Sempre que eu penso em procrastinação, lembro do Filipe, da Mafalda, não fazendo o dever de casa.
Coisa de que aliás eu confesso sentir falta. Isso de chegar em casa e fazer uma lição. Principalmente dos problemas de matemática. Sim, eu tenho um quê de maluca.
Mas também tem o outro lado - da procrastinação, não meu, que tenho mais de dois - que é o enrolar para fazer uma coisa que na verdade te dá algum prazer. O melhor da festa ser esperar por ela.
Não morro de preguiça ou angústia ao pensar em terminar arrumação aqui, mas fico enrolando, pra prolongar a curtição.
No meio tempo, ouvi a Sonata ao Luar - será esse o nome? - do Beethoven (eu acho). Eu normalmente detesto abrir um site qualquer e ser invadida pro uma música qualquer, que significa algo para a pessoa que a colocou ali, mas a mim serve de poluição sonora. Mas essa caiu tão tão bem, o piano, me lembrando de quando eu sonhava em tocar, e fica ouvindo essa música sem parar.
Fato que eu gosto de música erudita, clássica, ou seja lá o nome que tiver, e agora o Neschling foi demitido.
Mas eu vou então.
Cossaco fora.
Páginas
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Hmmmmm
Sem comentários sobre o quanto eu sou besta. Nesse mundo.
O lance é que, entre músicas do Rappa que aparecem do nada e me fazem rir horrores e maldades alheias que estouram também em gargalhadas súbitas, eu senti de repente um gosto familiar, que veio não sei de onde, e veio chegando e podia passar e eu ficar pensando na coisa que eu senti uma vontade enorme de comer sem saber o que é, e me lembrei. Leite de fazenda com Nescau. Aquele mesmo gorduroso, mas depois de fervido.
Que eu quando era criança não gostava.
Isso, esse é um post sobre leite.
Tão eu.
O lance é que, entre músicas do Rappa que aparecem do nada e me fazem rir horrores e maldades alheias que estouram também em gargalhadas súbitas, eu senti de repente um gosto familiar, que veio não sei de onde, e veio chegando e podia passar e eu ficar pensando na coisa que eu senti uma vontade enorme de comer sem saber o que é, e me lembrei. Leite de fazenda com Nescau. Aquele mesmo gorduroso, mas depois de fervido.
Que eu quando era criança não gostava.
Isso, esse é um post sobre leite.
Tão eu.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Das memórias criadas
Da música do Zeca Baleiro, ele contando que lembra da mãe dele cantando. E a vozinha quase inaudível, no final da música. E aquela tristeza saudade boa, agridoce, que aperta mas não arrocha.
A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha
Só porque
Só porque
O meu amor morreu na virada da montanha
O meu amor morreu na virada da montanha
E quem passa na cidade vê
Do alto a casa verde de sapê
Ainda... A trepadeira no caramanchão
Amor-perfeito pelo chão em quantidade.
Canta Francisco Alves, que me faz lembrar meu pai e Cinema, aspirinas e urubus.
A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha
Só porque
Só porque
O meu amor morreu na virada da montanha
O meu amor morreu na virada da montanha
E quem passa na cidade vê
Do alto a casa verde de sapê
Ainda... A trepadeira no caramanchão
Amor-perfeito pelo chão em quantidade.
Canta Francisco Alves, que me faz lembrar meu pai e Cinema, aspirinas e urubus.
Mini flashback
Ah, voltar.
Tenho pensado muito no Proust esses dias, andei relendo meus comentários de quando acabei o livro, e são tão... insuficientes! Mas é a velha história, há que ir até lá para perceber. O cara demorou sete livros pra concluir alguma coisa, vou lá eu pode resumir, ou sequer entender. Mas o fato é que eu amei aquelas páginas, amei lê-las e o que elas me trouxeram e agora elas, como tantas outras, páginas e coisas, já se foram.
Fica a certeza de um momento, apenas, de uma felicidade plena e passageira. Não será assim toda felicidade?
Eu já disse aqui, acho que para mim escrever tem dois grandes atrativos: da mesma maneira que ajuda a levar embora, trazendo um alívio, um desabafo, traz também de volta, quando a dor já passou, e a gente pode olhar para o eu de ontem e não reconhecê-lo. De novo o Proust.
Tudo que vai e volta e a nossa única saída é seguir em frente.
Isso tudo porque me lembrei de uma conversa que tive com uma amiga, há muitos meses, em que eu ria alucinadamente, conversa essa que transcrevi, na íntegra depois homeopatica e incompreensivelmente para meu blog de então. E ela permanece lá, a conversa e a pessoa, me dizendo das coisas que foram e da pessoa que há muito e muito tempo não sou.
Nesse ínterim, eu voltei a ouvir Pink Floyd.
Quem foi que disse que a gente não pode voltar?
Agradeço aos portadores.
Tenho pensado muito no Proust esses dias, andei relendo meus comentários de quando acabei o livro, e são tão... insuficientes! Mas é a velha história, há que ir até lá para perceber. O cara demorou sete livros pra concluir alguma coisa, vou lá eu pode resumir, ou sequer entender. Mas o fato é que eu amei aquelas páginas, amei lê-las e o que elas me trouxeram e agora elas, como tantas outras, páginas e coisas, já se foram.
Fica a certeza de um momento, apenas, de uma felicidade plena e passageira. Não será assim toda felicidade?
Eu já disse aqui, acho que para mim escrever tem dois grandes atrativos: da mesma maneira que ajuda a levar embora, trazendo um alívio, um desabafo, traz também de volta, quando a dor já passou, e a gente pode olhar para o eu de ontem e não reconhecê-lo. De novo o Proust.
Tudo que vai e volta e a nossa única saída é seguir em frente.
Isso tudo porque me lembrei de uma conversa que tive com uma amiga, há muitos meses, em que eu ria alucinadamente, conversa essa que transcrevi, na íntegra depois homeopatica e incompreensivelmente para meu blog de então. E ela permanece lá, a conversa e a pessoa, me dizendo das coisas que foram e da pessoa que há muito e muito tempo não sou.
Nesse ínterim, eu voltei a ouvir Pink Floyd.
Quem foi que disse que a gente não pode voltar?
Agradeço aos portadores.
Semente
Vontade insana de "don't look back in anger". Nem curto Oasis, mas é assim, a vida, né? De repente a gente tem uns revertérios.
O fato é que meu quarto está, novamente, um caos, minhas malas não suportam o tanto de coisas que eu tenho que colocar dentro delas, mas acho que agora terminei minhas compras.
Assisti ao novo episódio de Grey's Anatomy e bateu uma tristeza/melancolia que eu até queria fosse maior, pra poder vazar sem esforço. Mas sem mais lágrimas desesperadas por aqui, por enquanto, só mesmo esse sacolejo que me acompanha e que, se não me deixa ser feliz e leve, semente, também embala.
Agora há pouco tive mais um desses momentos esquisitos em que a gente percebe que o tempo passa fora de nosso controle; fui ver no youtube o clipe do Oasis, e dizia que tinha sido postado há dois anos, em janeiro de 2007. Confesso que parei pra fazer contas, quase nos dedos.
Janeiro de 2007 foi mesmo há dois anos.
Agora é já quase fevereiro de 2009.
Minha irmã, a palhaça, fez ontem trinta anos e eu, em breve, mudo de caixinha e faço 26.
Será que esse ano o inferno astral mostra suas garras? Eu já estou nele, teoricamente, e ainda não identifiquei.
A verdade é que estou me sentindo muito quase, agora. Quase muito triste, quase gostando de mim, quase voltando pra casa. Fome é que eu não tenho, que quase morri de comer.
O fato é que meu quarto está, novamente, um caos, minhas malas não suportam o tanto de coisas que eu tenho que colocar dentro delas, mas acho que agora terminei minhas compras.
Assisti ao novo episódio de Grey's Anatomy e bateu uma tristeza/melancolia que eu até queria fosse maior, pra poder vazar sem esforço. Mas sem mais lágrimas desesperadas por aqui, por enquanto, só mesmo esse sacolejo que me acompanha e que, se não me deixa ser feliz e leve, semente, também embala.
Agora há pouco tive mais um desses momentos esquisitos em que a gente percebe que o tempo passa fora de nosso controle; fui ver no youtube o clipe do Oasis, e dizia que tinha sido postado há dois anos, em janeiro de 2007. Confesso que parei pra fazer contas, quase nos dedos.
Janeiro de 2007 foi mesmo há dois anos.
Agora é já quase fevereiro de 2009.
Minha irmã, a palhaça, fez ontem trinta anos e eu, em breve, mudo de caixinha e faço 26.
Será que esse ano o inferno astral mostra suas garras? Eu já estou nele, teoricamente, e ainda não identifiquei.
A verdade é que estou me sentindo muito quase, agora. Quase muito triste, quase gostando de mim, quase voltando pra casa. Fome é que eu não tenho, que quase morri de comer.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Acho que é o brinco.
Ok, essa luz amarela é... amarela!
Mas tem um quê meu nessa foto de que eu gosto.
As luzes por aqui são mesmo mais amareladas, e talvez a câmera, na qual eu ainda não sei mexer, estivesse mal ajustada.
Mas tem alguma coisa que eu não sei se mais desconheço ou reconheço e, apesar do amarelo, gosto.
Só pra dizer.
0
Não sei o que há de errado comigo. Não é que eu não consiga usar o mesmo elástico de cabelo duas vezes, só não consigo fazê-lo duas vezes em seguida. É simplesmente impossível e eu não consigo explicar. Nem que eles sejam descartáveis, porque eu volto a encontrá-los, mas só depois de desistir de procurar e pegar um elástico novo, que vai também sumir antes de eu usar de novo. Para aparecer num futuro próximo, quando eu estiver procurado por, por exemplo, meias, e então, pouco tempo depois, ele vai e desaparece para todo o sempre.
Então escolho me conformar, como com todas aquelas coisinhas da vida que a gente simplemente não pode mudar.
Tchau, elástico. Vá com deus. Eu já peguei um novo e ele é preto com risquinhos prateados.
Então escolho me conformar, como com todas aquelas coisinhas da vida que a gente simplemente não pode mudar.
Tchau, elástico. Vá com deus. Eu já peguei um novo e ele é preto com risquinhos prateados.
Amor
- Oi, tia!!
- Oi, minha linda!
- Tia, você levou uma roupinha minha?
Eu, já avisada sobre o assunto:
- Uma roupinha sua?! Pra quê???
- Pra você lembrar de mim!!!
Muitas e muitas risadas, e a afirmação de que eu não preciso de ajuda para lembrar dela, e eu tenho fotos e vídeos, que ela quer ver mas não dá agora.
Mundo, eu agora, humildemente, me curvo sob sua sabedoria. Agradeço e nem peço mais nada.
Obrigada.
- Oi, minha linda!
- Tia, você levou uma roupinha minha?
Eu, já avisada sobre o assunto:
- Uma roupinha sua?! Pra quê???
- Pra você lembrar de mim!!!
Muitas e muitas risadas, e a afirmação de que eu não preciso de ajuda para lembrar dela, e eu tenho fotos e vídeos, que ela quer ver mas não dá agora.
Mundo, eu agora, humildemente, me curvo sob sua sabedoria. Agradeço e nem peço mais nada.
Obrigada.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Da arte de morder a língua
Um inverno baixo
Eu tenho dito de mim mesma, muitas vezes, nos últimos dias, que sou uma pessoa muito consciente. Ao dizê-lo, estou sendo muito sincera, exceto que considero, sempre, em tudo que digo e faço, que nada é absolutamente. Apesar de eu ser uma pessoa de absolutos. Isso significa que, sendo muito consciente, estou longe de saber tudo sobre mim, e de falar e agir de maneira coerente e, a bem dizer, correta.
A questão que agora bate fundo é que eu quero tanto voltar pra casa. E me incomoda quando essa coisa chata que eu tenho, que eu não sei se todo mundo tem, que fica na minha cabeça e questiona tudo em relação a mim, quando essa coisa vira e fala: "casa?! Que casa, cara-pálida?!?!". Porque então eu percebo que a "casa" à qual me refiro é o jardim do vizinho, sempre mais verde. A eterna ilusão de que seríamos mais felizes se. Eu acho que tenho motivos reais para imaginar algumas melhorias, no retorno, a começar por essa merda de tempo, que resolveu me contradizer e mudar de luz, bem agora. E todo o resto. Mas aí, o diabo da vozinha alerta que o que me impede de ser mais feliz aqui, vai continuar me impedindo de ser mais feliz lá, porque não importa o lugar, nós temos sempre os mesmos defeitos e qualidades, que mudam apenas com o tempo e a experiência e com sorte.
Com sorte muda, e não sem um grande esforço.
Mas o esforço que eu faço agora parece vão. Eu hoje, agora, não consigo me fazer mais feliz.
E, quem sabe agora, hoje, vindo aqui escrever, eu afinal não consigo?
Afinal, tudo não passa de nuvens.
A questão que agora bate fundo é que eu quero tanto voltar pra casa. E me incomoda quando essa coisa chata que eu tenho, que eu não sei se todo mundo tem, que fica na minha cabeça e questiona tudo em relação a mim, quando essa coisa vira e fala: "casa?! Que casa, cara-pálida?!?!". Porque então eu percebo que a "casa" à qual me refiro é o jardim do vizinho, sempre mais verde. A eterna ilusão de que seríamos mais felizes se. Eu acho que tenho motivos reais para imaginar algumas melhorias, no retorno, a começar por essa merda de tempo, que resolveu me contradizer e mudar de luz, bem agora. E todo o resto. Mas aí, o diabo da vozinha alerta que o que me impede de ser mais feliz aqui, vai continuar me impedindo de ser mais feliz lá, porque não importa o lugar, nós temos sempre os mesmos defeitos e qualidades, que mudam apenas com o tempo e a experiência e com sorte.
Com sorte muda, e não sem um grande esforço.
Mas o esforço que eu faço agora parece vão. Eu hoje, agora, não consigo me fazer mais feliz.
E, quem sabe agora, hoje, vindo aqui escrever, eu afinal não consigo?
Afinal, tudo não passa de nuvens.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Esperança
Comecei aqui a ouvir as palmas de Último Romance. Aí ouvi no myspace, mas lá não tem as palmas.
Aí eu fui ouvir, mesmo, daqui. E fui olhar o Ventura, e pensei "porra, mas esse cd é tão perfeito..."
Ia dizer que sei todas as músicas de cor, e eu não sei, porque não sei se as ouvi todas. Sei que gamei em todas que ouvi. E Último Romance é tãão bonita, e as palmas. E Além do que se vê, com os metais no fim, que sobem e nos enchem.
Acho que eu, na vida, tive a fase piano, muito longa, depois violino, e agora ando pelos metais. Quando vou na sinfônica - fui em Amsterdam no Concertgebow! - fico torcendo pra eles levantarem e subirem e me encherem.
Tão bom. E tão boas músicas, arranjos e letras. E idéias, acho que o que mais me agrada são as idéias, por trás de arranjos e letras. Eu realmente gosto mesmo dessa banda.
Tem assim uma coisa por aqui que enche de esperança.
Aí eu fui ouvir, mesmo, daqui. E fui olhar o Ventura, e pensei "porra, mas esse cd é tão perfeito..."
Ia dizer que sei todas as músicas de cor, e eu não sei, porque não sei se as ouvi todas. Sei que gamei em todas que ouvi. E Último Romance é tãão bonita, e as palmas. E Além do que se vê, com os metais no fim, que sobem e nos enchem.
Acho que eu, na vida, tive a fase piano, muito longa, depois violino, e agora ando pelos metais. Quando vou na sinfônica - fui em Amsterdam no Concertgebow! - fico torcendo pra eles levantarem e subirem e me encherem.
Tão bom. E tão boas músicas, arranjos e letras. E idéias, acho que o que mais me agrada são as idéias, por trás de arranjos e letras. Eu realmente gosto mesmo dessa banda.
Tem assim uma coisa por aqui que enche de esperança.
Barganha
Olha, um braço não, que eu gosto e preciso dos dois, e ficaria feia sem um. Mas eu daria o que me resta de dinheiro aqui por um giro invertido.
Noite Severina
Corre calma Severina noite
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Corre alta Severina noite
No ronco da cidade uma janela assim acesa
Eu respiro seu desejo
Chama no pavio da lamparina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Ali tão sempre perto e não me vendo
Ali sinto tua alma flutuar do corpo
Teus olhos se movendo sem se abrir
Ali tão certo e justo e só te sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir
Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar
Ai, que tem volúpia
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Corre alta Severina noite
No ronco da cidade uma janela assim acesa
Eu respiro seu desejo
Chama no pavio da lamparina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Ali tão sempre perto e não me vendo
Ali sinto tua alma flutuar do corpo
Teus olhos se movendo sem se abrir
Ali tão certo e justo e só te sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir
Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar
Ai, que tem volúpia
Severina Noite
Primeiro, eu quis ouvir Oriente.
Coloquei a ordem aleatória e, de repente, sou presenteada com uma Noite Severina.
Pareceu familiar, apesar deu não me lembrar de ouvir, ao menos não atentamente.
E eu gosto muito disso, de familiar. Nunca nunca gosto de uma música da primeira vez que ouço. De repente eu sou isso, uma pessoa de reconhecer, mais que de conhecer.
Lembro de ouvir - e pirar - com esse cd, no carro do cara do ecstasy, em Florianópolis, ali pelo final do inverno de 2006. Fui baixar, mesmo, só agora, final de 2008, pra trazer comigo. E ouvir, mesmo, só hoje, por vontade aleatória.
Acho que é isso, mesmo, afinal.
Corre calma, Severina noite, de leve no lençol que te tateia a pele fina.
Aqui o dia já termina e deixa aquela tristeza. Não sei como pode um povo viver sem sol na cabeça. Daquele de derreter os miolos, mas que chega ao meio do dia no meio do céu.
Coloquei a ordem aleatória e, de repente, sou presenteada com uma Noite Severina.
Pareceu familiar, apesar deu não me lembrar de ouvir, ao menos não atentamente.
E eu gosto muito disso, de familiar. Nunca nunca gosto de uma música da primeira vez que ouço. De repente eu sou isso, uma pessoa de reconhecer, mais que de conhecer.
Lembro de ouvir - e pirar - com esse cd, no carro do cara do ecstasy, em Florianópolis, ali pelo final do inverno de 2006. Fui baixar, mesmo, só agora, final de 2008, pra trazer comigo. E ouvir, mesmo, só hoje, por vontade aleatória.
Acho que é isso, mesmo, afinal.
Corre calma, Severina noite, de leve no lençol que te tateia a pele fina.
Aqui o dia já termina e deixa aquela tristeza. Não sei como pode um povo viver sem sol na cabeça. Daquele de derreter os miolos, mas que chega ao meio do dia no meio do céu.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Notícias
Assim, que eu não sou de ser fã fanática de nada nem de ninguém, e não sei muito sobre, sejamos sinceros?, nenhum assunto. Já não sei muito, quanto mais tudo. E a verdade também é que muita coisa que eu sei não me importa. Isso pode ser chamado de autismo. Ou idiotia. Ou alienação, ou burrice, preguiça, ou qualquer coisa.
E eu sempre me lembro da passagem do Sherlock Holmes dizendo que ia esquecer que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário, porque isso não mudava nada na vida dele, então ele tinha que deixar o espaço pra coisas mais importantes.
Eu deixo o espaço, e nem pra coisas importantes. Talvez um prazer no ócio em si. No vazio, ou sei lá o quê.
Isso pra explicar que, gostando muito de Los Hermanos, demorei séculos pra saber que eles se separaram e isso nem de longe acabou com a minha vida.
Mas aí agora, dando uma olhada num portal de notícias, coisa que não costumo fazer, mas é o jeito da gente saber um pouco do que se passa por esse país, vi que eles vão voltar, ao menos pra um show. Aí fui ver no site deles, depois no myspace e começou a tocar uma música e eu ouvi. E, mesmo gostando muito de Los Hermanos, ainda não passou um certo trauma deles e do que eles me lembram, e como eu quero dissociá-los ao máximo de um bode gigante, combinei comigo que ficava um tempo sem ouvir, até perder a importância da memória e ficar a da música.
E, ouvindo, em versão ao vivo, músicas que eu super conheço, me lembrei do show que fui assistir, e lembrei que tava muito triste, e o show animou um pouco, mas não totalmente. E fui buscar na memória o desamor que fez doer tanto, assim, instintivamente, a dor antes da lembrança, até que: 2006. Segundo semestre, ali por outubro. Tinha comprado o ingresso pro show, e calhou de ser no dia em que eu soube que não passei no mestrado. E doeu tanto, quando aconteceu isso. Lembro que o Kleber também tava lá, e ele também não tinha passado, mas não ficamos muito mais amigos por causa disso. E minha irmã e cunhado, o Gera, e mais tanta gente.
E agora, da distância atlântica e temporal em que me encontro agora, chega a ser consolador essa dor tão... impessoal. Ou não romântico-amorosa. Será, então, que já deu? Cumpri minha pena e acabou, e posso só ouvir a música, curtir e deixar ela me levar pro mais distante?
E tantas vezes a gente é levado sem querer e sem deixar.
Mas não sei, tenho frio e meu rosto arde de calor. Ao fundo, uns metais chamando e chamando, e eu indo.
E eu sempre me lembro da passagem do Sherlock Holmes dizendo que ia esquecer que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário, porque isso não mudava nada na vida dele, então ele tinha que deixar o espaço pra coisas mais importantes.
Eu deixo o espaço, e nem pra coisas importantes. Talvez um prazer no ócio em si. No vazio, ou sei lá o quê.
Isso pra explicar que, gostando muito de Los Hermanos, demorei séculos pra saber que eles se separaram e isso nem de longe acabou com a minha vida.
Mas aí agora, dando uma olhada num portal de notícias, coisa que não costumo fazer, mas é o jeito da gente saber um pouco do que se passa por esse país, vi que eles vão voltar, ao menos pra um show. Aí fui ver no site deles, depois no myspace e começou a tocar uma música e eu ouvi. E, mesmo gostando muito de Los Hermanos, ainda não passou um certo trauma deles e do que eles me lembram, e como eu quero dissociá-los ao máximo de um bode gigante, combinei comigo que ficava um tempo sem ouvir, até perder a importância da memória e ficar a da música.
E, ouvindo, em versão ao vivo, músicas que eu super conheço, me lembrei do show que fui assistir, e lembrei que tava muito triste, e o show animou um pouco, mas não totalmente. E fui buscar na memória o desamor que fez doer tanto, assim, instintivamente, a dor antes da lembrança, até que: 2006. Segundo semestre, ali por outubro. Tinha comprado o ingresso pro show, e calhou de ser no dia em que eu soube que não passei no mestrado. E doeu tanto, quando aconteceu isso. Lembro que o Kleber também tava lá, e ele também não tinha passado, mas não ficamos muito mais amigos por causa disso. E minha irmã e cunhado, o Gera, e mais tanta gente.
E agora, da distância atlântica e temporal em que me encontro agora, chega a ser consolador essa dor tão... impessoal. Ou não romântico-amorosa. Será, então, que já deu? Cumpri minha pena e acabou, e posso só ouvir a música, curtir e deixar ela me levar pro mais distante?
E tantas vezes a gente é levado sem querer e sem deixar.
Mas não sei, tenho frio e meu rosto arde de calor. Ao fundo, uns metais chamando e chamando, e eu indo.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Eis a questão
Que guerra, que corno, que fome o quê.
O que dói mesmo no coraçãozinho é não poder assistir o Big Brother, logo esse ano, em que eu já conheço todos os blogs maledicentes e poderia curtir tudo desde o comecinho. Apesar de saber que é uma merda.
A questão é se o ano passado já está superado o suficiente pra não fazer diferença.
Porque é fato que eu me diverti pacas, no ano passado.
Sei lá, talvez não importe, mas eu perdi uns minutos preciosos e dei ao menos uma gargalhada, só aqui da internet.
O que dói mesmo no coraçãozinho é não poder assistir o Big Brother, logo esse ano, em que eu já conheço todos os blogs maledicentes e poderia curtir tudo desde o comecinho. Apesar de saber que é uma merda.
A questão é se o ano passado já está superado o suficiente pra não fazer diferença.
Porque é fato que eu me diverti pacas, no ano passado.
Sei lá, talvez não importe, mas eu perdi uns minutos preciosos e dei ao menos uma gargalhada, só aqui da internet.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
O dia de voltar pro norte
Quanto tempo, numa vida, a gente passa esperando?
E esperando tudo, esperando a vida. Como diz Chico: esperando a morte ou esperando o dia de voltar pro Norte ou talvez no fundo alguma coisa mais linda que o mundo, maior do que o mar. Mas pra que sonhar se dá um desespero de esperar demais?
Pedro Pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar esperando, esperando, esperando.
O mais absurdo, no entanto, é esperar o passado. Porque o futuro ainda vem, mesmo que esperá-lo não seja lá muito saudável, qualquer que seja ele, mas esperar o passado é de fato das maiores imbecilidades que um ser humano pode cometer.
Explico: por caminhos tortuosos, nesse instante, em que deveria estar lendo enlouquecidamente, fui atraída de volta para meu antigo blog, que se encontra escondido, no exílio profundo de erros não-intencionais, não para ser um refúgio, onde eu posso escrever - ainda mais - anonimamente, mas como ode ao passado. Literalmente. Porque apesar de ter os textos todos, ou quase, copiados e salvos em back-ups que eu fazia regularmente, nunca tive coragem de simplesmente ir e apagar. Tantas dores que eu senti e expressei ali, tantas alegrias ou pseudo-alegrias, tantas promessas e esperanças de um futuro melhor. Reli os últimos posts, na verdade o antepenúltimo, de que eu não lembrava, porque os dois seguintes foram em momentos de que eu me lembro claramente, mas esse terceiro não. Ele é permeado com o máximo de leveza que eu conseguia imprimir às palavras, naquela época, e eu dizia que sentia que o passado acabou, que a pele era nova e um ciclo de mudanças se encerrara. Em fevereiro de 2008, vejam só. E, relendo, sinto uma amargura, que não sei se vem do texto em si ou apenas da lembrança do tormento que então me acompanhava cotidianamente.
E eu não sou uma pessoa de fingir que está tdo bem. Não escrevo no orkut ou no msn que estou fazendo isso ou aquilo de legal, vejam como eu sou feliz; muito pelo contrário, me considero de uma discrição até excessiva, que venho tentando superar para poder mostrar alguma coisa do meu mundo para o externo. Então, se, naquele momento, eu fingi que estava tudo bem, é porque acreditava piamente na ficção que descrevia.
Chega dá um cansaço, imaginando que daqui a um ano eu voltarei a ler isso aqui e arregalarei os olhos, pensando no quanto eu era boba e cega. Um cansaço futuro.
Mas mais ainda um cansaço passado e uma irritação de não conseguir, simplesmente, apagar aquele espaço e aquele endereço e, consequentemente, aquela memória, pois está provado que eu preciso de lembretes constantes e minuciosos, já que meu cérebro não é suficiente para me contar a história da minha vida.
Enquanto isso ele fica lá, escondido, ocasionalmente visitado por um viajante perdido que pede instruções que ele não sabe dar, esperando. Esperando. Esperando o quê?
Talvez eu pudesse simplesmente me auto-elogiar e dizer que não tento enterrar o passado displicentemente, que não estou fugindo, que estou afastada mas reconheço a grandeza de uma experiência que passou e não tento, simplesmente, me livrar dela, apesar de não sentir a mínima vontade de chamá-la para passear.
Como não trazer o antes gravado na pele? E numa tela de computador, porque as marcas em mim não são suficientes.
Talvez chegue o dia em que eu vou, simplesmente, apagar. Apesar desse post-protesto, essa hora não é agora e a saída é, enquanto ela não chega, esperar.
Esperando a festa
Esperando a sorte
Esperando a morte
Esperando o norte
Esperando o dia de esperar ninguém
Esperando enfim nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita
Do apito do trem.
E esperando tudo, esperando a vida. Como diz Chico: esperando a morte ou esperando o dia de voltar pro Norte ou talvez no fundo alguma coisa mais linda que o mundo, maior do que o mar. Mas pra que sonhar se dá um desespero de esperar demais?
Pedro Pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar esperando, esperando, esperando.
O mais absurdo, no entanto, é esperar o passado. Porque o futuro ainda vem, mesmo que esperá-lo não seja lá muito saudável, qualquer que seja ele, mas esperar o passado é de fato das maiores imbecilidades que um ser humano pode cometer.
Explico: por caminhos tortuosos, nesse instante, em que deveria estar lendo enlouquecidamente, fui atraída de volta para meu antigo blog, que se encontra escondido, no exílio profundo de erros não-intencionais, não para ser um refúgio, onde eu posso escrever - ainda mais - anonimamente, mas como ode ao passado. Literalmente. Porque apesar de ter os textos todos, ou quase, copiados e salvos em back-ups que eu fazia regularmente, nunca tive coragem de simplesmente ir e apagar. Tantas dores que eu senti e expressei ali, tantas alegrias ou pseudo-alegrias, tantas promessas e esperanças de um futuro melhor. Reli os últimos posts, na verdade o antepenúltimo, de que eu não lembrava, porque os dois seguintes foram em momentos de que eu me lembro claramente, mas esse terceiro não. Ele é permeado com o máximo de leveza que eu conseguia imprimir às palavras, naquela época, e eu dizia que sentia que o passado acabou, que a pele era nova e um ciclo de mudanças se encerrara. Em fevereiro de 2008, vejam só. E, relendo, sinto uma amargura, que não sei se vem do texto em si ou apenas da lembrança do tormento que então me acompanhava cotidianamente.
E eu não sou uma pessoa de fingir que está tdo bem. Não escrevo no orkut ou no msn que estou fazendo isso ou aquilo de legal, vejam como eu sou feliz; muito pelo contrário, me considero de uma discrição até excessiva, que venho tentando superar para poder mostrar alguma coisa do meu mundo para o externo. Então, se, naquele momento, eu fingi que estava tudo bem, é porque acreditava piamente na ficção que descrevia.
Chega dá um cansaço, imaginando que daqui a um ano eu voltarei a ler isso aqui e arregalarei os olhos, pensando no quanto eu era boba e cega. Um cansaço futuro.
Mas mais ainda um cansaço passado e uma irritação de não conseguir, simplesmente, apagar aquele espaço e aquele endereço e, consequentemente, aquela memória, pois está provado que eu preciso de lembretes constantes e minuciosos, já que meu cérebro não é suficiente para me contar a história da minha vida.
Enquanto isso ele fica lá, escondido, ocasionalmente visitado por um viajante perdido que pede instruções que ele não sabe dar, esperando. Esperando. Esperando o quê?
Talvez eu pudesse simplesmente me auto-elogiar e dizer que não tento enterrar o passado displicentemente, que não estou fugindo, que estou afastada mas reconheço a grandeza de uma experiência que passou e não tento, simplesmente, me livrar dela, apesar de não sentir a mínima vontade de chamá-la para passear.
Como não trazer o antes gravado na pele? E numa tela de computador, porque as marcas em mim não são suficientes.
Talvez chegue o dia em que eu vou, simplesmente, apagar. Apesar desse post-protesto, essa hora não é agora e a saída é, enquanto ela não chega, esperar.
Esperando a festa
Esperando a sorte
Esperando a morte
Esperando o norte
Esperando o dia de esperar ninguém
Esperando enfim nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita
Do apito do trem.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O tempo não para.
Eu tava ali, passando uma nutella numa bolacha e vi minha cara de gordinha. Mais do que isso, de criança gordinha, sabem como é? Quase me olhei no espelho pra ver de verdade, mas achei que até os olhos alcançarem o vidro a expressão se teria perdido.
Me peguei hoje cantarolando "sem pódio de chegada ou beijo de namorada", e fui agora ouvir a música toda, na voz do Ney. "Mas se você achar que eu tô derrotado saiba que ainda estão rolando os dados". Eita, né?
"Nas noites de frio é melhor nem nascer..." Olha, tudo bem nascer, desde que você não tenha que sair de casa, porque a coisa lá fora tá feia, dizem que vai chegar a -10.
As novidades por aqui são parcas, o forno quebrou e a vaca da senhoria não vai consertar, ontem choveu na cozinha e a vaca da senhoria ainda não se manifestou praticamente a respeito. Se cair, tomara que espere eu sair, coisa que já não demora. Tanta coisa pra fazer e tanta preguiça pra fazer, mas é isso. Mãos à obra.
Eu achei que se eu viesse aqui escrever teria alguma idéia, minimamente, interessante para dizer, mas, como se pode ver, a estratégia não deu certo. Ficamos só com a cara de gula, que merecia ter sido registrada e agora fica só na memória.
Ah, e eu recebi meu primeiro aviso de estacionamento da bicicleta em lugar proibido, no fim-de-semana! Super emocionante, se você não tirar até eles voltarem eles levam embora, mesmo. Eu, por enquanto, recebi só a advertência.
Então é isso, vou ficando por aqui pensando num museu de grandes novidades.
Me peguei hoje cantarolando "sem pódio de chegada ou beijo de namorada", e fui agora ouvir a música toda, na voz do Ney. "Mas se você achar que eu tô derrotado saiba que ainda estão rolando os dados". Eita, né?
"Nas noites de frio é melhor nem nascer..." Olha, tudo bem nascer, desde que você não tenha que sair de casa, porque a coisa lá fora tá feia, dizem que vai chegar a -10.
As novidades por aqui são parcas, o forno quebrou e a vaca da senhoria não vai consertar, ontem choveu na cozinha e a vaca da senhoria ainda não se manifestou praticamente a respeito. Se cair, tomara que espere eu sair, coisa que já não demora. Tanta coisa pra fazer e tanta preguiça pra fazer, mas é isso. Mãos à obra.
Eu achei que se eu viesse aqui escrever teria alguma idéia, minimamente, interessante para dizer, mas, como se pode ver, a estratégia não deu certo. Ficamos só com a cara de gula, que merecia ter sido registrada e agora fica só na memória.
Ah, e eu recebi meu primeiro aviso de estacionamento da bicicleta em lugar proibido, no fim-de-semana! Super emocionante, se você não tirar até eles voltarem eles levam embora, mesmo. Eu, por enquanto, recebi só a advertência.
Então é isso, vou ficando por aqui pensando num museu de grandes novidades.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Mais do mesmo
Ô, tristeza do Jeca. A internet volta e não tem uma pessoinha pra falar, nem que seja aquele "oi, tudo bem?" completamente estéril.
Aqui já são quase 3 horas da tarde e eu estou em sonoterapia, acordei umas 10 e não consigo ficar acordada por mais de uma hora desde então. Aí eu penso comigo mesma: ok, vou dormir, porque uma hora o sono vai ter que passar e aí eu fico acordada de verdade. Eu me convenci, mas os resultados não foram os esperados. Pelo menos nessas - inacreditáveis - cinco horas de enrolação. Tinha pensado em dar uma volta na cidade hoje - compras, compras, compras! - mas resolvi que era melhor sentar a bunda numa cadeira e estudar, porque amanhã já vou visitar uma cidadezinha aqui perto. E eu já não tenho dinheiro para compras, apesar de certamente ir a elas num futuro próximo. Aaah, se o real tomasse aí um Biotônico Fontoura eu seria uma pessoa tão mais feliz - apesar de não menos sonolenta...
E pra completar a coisa que me salvava nessa casa de merda era um forno elétrico aqui no corredor, que eu podia usar e checar regularmente sem ter que enfrentar a maldita escada, mas ontem ele parou de funcionar. Talvez eu tenha alguma coisa a ver com isso, mas prefiro reprimir e me limitar à ignorância e à reclamação.
Meu quarto está uma zona inimaginável, eu até penso em arrumar e depois dá uma preguiça e um sentimento de inutilidade já que dentro de umas 3 semanas eu vou ter mesmo que arrumar tudo seriamente, então vou deixando ficar assim. Pelo menos a bagunça agora se concentra só nos cantos, então eu consigo dar uma circulada. A minha teoria é que isso tudo é causado a) pelo fato de eu saber o tempo todo que ficaria aqui "apenas" três meses e não desenvolver, portanto, aquele sentimento de casa; e b) porque essa casa realmente é uma porcaria e não dá a menor vontade de arrumar, coisa que daria muito trabalho e eu talvez nem conseguisse, no pouco tempo que tenho aqui. Sinceramente, não sei como as pessoas que vão mesmo ficar aqui por um ano, dois ou sei lá, aceitam viver nesse lugar. E talvez uma pessoa que viesse passar três dias aqui comigo também não compreendesse como eu me permiti ficar três meses, mas é fato que eu não tive (muita) saída: tentei mudar de quarto, a senhoria - uma senhora legaaaal - não permitiu, tentei arranjar outro lugar, as pessoas que poderiam intermediar acharam que não valia a pena, eu li os anúncios de lugares que recebia e não tinha nenhum que encaixasse. Portanto, Prinsenstraat. Mas só 4 semanas. Ou três, se contar que a última não conta.
Tudo isso pra dizer que eu não vou mesmo sair de casa, hoje, estou com sono, o quarto ainda está habitável e tudo vai continuar do mesmo jeito.
O que muda é que eu senti uma vontadezinha de ouvir Engenheiros, e estou aqui "a medida de amar é amar sem medida a a a"...
E a filha da filha da minha prima de segundo grau, Romilly, vai fazer três anos, aí ela vai contar até dois e diz: "one!", e levanta o indicador - até aí normal, né? - "two!", e levanta o mindinho. Aí a família toda faz "é isso aí, Romilly, rock'n'roll!!!!!!!!!!!". A família é toda doida, aliás, mas assim que é bom.
Aqui já são quase 3 horas da tarde e eu estou em sonoterapia, acordei umas 10 e não consigo ficar acordada por mais de uma hora desde então. Aí eu penso comigo mesma: ok, vou dormir, porque uma hora o sono vai ter que passar e aí eu fico acordada de verdade. Eu me convenci, mas os resultados não foram os esperados. Pelo menos nessas - inacreditáveis - cinco horas de enrolação. Tinha pensado em dar uma volta na cidade hoje - compras, compras, compras! - mas resolvi que era melhor sentar a bunda numa cadeira e estudar, porque amanhã já vou visitar uma cidadezinha aqui perto. E eu já não tenho dinheiro para compras, apesar de certamente ir a elas num futuro próximo. Aaah, se o real tomasse aí um Biotônico Fontoura eu seria uma pessoa tão mais feliz - apesar de não menos sonolenta...
E pra completar a coisa que me salvava nessa casa de merda era um forno elétrico aqui no corredor, que eu podia usar e checar regularmente sem ter que enfrentar a maldita escada, mas ontem ele parou de funcionar. Talvez eu tenha alguma coisa a ver com isso, mas prefiro reprimir e me limitar à ignorância e à reclamação.
Meu quarto está uma zona inimaginável, eu até penso em arrumar e depois dá uma preguiça e um sentimento de inutilidade já que dentro de umas 3 semanas eu vou ter mesmo que arrumar tudo seriamente, então vou deixando ficar assim. Pelo menos a bagunça agora se concentra só nos cantos, então eu consigo dar uma circulada. A minha teoria é que isso tudo é causado a) pelo fato de eu saber o tempo todo que ficaria aqui "apenas" três meses e não desenvolver, portanto, aquele sentimento de casa; e b) porque essa casa realmente é uma porcaria e não dá a menor vontade de arrumar, coisa que daria muito trabalho e eu talvez nem conseguisse, no pouco tempo que tenho aqui. Sinceramente, não sei como as pessoas que vão mesmo ficar aqui por um ano, dois ou sei lá, aceitam viver nesse lugar. E talvez uma pessoa que viesse passar três dias aqui comigo também não compreendesse como eu me permiti ficar três meses, mas é fato que eu não tive (muita) saída: tentei mudar de quarto, a senhoria - uma senhora legaaaal - não permitiu, tentei arranjar outro lugar, as pessoas que poderiam intermediar acharam que não valia a pena, eu li os anúncios de lugares que recebia e não tinha nenhum que encaixasse. Portanto, Prinsenstraat. Mas só 4 semanas. Ou três, se contar que a última não conta.
Tudo isso pra dizer que eu não vou mesmo sair de casa, hoje, estou com sono, o quarto ainda está habitável e tudo vai continuar do mesmo jeito.
O que muda é que eu senti uma vontadezinha de ouvir Engenheiros, e estou aqui "a medida de amar é amar sem medida a a a"...
E a filha da filha da minha prima de segundo grau, Romilly, vai fazer três anos, aí ela vai contar até dois e diz: "one!", e levanta o indicador - até aí normal, né? - "two!", e levanta o mindinho. Aí a família toda faz "é isso aí, Romilly, rock'n'roll!!!!!!!!!!!". A família é toda doida, aliás, mas assim que é bom.
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