tanto quanto o original é que reproduções não têm esse poder, mas eu saí do chão, saí de mim e eu, quando saio de mim, é com um sofrimento imenso.
Agora, quando eu achei força para deixar para trás uma coisa - ok, coisa não, né, pessoa - que eu queria muito, quis muito, achei que pudesse ter parcialmente, porque é assim que a gente tem as pessoas na vida e eu sei disso, mas eu não pude, agora.
Há uns meses apaixonei no Baden, depois ouvi o Rogério tocar e apaixonei mais, depois vi um filme com o Yamandu Costa tocando Baden e decidi ouvi-lo mais seriamente. Baixei os cds, para ouvir trabalhando, quando não posso com letras, e deixei tocando até ela chegar.
Ela chegou e me arrebatou.
E agora quando talvez eu jogue uma felicidade pelo ralo e a vida me sai dos olhos, ao mesmo tempo que me enche, e eu não sei se sinto alegria ou tristeza, e talvez sinta liberdade, que vai durar alguns minutos até minha cabeça se recuperar do choque, até voltar a pensar e me banhar com flashes imaginários de cenas imaginárias que eu não fui capaz de constatar se são reais, agora eu penso em que música ouvir - e minha decisão foi pela música, porque quando pensei "sim" não conseguia pensar em nada para ouvir, sentia tudo de que gosto maculado, e quanto pensei "não", senti que ainda poderia ouvi-las e elas seriam ainda minhas - ela vem e me toma e eu sou esse violino e esse violão.
Lida, Yamandu Costa.
Ele nunca vai saber disso e é uma mentira, mas é verdade.
Sem resposta.
Violino violão eu.
Na OPESP, ao som de Brahms, acho que foi quando meu pai cantarolou ao meu lado um trechinho da melodia, ao reconhecê-la, e soltou um "ah..." de surpresa e reconhecimento. Engraçado que eu não me dou tão bem assim com meu pai, não nos últimos anos em que ele insiste em me ver como criança e eu insisto em me irritar com ele pelos motivos mais imbecis, mas é fato que a 3a. se tornou para mim "A 3a." por causa do "ah..." do meu pai, que não quer que eu passe vexame.
Essa música ficou na minha mente pra sempre, escrevi sobre ela e tive a melhor resposta que já tive em toda a minha vida, e a associei com o livro que eu lia então, Em busca do tempo perdido, em que há uma melodia que perpassa toda a história, e que me fez achar que eu também tinha uma música que perpassasse a minha história e foi essa, por tanto tempo.
Uma vez, num hotel, calhou de eu ver na televisão a gravação desse concerto e se não me tocou tanto quanto o original é que reproduções não têm esse poder, mas eu saí do chão, saí de mim e eu, quando saio de mim, é com um sofrimento imenso.
Agora, quando eu achei força para deixar para trás uma coisa - ok, coisa não, né, pessoa - que eu queria muito, quis muito, achei que pudesse ter parcialmente, porque é assim que a gente tem as pessoas na vida e eu sei disso, mas eu não pude, agora.
Há uns meses apaixonei no Baden, depois ouvi o Rogério tocar e apaixonei mais, depois vi um filme com o Yamandu Costa tocando Baden e decidi ouvi-lo mais seriamente. Baixei os cds, para ouvir trabalhando, quando não posso com letras, e deixei tocando até ela chegar.
Ela chegou e me arrebatou.
E agora quando talvez eu jogue uma felicidade pelo ralo e a vida me sai dos olhos, ao mesmo tempo que me enche, e eu não sei se sinto alegria ou tristeza, e talvez sinta liberdade, que vai durar alguns minutos até minha cabeça se recuperar do choque, até voltar a pensar e me banhar com flashes imaginários de cenas imaginárias que eu não fui capaz de constatar se são reais, agora eu penso em que música ouvir - e minha decisão foi pela música, porque quando pensei "sim" não conseguia pensar em nada para ouvir, sentia tudo de que gosto maculado, e quanto pensei "não", senti que ainda poderia ouvi-las e elas seriam ainda minhas - ela vem e me toma e eu sou esse violino e esse violão.
Lida, Yamandu Costa.
Ele nunca vai saber disso e é uma mentira, mas é verdade.
Sem resposta.
Violino violão eu.
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