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terça-feira, 15 de março de 2016

Parará





Tava aqui, anos depois, perdendo tempo na internet e começo a ver comentários sobre a nova novela da grobo que vai estreando, bate aquela curiosidade e ali aterrisso.

Aí ouço esse parará parará, que é o comecinho dessa música e pronto. Sei que conheço de algum lugar, porque todos sabemos que eu nunca gosto de nada que nunca ouvi antes, mas de onde, meu deus?

De onde, que essa memória não me presta, que eu nunca sei e não lembro das coisas?

Vou fuçar, porque eu sou dessas (!) e caço no site da novela e até que acho uma lista com a trilha, mas teimosa que sou perco logo a paciência, porque quero que seja só o instrumental e o parará parará parara sempre, então desisto e vou descobrir esses coisos que descobrem a música pra você.

Bem podia ligar pra minha amiga R. que sempre foi ninja nessas coisas, mas aqui há (algo de) vergonha na cara, então vou mesmo pelo coiso.

Aí o microfone não funciona, aí não tem como colocar o som nas alturas a essas horas, aí fuça daqui e futrica dali, consigo descobrir que, afinal, tava lá na lista e no youtube o tempo todo.
É o Ednardo, enquanto engoma a calça.

Devo já ter dançado essa música nos áureos tempos, será?
Não sei, que não lembro, que não presta essa memória, mas deve ser.

Aí tudo bem, a música toda, etc. etc., mas não: o que interessa é o parará. É o começo.
Só o violão... e todo o resto.
Tem aí dois climas, esse mais batidinho e o mais agudo. Eita que eu sei muito de música!
Foda-se. Importa que tem essa parte aí, que vai e volta e acaba.
E é só isso mesmo. Que eu ouvi esse pedacinho e fiquei assim, ob... obsessiva? Porque obcecada não é, né?
Sei não como chama isso, quando a pessoa tá estacionada em alguma coisa. Só pra revelar o grau da minha ignorância.
Mas sim, novamente: foda-se.
É só que é tão lindo e tão daqui.

Me lembra agora do Grande Sertão, que eu não visito há tempos. Dia desses um amigo me mandou uma reportagem sobre galera lendo o Tempo perdido, numas rodinhas intelectuais, e galera fazendo curso e gente falando que tem que ler depois dos quarenta, ou que leu na juventude, ou que não deu pra ler ainda porque-tem-tanta-coisa-pra-ler e algum desinfeliz me diz que leu a versão em quadrinhos(?). Será isso? Ou foi o Grande Sertão que a figura leu em quadrinhos? Acho que ela leu o Tempo em quadrinhos e, sem ler a prosa do Proust, comparou com Guimarães.
Sinceramente, foda-se que você leu ou não leu, não tem nem que um nem que outro. Só acho ridículo vir com desculpinha e que tem-tanta-coisa-pra-ler. "Escolhi não ler", "não quero ler", "não me interessa", "achei um porre" "nuncovifalá", qualquer coisa. Agora parece que a pessoa tem alguma culpa ou pecado que precisa pagar, como se perdesse a carteirinha... de que? Inteligente? Intelectual? Descolado? Aí você não leu o livro e perde a carteirinha.
Eu, do alto da minha arrogância, se alguém vem me entrevistar - ou perguntar, né, porque concordemos que eu não sou alvo de interesse de repórter - sobre um livro que não li, espero que eu tenha a decência de dizer "amigo, li não, liga mais tarde".

Enfim, só porque esse parará tem sabor de sertão.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Elastic heart

Outra noite.
Há tanto tempo que não dava cá uma vontade de vir dizer, e me dizer, e me ver, e ver. Achei que tinha acabado, mesmo, como todas essas coisas da vida que vem e vão até que só vão.
Então estava eu aqui, curtindo o máximo da... futilidade? Assistindo reality show, depois de anos, mas a verdade é que me ajudou a lidar com a tensão dos últimos dias. Um pouco de projeção, muito certamente, e sei lá. Gosto é de ver as discussões e a doida da AP me pegou. Acho que um pouco dessa inveja da pessoa que vai lá e fala, em vez da pessoa que fica pensando. Sempre um problema isso, de ir lá e falar, simplesmente deixar sair e se ir.
Aí fiquei chateada com saída dela e toda essa loucura de "e daí?", até tive umas taquicardias hoje e bem pensei que devo estar muito louca.
Mas nesse meio tempo, a vida segue e se multiplica e se celebra então vamos seguindo.
Acho que esses últimos dias foram bem importantes, porque voltou cá alguma confiança, talvez, depois das chapuletadas. Sei lá se um renascimento, ou um reencontro, depois deste ano tão foda.
É difícil achar um sentido pra vida, um caminho a seguir. O que fazer, depois de tanto tempo?
E as dúvidas, deusmeu, depois de tanto tempo.
Mas não sei, de repente tá aí uma resposta, uma trilha, ou sei lá.
O fato é que eu tava aqui perdida na internet e cheguei nessa música da Sia, que eu tinha ouvido alguma vez em algum lugar e pensei: não posso esquecer. Talvez tenha até anotado naquele bloquim do celular que eu não vejo nunca, mas para espanto geral eu lembrava que era Sia, e elastic heart.
Aí tava vendo numa entrevista ela dizer o porquê do cabelo e talz e eu gostei tanto dessa música e dessa ideia.
E tava aqui, inocentemente ouvindo, quando bateu essa vontade, sombra talvez do que foi um dia, mas vontade ainda assim, de voltar a essa casa.
Talvez abrir as janelas, ventilar, não sei se pra ficar, provavelmente não.
Mas que bom, né, escrever e foda-se se tem muita vírgula.
E foda-se se faz sentido, se está bom ou ruim, se vão achar isso ou se não vão achar aquilo, porque sim.
Ouvindo do coração elástico dá aqui esse sentimento que há tempos não me visitava, essa coisa nem alegre nem triste, talvez essa dor de viver, mas uma dor boa, uma saudade, uma saudaaaaade...
Pois sim, o tempo segue e a vida segue e a gente vai indo nela.