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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Vai saber

Suavidade em forma de som, tinha de ser Marisa cantando e Adriana compondo...


Não vá pensando que determinou
sobre o que só o amor pode saber
só porque disse que não me quer
não quer dizer que não vá querer
pois tudo que se sabe do amor
é que ele gosta muito de mudar
e pode aparecer onde ninguém ousaria supor
só porque disse que de mim não pode gostar
não quer dizer que não tenha do que duvidar
pensando bem pode mesmo chegar a se arrepender
e pode ser então que seja tarde demais
vai saber?


Não vá pensando que determinou
sobre o que só o amor pode saber
só porque disse que não me quer
não quer dizer que não vá querer
pois tudo que se sabe do amor
é que ele gosta muito de se dar
e pode aparecer onde ninguém ousaria se por
só porque disse que de mim não pode gostar
não quer dizer que não tenha o que considerar
pensando bem pode mesmo chegar a se arrepender
e pode ser então que seja tarde demais
vai saber?


Não vá pensando que determinou
sobre o que só o amor pode saber
só porque disse que não me quer
não quer dizer que não vá querer
pois tudo que se sabe do amor
é que ele gosta muito de jogar
e pode aparecer onde ninguém ousaria supor
só porque disse que de mim não pode gostar
não quer dizer que não venha a reconsiderar
pensando bem pode mesmo chegar a se arrepender
e pode ser então que seja tarde demais...

Clandestino

Estou me sentindo meio desconfortável na minha pele.
Podem ser hormônios, a lua, o sol ou saturno de novo, pode ser doideira minha ou só a vida que segue seu curso, mas ainda é ruim. Tive uma série de estranhamentos ultimamente, com as pessoas ao meu redor crescendo e eu me sentindo um tanto estagnada, em parte por minhas escolhas, em parte não.
Aí estava aqui conversando com uma amiga bem resolvida, se é que alguém o é, e achei tão curioso que ela também está na maior crise. Numa vida completamente diferente da minha, morando num lugar totalmente diferente do meu, com encanações totalmente outras, e ainda em crise.
O foda é perceber isso, as crises não passam; se transformam aqui e ali, mas sempre existem. E cansa tanto, perceber isso todos os dias de novo; a gente sabe, mas esquece, aí uma vem e passa e a gente suspira e diz "ufa, essa já foi" e ali na esquina tem outra se formando. Por uma coisa ou outra ou ambas.
E tava cozinhando antes, em silêncio à princípio, depois cacei um Manu Chao há meses esquecido e cheguei a essa conclusão, totalmente alheia, eu acho, ao que ele quis dizer, mas desse sentimento de ser clandestino na vida.
Sei lá.
E o buraco que não enche, não importa o quê?
A verdade é que nós todos viemos pra vida sem papel, meu caro.
Esses dias levei a sobrinha para tomar sorvete com uma amiga minha. Ela ali sentadinha, tomando o sorvete azul, e eu e a amiga conversando ao lado, na mesa. Boca suja que sou, não seguro um palavrão, um filho-da-puta qualquer, mas como a sobrinha cresce e acho inconveniente ela começar a falar tantos palavrões tão cedo, contornei, ou melhor, corrigi, para "filho-da-mãe". Eis que a sobrinha dá uma pausa no sorvete azul, olha para mim pensativa e rebate: mas todo mundo é filho da mãe. Elementar, minha cara. Eu bem olhei pra ela e respondi da única forma que me ocorreu: é, você tem razão... mas uns são mais que outros.
Achei tanta graça nessa minha imbecilidade, o que provavelmente não revela de mim mais do que eu ser uma tremenda imbecil.
Então é isso; ninguém leva papel, mas uns levam menos que outros. Muito menos, no caso.
E eis que ressurge em mim a vontade de sair, outra língua, outra geografia, ser em outro lugar alguma outra coisa que é a mesma.
A rima, Drummond, a rima, que diabos, e onde caralhos está a solução?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Desafio

Chega de tentar dissimular
e disfarçar e esconder
o que não dá mais pra ocultar,
e eu não posso mais calar
já que o brilho desse olhar foi traidor
e entregou o que você tentou conter
o que você não quis desabafar
e me cortou.
Chega de temer, chorar, sofrer
sorrir, se dar
e se perder e se achar
e tudo aquilo que é viver.
Eu quero mais é me abrir
e que essa vida entre assim
como se fosse o sol
desvirginando a madrugada
quero sentir a dor dessa manhã
nascendo, rompendo, rasgando,
tomando meu corpo e então
eu chorando, sofrendo,
gostando, adorando, gritando
feito louca, alucinada e criança
sentindo meu amor se derramando
não dá mais pra segurar

Choquei

Fui ali atualizar a lista de livros que venho lendo e, nossa, tem ali menos de sessenta. Em cinco anos (nossa-tô-velha!), dá menos de um por mês. Ok que li mais que isso, porque alguns esqueci de colocar, outros censurei (galera, juro por deus, eu não li crepúsculo!) e tem todos aqueles de trabalho que não vêm ao caso da lista. E alguns da própria lista eu reli, mas fiquei com vergonha de dizer, porque né, tanta coisa pra ler e eu aqui, voltando pra trás. Mas um por mês, se a minha coisa é literatura?! Se eu simplesmente não durmo sem um livro, se me sinto vazia, como estive nesses últimos meses, por estar sem a companhia de um?! E ainda assim, com a corda no pescoço, comprei o diabo do McEwan e não consegui largar.
Tudo bem que só os de gelo e fogo têm oitocentos cenzilhões de páginas, mas o que é isso?! E toda minha vida social prejudicada porque eu simplesmente tinha que saber o que ia acontecer e não queria curtir a noite adoidado?!
Muito pouco, dona Maga, muito pouco.
Tratar de melhorar esses números.

Afe, afe, afe

E o Corinthians campeão do Mundial, hein?!
Eu, mamãe e Juca ficamos muito felizes e olha que foi duro, mas de repente nem tanto assim.
Eu que sonhei uns dias antes que a gente perdia e acordei assustada. Não passou de pesadelo.
Aí a Claro, acho, fez uma propaganda de natal ou uma merda qualquer, cujo mote era as pessoas darem umas às outras momentos especiais. E um cara chega pro outro, no escritório, com um pacote embrulhado e com fita e diz "os gols da final do campeonato" e toda minha inocência se revela.
Porque eu me emociono pensando como seria bom, reviver momentos especiais, poder voltar e sentir de novo aquilo que só pode ser efêmero, porque afinal esse é o meu Vinteuil, é onde eu sempre volto, e não posso voltar, como ninguém mais pode, mas eu acho bonito, um cara dar pro outro um embrulho com os gols da final do campeonato. Acho poético.
Mas então volta o ser pensante e minha inocência falece, porque a propaganda... bem, na propaganda, o cara "os gols da final do campeonato" porque ele tem um Claro e gravou. Risos.
E aí, o mundo acaba hoje ou semana que vem?

Sempre tem...

Ai, voltar. Será mesmo possível? Tanta e tanta água já correu e tanta já estagnou.
Estranhíssimo esse 2012 que acabou sem fogos de artifício e sem roupa nova e sem champanhe. Nunca gostei de champanhe, na verdade; faz tudo parte do mesmo princípio das bolhas que me fazem desgostar de refrigerantes e água com gás.
A verdade é que eu ando a cada ano mais desencantada com essa história do novo que começa. Aliás, nem bem do novo, mas do começo, aquela hora igual a todas as outras em que as pessoas se desesperam para alcançar uma felicidade que a qualquer hora parece tão inatingível.
E o Natal?! Nem vou começar a falar a irritação que essa história toda me provoca - mesmo agnóstica-quase-atéia tenho cá minhas superstições e não quero falar mal do jesus. Aí algumas pessoas queridíssimas de verdade, no melhor espírito do querer, me mandam uma mensagem de feliz natal e eu penso: pessoas queridas, eu até amo vocês, mas natal não dá.
Então que, de um certo ponto de vista, meu ano começou agora. Porque até há poucas horas, eu estava presa ao que já terminou, por todas as minhas inseguranças e vagabundices e enrolações e procrastinações, pela minha culpa e pela festa desenfreada em que começou. Depois veio o penar e, de repente... não sei, de repente eu preciso pensar que tudo começa de novo e que eu posso ser diferente e preciso ser diferente.  E que o ano passado acabou e que esse já é outro.
Tão estranho pensar que janeiro de 2013 já se esvai, assim. Onde estava eu, um ano atrás?
Feliz, eu estava. Lembro-me de olhar para o teto, deitada na minha cama, as paredes amarelas e as duas janelas que deixavam entrar o sol e eu pensar: estou feliz. Porque eu achei, há um tempo, minha definição de felicidade: são aqueles momentos em que não quero estar em nenhum outro lugar além daquele em que estou. Eu me debato em ficar satisfeita com essa idéia, nos momentos em que ela me ocorre, e em procurá-la desesperadamente, quando me foge. Tão raro, mas assim eu me senti até mais ou menos meu aniversário, que eu vou demorar talvez um tempo para entender. Acho que bateu ali a dor da perda e da distância e esse buraco que existe em mim, quiçá em todos nós, que de vez em quando cisma de doer apesar de todo o resto.
Pois cá estou eu, às vésperas de outro natalício e ainda aquele importantão. Tenho importunado as pessoas, perguntando como é, e às vezes sou mal interpretada como se estivesse insatisfeita ou com medo ou achando ruim. O fato é que eu nem acho nada, só me sinto curiosa para saber, o que nem vai demorar.
Por isso, nessa noite que vai se encaminhando para o fim, em que me sobreveio esse quê de liberdade por tanto tempo ansiado, achei por bem tentar voltar. Tentar, sim, porque me pergunto até que ponto é possível.
Tanta gente diz que a gente vai ficando mais velho e aprendendo e eu quase consigo acreditar - não fosse pelo fato de permanecer tão inescapavelmente eu. Mas aqui e ali, uma resposta engolida, uma palavra de conciliação, uma decisão tomada e eu quase pareço adulta.
Se para crescer eu não sei, mas tenho certeza de que, se em algum momento eu resolver me visitar e voltar ali nas estações passadas, vou perceber que muita coisa mudou. Se nada mais, aquela urgência em dizer parece ter se acalmado. A vontade indomável de falar e ser ouvida, a ponto de gritar e berrar, pelo menos por ora, não me acomete. Será o silêncio menos triste? Ou melhor posto, menos melancólico?
Terei eu contado aqui do dia em que perguntei a um grupo de pessoas que mal me conhecia se me acreditavam melancólica, e a resposta surpreendente foi um tipo de negação, algo como "não, não tem nada errado com você" ou assim. Pelo menos assim eu senti, enquanto me surpreendia em silêncio e pensava que ninguém sabe nada de ninguém nessa vida, mesmo.
Ainda a mania de escrever "eu" o tempo todo. E tenho cometido uns erros de escrita nada naturais, pergunto-me mesmo, hipocondríaca que sou, se não há aí algo de realmente errado. Bem, se houver, saberemos a seu tempo.
Eu por aqui volto a ler Anna Kariênina, aquela mulher adúltera sobre a qual não sei o que sinto.
PS: Ah, sim, do título, da música do Martinho da Vila que ouço um pedaço na novela e ficou na minha mente e eu fui procurar agora e começou um samba e eu achei tão lindo.