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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Ônibus

Ok, ok, Maria Helena.
Eu sei que essa história de ônibus é meio velha, mas fazer o que se é neles que a vida acontece.
Aliás, eu tenho cá uma certa fantasia de um dia soltar um "ok, ok, Maria Helena" e um "Maria Helena, me dá um copo d'água" em ritmo de "Madalena".
Aliás, dos momentos mais engraçados que eu vivi nos últimos tempos. Primeiro, minha irmã se referindo à dentista da filha, que chama Magdalena, de repete começa  a cantar. Eu e a irmã temos essa relação assim desse jeito que irmãs são, e eu tento resistir às piadas dela porque ela deveras me irrita sobremaneira, mas tem umas horas que é difícil. Rolava algum estresse familiar, porque a pequena não tava usando o aparelho direito, o que levou ao surgimento de um dramático "mas o que eu vou dizer pra Dra. Magdalena?!". E a irmã se sai com um: "diz assim: 'ô, Madalena'...".
O mesmo vale para um dia em que, comentando as peripécias de uma reforma e que o diabo de uma caçamba não chegou, ou sei lá qual era o problema com ela, de repente começa: "traz a caçamba, traz a caçamba..." Sei lá, só é muito engraçado.
E já que abriu a porteira, um momento genial da mãe: conversando com uma amiga que queria/planejava ir pra Nova York, tudo mais ou menos certo, mas aí a coisa desandou, desse jeito que às vezes a vida desanda. Ou enguiça, como diz nosso querido Zeca Baleiro. E as duas ali conversando, "pô, não vai dar pra ir pra Nova York", e tal e coisa e coisa e tal, de repente surge um: pois é, né, quem não pode Nova York vai de Madureira...
Também não tem a menor graça visto de fora, e eu sei porque já contei pra um monte de gente, mas eu acho genial. Eu não tinha pensado em nada disso e elas pensaram e soltaram com timing perfeito. Eu só me regozijo de saber e recontar, mesmo que seja só para eu mesma rir.
E toda a história do Zeca me lembra do Davi e da Baíba, massa, o que me faz rir mais.
Mas, sim.
O ônibus.
E as piadas que só têm graça pra mim.
Mas eu fui pegar um ônibus esses dias e duas cenas, totalmente não relacionadas, chamaram minha atenção.

1. Uma fila do cão para comprar a passagem. Eu ali, no modo resignada, porque fila é das coisas sem jeito nessa vida, vendo o tempo passar, sei lá o que eu fazia, quando vejo duas senhoras irem direto na cabine, pedir uma informação à atendente:
- Oi, é aqui que compra passagem para Artur Nogueira?
- Não...
- Você sabe onde é?
- Não...
- "Não..."? Nossa, essa é paulista, mesmo.
E a senhorinha sai andando cortando a fila. Eu comecei dar risada, porque né?, tanto estereótipo que a gente tem sobre todo o resto, nós-paulistas-centro-do-mundo, e a senhorinha ali despejando um na nossa cara. Da falta de amabilidade, de não pensar em ajudar uma pessoa, de estar muito ocupado, fazer tudo rápido e etc. Eu li isso ali e achei engraçado.

2. Eu no meu lugar favorito, tomando um milkshake de ovomaltine, me sentindo feliz com a perspectiva da viagem, como costumo sentir só que nem sempre, sem querer ler nem ouvir música, só ali, estando.
Começo a ouvir a conversa de um cara do outro lado do corredor, cara assim meio boa pinta, com aqueles sapatos de bico quadrado, calça jeans preta desbotada e jaqueta descolada, cabelo assim não muito curto, praí uns quarenta anos (é galera, quarenta anos nem é mais velho....), falando no celular. Vale dizer, para descrédito do sujeito, que ele usava um anel no mindinho, o que é, a meu ver, meio nojento. Não sei dizer por quê, apenas constato o fato.
Aí tá lá o cara, o ônibus em silêncio e ele mandando uma conversinha meio fiada com uma mulher. Que tá com saudade, que à noite vão ver um filme comendo pipoca e tomando vinho, se vão comer pipoca, tomar vinho ou ver filme primeiro ou, basicamente, se vão deixar tudo pra lá e transar loucamente. Acho que inferi essa última parte, mas tava no contexto. Depois de todo o debate, aquela despedida básica: então tá, a gente se vê à noite, te amo.
Eu ali achando tudo meio brega.
Dali a pouco, o cara mexendo no celular e eu pensando: meu, isso vai ser bom.
Começa a falar no celular. Mas não sei quem foi viajar e deixou a cozinha toda suja?! Mas isso não se faz, é uma falta de respeito, uma falta de civilidade, não, você não vai lavar nada, não, porque isso não se faz e as pessoas precisam aprender a se tratar bem, como assim?!, e etc. Tipos, não era a mesma pessoa com quem ele tinha acabado de falar, né?
E eu ali ouvindo.
"Olha, vou entrar numa reunião agora, devo sair lá prumas quatro horas, aí eu vou praí." Silêncio enquanto a pessoa responde. "Blá blá blá blá, eu te amo". E o cara põe a língua pra fora. Fazendo cara de quem tá fazendo merda, ou a mesma cara que eu faço quando super erro uma coreografia no flamenco.
Aí que até o cara estar ali, modus traição-e-enganação on, não tudo bem, mas vá lá. Mas o cara colocar a língua pra fora ao dizer que ama a mina eu achei muita filha-da-putice.
E é isso, quer sacanear, sacaneia, mas não fode.
Também nem muita novidade, mas achei anedótico.

Antes eu tinha cá essa idéia que a vida acontecia nas filas, do banco ou da sinfônica, mas venho a perceber a realidade de que é mesmo dentro do busão.

Um comentário:

Lettícia disse...

apenas para dizer que eu dei risada também!