Páginas

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A carteira de identidade. Uma saideira.

A coisa por aqui anda defasada, mas isso faz algum sentido. Eu também ando, não sei se defasada, mas em algum estado incomum. Estou para contar o diálogo que tive com uma menininha na academia, mas a preguiça é maior. Nem sei se realmente é interessante, mas enfim.
Agora só quero fazer um protesto, talvez preventivo: da próxima vez que eu ouvir alguém dizer que é atrapalhado/a, vai rolar uma contestação brava. Eu hoje tive a capacidade de fazer, perceptíveis para mim nesse instante, o que significa uma possibilidade enorme de subrepresentação, mas eu hoje me fiz cinco machucados. E não tipos "eu tava andando na rua, caí e fiquei toda ralada". Não, em momentos diferentes, em diferentes circunstâncias, eu me arranhei cinco vezes. A mais ridícula, ao entrar no banheiro, enrosquei o quadril na maçaneta. Tudo bem que meu quadril não é pequeno nem o banheiro é grande, mas homo sapiens, vai, alguma habilidade esse animal há de ter. Mas se ele tem, hoje não se manifestou.
E eu ainda num estado incomum. Não é uma leveza, nem de perto liberdade, mas digamos um habeas corpus. Assim, em suspenso.
Eu devo admitir, também porque as pessoas dizem que isso não se faz, mas eu sou uma pessoa invejosa. É fato e mais forte que eu. Em minha defesa, saliento que não é tanto um sentimento de querer tomar alguma coisa de alguém, mas de ter também o que ela tem. E eu sou uma romântica inveterada, no sentido menos água-com-açucar do termo. Qualquer situação, por mais adversa que soe, a mim me parece charmosa. E charme pra mim é a qualidade mais sublime que pode haver. E eu às vezes olho pras vidas dos outros e elas me parecem tão tão diferentes da minha, e tão boas, e confortáveis e acolhedoras, ou talvez eu devesse usar outros adjetivos, porque eu posso também talvez dizer que tenho uma vida boa e acolhedora e confortável, mas não no mesmo sentido que a deles. Talvez isso, o desconhecido. Mas a gente sempre é a gente e nunca nunca vai poder saber como é ser outro, e conhecer as verdades e ambiguidades que certamente todos carregamos.
Enquanto isso eu fico aqui, lamentando as minhas feridas, ainda em suspenso, e para me consolar posso até pensar que, se alguém me visse pela janela, poderia também sentir alguma inveja.

Nenhum comentário: