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sábado, 27 de setembro de 2008

Update

É sábado à noite, não sei o que todo mundo espera, mas eu estou com seis bolhas no meu calcanhar (ou carcanhá, como de vez em quando escapa), que não estão tão feias mas doem muito; uma bolha terrível na perna, que ainda não dói; hoje posso comer e beber, já que já fiz exame de sangue; minhas calças não estão prontas; meus vestidos não estão prontos; minhas saias não estão prontas; meus relatórios não estão prontos; meu alojamento não está resolvido.
Ainda não jantei porque comi lanche e estou prestes a mandar tudo isso pra puta-que-pariu e ir ver um filme.
E continuo cantarolando a música do Ney.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

3 anos e tal

- Peraí, cuidado pra não pisar na minha bolsa, quando for sair [do carro, assim, pra contextualizar].
- Isso é uma bolsa?
- É, minha bolsa?
-Sua bolsa?
- É... [pensando: "uai, por quê? Tudo bem que não é das preferidas, mas será tão feia assim, que ela nem acredita? Acho que ela vai dizer 'ai, que feia!!'"]
- Mas não é uma jaqueta?

A bolsa é jeans.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Destiempo

Eu mais cedo segui a sugestão de uma desconhecida, que talvez pudesse se tornar desses amores distantes mas não se tornou, e assisti a um filme chamado "Novo mundo".
Confesso que no começo achei que eu talvez não fosse aguentar, isso de cinema europeu, isso de criada com cinema americano, mas não só aguentei como não sofri, gostei e, afinal, sofri. Isso do mundo demasiadas vezes ser um lugar muito feio, em que as pessoas fazem coisas mesmo tristes umas com as outras. E eu acho que a beleza da vida está em vê-la, a beleza, ainda nesses momentos. Em, no meio de uma dor, forte ou fraca, sua ou alheia, parar e pensar "tá, mas também tem coisas bonitas e alegres". Também tem um "olhar e ver Marília", também tem um "doro ocê", também tem um "que chateação!", também tem um senhor que rebola. Na vida também tem Nininha.
E tem a beleza dela, em si, sem rodeios e intermediários. Tem a beleza do encontro, mas às vezes, e talvez raramente, ela esteja exatamente no desencontro.
Eu ainda tenho muito medo, e incertezas, e inseguranças, e medo. E talvez, logo, eles cresçam e me tomem. Talvez venham a destiempo.
Mas o que existe é agora e agora o que eu vejo é beleza.
E rebolo.

Novamente

Me disse vai embora, eu não fui
Você não dá valor ao que possui
Enquanto sofre, o coração intui
Que ao mesmo tempo que machuca o tempo
O tempo flui
E assim o sangue corre em cada veia
O vento brinca com os grãos de areia
Poetas cortejando a branca luz
E ao mesmo tempo que magoa o tempo me passeia

Quem sabe o que se dá em mim?
Quem sabe o que será de nós?
O tempo que antecipa o fim
Também desata os nós
Quem sabe soletrar adeus
Sem lágrimas, nenhuma dor
Os pássaros atrás do sol
As dunas de poeira
O céu de anil no pólo sul
Há dinamite no paiol
Não há limite no anormal
É que nem sempre o amor
É tão azul

A música preenche sua falta
Motivo dessa solidão sem fim
Se alinham pontos negros de nós dois
E arriscam uma fuga contra o tempo
O tempo salta



Não sei de quem, como, quando ou onde.
Sei só que através de Ney Matogrosso.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Destino

Já dizia a fada Morgana. Cuidado com o que pedes pois pode lhe ser concedido.
Rufem os tambores, todos aos seus lugares.
Começa a contagem regressiva.

Em 18

Eu vinha hoje no ônibus, diferentemente dos últimos meses, ouvindo música. Já no arquivo coloquei o fone de ouvido e fiquei umas duas horas ouvindo só instrumentais, que é o máximo que minha concentração ultimamente pode suportar.
Nessas horas a gente pensa tanta coisa que gostaria de dizer, de mostrar, e se promete fazer ao chegar em casa, mas aí o momento já passou. Não sei se estou triste ou feliz, ou só melancólica, ou contrariada, ou o quê.
Eu pensava, no ônibus, que sou um banco de três pernas. Sabem como é? Geometricamente, três pontos definem um plano, por isso o banco de três pernas se sustenta, é, afinal, um banco. Mas um banco de quatro pernas é muito mais firme. Sacaram?
Agora estou tentando pensar/me convencer de que as coisas são como devem ser. E que a gente não pode ter tudo, mesmo, e que os nossos desejos e vontades mudam, então não tem motivo pra se apegar demais a eles.
Então não sei o que eu estou, acho que já estive plena e agora estou apenas confusa.
E só o que se pode fazer é esperar.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Pedacinho de loucura

Como pessoa muito preocupada com a minha lucidez, cultivada cuidadosa e carinhosamente todos os dias, através de muita reflexão e muito veneno, inclusive comigo mesma, acredito que haja momentos, como este, em que a pessoa deve se permitir enlouquecer. Eu o faço, agora.
Na verdade, os últimos dias foram de insanidade.Tudo começou quando eu não quis ir nadar, no sábado. Depois quis fazer compras e perdi o controle, não totalmente porque achava que, dentro de alguns dias, talvez eu me permitisse, para o bem ou para o mal, perdê-lo completamente.
Aí depois morri de raiva de uma costureira que não me fez saias novas e lindas, me perdi por anos-luz no caminho para a casa da mulher. Depois... Ah, sim, antes disso, uma péssima notícia, academicamente falando, que me tirou toda a tranquilidade.
Aí hoje, por que as coisas acontecem mesmo aos atropelos, uma ótima notícia e um contato perturbador. Mais a má notícia de dois dias atrás. Enfim, o caos.
E aí, entre o ficar totalmente perdida e o tentar ser adulta e encarar as coisas como tal, chega esse momento, em que eu não posso me impedir de sofrer por tudo que eu gostaria que fosse e não é. Isso porque eu já nem sei mais o que eu gostaria que fosse, porque já nem sei o que sinto e se seria suficiente e se seria bom, apenas. Mas é isso, dói e eu queria dizer. Já doeu mais, muito, mas ainda assim, ainda hoje. Tudo que não é e eu não entendo. Eu não entendo e pra mim, não entender, não ter a menor idéia, é doloroso e difícil, porque me impede, com a lucidez, de ver as coisas claramente. Eu não posso entender o que eu não entendo. E eu, sem entender, sou nada ou muito pouco.
Então é isso, a insanidade.
E mãos à obra.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A carteira de identidade. Uma saideira.

A coisa por aqui anda defasada, mas isso faz algum sentido. Eu também ando, não sei se defasada, mas em algum estado incomum. Estou para contar o diálogo que tive com uma menininha na academia, mas a preguiça é maior. Nem sei se realmente é interessante, mas enfim.
Agora só quero fazer um protesto, talvez preventivo: da próxima vez que eu ouvir alguém dizer que é atrapalhado/a, vai rolar uma contestação brava. Eu hoje tive a capacidade de fazer, perceptíveis para mim nesse instante, o que significa uma possibilidade enorme de subrepresentação, mas eu hoje me fiz cinco machucados. E não tipos "eu tava andando na rua, caí e fiquei toda ralada". Não, em momentos diferentes, em diferentes circunstâncias, eu me arranhei cinco vezes. A mais ridícula, ao entrar no banheiro, enrosquei o quadril na maçaneta. Tudo bem que meu quadril não é pequeno nem o banheiro é grande, mas homo sapiens, vai, alguma habilidade esse animal há de ter. Mas se ele tem, hoje não se manifestou.
E eu ainda num estado incomum. Não é uma leveza, nem de perto liberdade, mas digamos um habeas corpus. Assim, em suspenso.
Eu devo admitir, também porque as pessoas dizem que isso não se faz, mas eu sou uma pessoa invejosa. É fato e mais forte que eu. Em minha defesa, saliento que não é tanto um sentimento de querer tomar alguma coisa de alguém, mas de ter também o que ela tem. E eu sou uma romântica inveterada, no sentido menos água-com-açucar do termo. Qualquer situação, por mais adversa que soe, a mim me parece charmosa. E charme pra mim é a qualidade mais sublime que pode haver. E eu às vezes olho pras vidas dos outros e elas me parecem tão tão diferentes da minha, e tão boas, e confortáveis e acolhedoras, ou talvez eu devesse usar outros adjetivos, porque eu posso também talvez dizer que tenho uma vida boa e acolhedora e confortável, mas não no mesmo sentido que a deles. Talvez isso, o desconhecido. Mas a gente sempre é a gente e nunca nunca vai poder saber como é ser outro, e conhecer as verdades e ambiguidades que certamente todos carregamos.
Enquanto isso eu fico aqui, lamentando as minhas feridas, ainda em suspenso, e para me consolar posso até pensar que, se alguém me visse pela janela, poderia também sentir alguma inveja.