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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Lembretes

Vontade de dizer coisas.
Uma que eu desenvolvi essa mania de, quando fico bêbada, tentar avaliar o quão bêbada estou. Não sei de onde saiu isso, mas vez ou outra, quando passo da primeira cerveja, começo a perguntar pra geral: eu tô bêbada. O que, eu sei, é a maior babaquice, mas é também das coisas que a gente não controla quando o álcool sobe pro cérebro. E todo mundo sabe que bêbado é chato, então pelo menos não sou só eu. Parei de chorar, ao menos, pelo menos ultimamente, o que é sempre muito bom. Também meio que parei de beber, o que talvez explique, mas enfim.
As coisas estão relacionadas, pelo menos na minha lógica.
Fato é que eu não exatamente enfiei um pé na jaca, muito menos os dois, e diria que de 0 a 10 eu fiquei ali num sólido 5,5 ou 6,0, mas depois disso tava conversando com uma amiga sobre essa coisa de escrever. Ela tem um vocabulário do caralho, metade das coisas que ela fala eu não entendo, mas dizia que não tem. E eu pensando: afe, se você não tem, imagina eu.
Qual a relação entre uma coisa e outra, você se pergunta. É que as duas conversas aconteceram com a mesma pessoa. Total sentido.
Acontece que eu leio muito, portanto conheço muitas palavras. No entanto, não as coloco no devido uso, assim, diariamente. Em vez disso, continuo usando as mesmas palavras de sempre.
E tem umas palavras de que eu gosto particularmente, então as repito pelo simples prazer de dizê-las.
Aí tem aquelas expressões que eu acho divertidas, mas nem sempre uso. Lembrei disso agora porque tava procurando umas coisas aqui e achei uma correspondência em que eu me referia a alguém como xarope.
Que coisa fantástica, dizer que alguém é xarope. Acho que era uma expressão recorrente na minha infância, mas não sei por que deixei de aplicar.
Das coisas que preciso remediar.
Vou fazer cá uma lista dessas pequenas pérolas.
- xarope.
- ainda gosto muito de "pacote".

Foda



Ouvi esses dias essa música no rádio.
Gosto disso de rádio, porque tenho essa péssima memória e esqueço de músicas das quais não deveria me esquecer. Aí ele me lembra.
Normalmente, vou ao youtube mais para ouvir do que para ver, mas comecei a ver as imagens da Cássia e achei tão fodidas e doídas.
Aí entrei no feminista cansada, que eu adoro mas fazia tempo que não visitava, e tem umas coisas lá... também aqui nenhuma novidade, mas porra, tem hora que fica foda viver nesse mundo.

PS: Claro que essa letra tinha de ser do Nando Reis. E claro que a letra que ele canta é diferente da dela. Mas eu, apesar de achar o Nando tudo de bom nessa vida (apesar de ter detestado aquela música que ele pôs na novela, não só porque ela é chata pacas, mas porque me lembra outra linda do Zeca Baleiro), prefiro a Cássia.

Ônibus

Ok, ok, Maria Helena.
Eu sei que essa história de ônibus é meio velha, mas fazer o que se é neles que a vida acontece.
Aliás, eu tenho cá uma certa fantasia de um dia soltar um "ok, ok, Maria Helena" e um "Maria Helena, me dá um copo d'água" em ritmo de "Madalena".
Aliás, dos momentos mais engraçados que eu vivi nos últimos tempos. Primeiro, minha irmã se referindo à dentista da filha, que chama Magdalena, de repete começa  a cantar. Eu e a irmã temos essa relação assim desse jeito que irmãs são, e eu tento resistir às piadas dela porque ela deveras me irrita sobremaneira, mas tem umas horas que é difícil. Rolava algum estresse familiar, porque a pequena não tava usando o aparelho direito, o que levou ao surgimento de um dramático "mas o que eu vou dizer pra Dra. Magdalena?!". E a irmã se sai com um: "diz assim: 'ô, Madalena'...".
O mesmo vale para um dia em que, comentando as peripécias de uma reforma e que o diabo de uma caçamba não chegou, ou sei lá qual era o problema com ela, de repente começa: "traz a caçamba, traz a caçamba..." Sei lá, só é muito engraçado.
E já que abriu a porteira, um momento genial da mãe: conversando com uma amiga que queria/planejava ir pra Nova York, tudo mais ou menos certo, mas aí a coisa desandou, desse jeito que às vezes a vida desanda. Ou enguiça, como diz nosso querido Zeca Baleiro. E as duas ali conversando, "pô, não vai dar pra ir pra Nova York", e tal e coisa e coisa e tal, de repente surge um: pois é, né, quem não pode Nova York vai de Madureira...
Também não tem a menor graça visto de fora, e eu sei porque já contei pra um monte de gente, mas eu acho genial. Eu não tinha pensado em nada disso e elas pensaram e soltaram com timing perfeito. Eu só me regozijo de saber e recontar, mesmo que seja só para eu mesma rir.
E toda a história do Zeca me lembra do Davi e da Baíba, massa, o que me faz rir mais.
Mas, sim.
O ônibus.
E as piadas que só têm graça pra mim.
Mas eu fui pegar um ônibus esses dias e duas cenas, totalmente não relacionadas, chamaram minha atenção.

1. Uma fila do cão para comprar a passagem. Eu ali, no modo resignada, porque fila é das coisas sem jeito nessa vida, vendo o tempo passar, sei lá o que eu fazia, quando vejo duas senhoras irem direto na cabine, pedir uma informação à atendente:
- Oi, é aqui que compra passagem para Artur Nogueira?
- Não...
- Você sabe onde é?
- Não...
- "Não..."? Nossa, essa é paulista, mesmo.
E a senhorinha sai andando cortando a fila. Eu comecei dar risada, porque né?, tanto estereótipo que a gente tem sobre todo o resto, nós-paulistas-centro-do-mundo, e a senhorinha ali despejando um na nossa cara. Da falta de amabilidade, de não pensar em ajudar uma pessoa, de estar muito ocupado, fazer tudo rápido e etc. Eu li isso ali e achei engraçado.

2. Eu no meu lugar favorito, tomando um milkshake de ovomaltine, me sentindo feliz com a perspectiva da viagem, como costumo sentir só que nem sempre, sem querer ler nem ouvir música, só ali, estando.
Começo a ouvir a conversa de um cara do outro lado do corredor, cara assim meio boa pinta, com aqueles sapatos de bico quadrado, calça jeans preta desbotada e jaqueta descolada, cabelo assim não muito curto, praí uns quarenta anos (é galera, quarenta anos nem é mais velho....), falando no celular. Vale dizer, para descrédito do sujeito, que ele usava um anel no mindinho, o que é, a meu ver, meio nojento. Não sei dizer por quê, apenas constato o fato.
Aí tá lá o cara, o ônibus em silêncio e ele mandando uma conversinha meio fiada com uma mulher. Que tá com saudade, que à noite vão ver um filme comendo pipoca e tomando vinho, se vão comer pipoca, tomar vinho ou ver filme primeiro ou, basicamente, se vão deixar tudo pra lá e transar loucamente. Acho que inferi essa última parte, mas tava no contexto. Depois de todo o debate, aquela despedida básica: então tá, a gente se vê à noite, te amo.
Eu ali achando tudo meio brega.
Dali a pouco, o cara mexendo no celular e eu pensando: meu, isso vai ser bom.
Começa a falar no celular. Mas não sei quem foi viajar e deixou a cozinha toda suja?! Mas isso não se faz, é uma falta de respeito, uma falta de civilidade, não, você não vai lavar nada, não, porque isso não se faz e as pessoas precisam aprender a se tratar bem, como assim?!, e etc. Tipos, não era a mesma pessoa com quem ele tinha acabado de falar, né?
E eu ali ouvindo.
"Olha, vou entrar numa reunião agora, devo sair lá prumas quatro horas, aí eu vou praí." Silêncio enquanto a pessoa responde. "Blá blá blá blá, eu te amo". E o cara põe a língua pra fora. Fazendo cara de quem tá fazendo merda, ou a mesma cara que eu faço quando super erro uma coreografia no flamenco.
Aí que até o cara estar ali, modus traição-e-enganação on, não tudo bem, mas vá lá. Mas o cara colocar a língua pra fora ao dizer que ama a mina eu achei muita filha-da-putice.
E é isso, quer sacanear, sacaneia, mas não fode.
Também nem muita novidade, mas achei anedótico.

Antes eu tinha cá essa idéia que a vida acontecia nas filas, do banco ou da sinfônica, mas venho a perceber a realidade de que é mesmo dentro do busão.