Só porque eu fui na feira do livro da Usp, semana passada (eita que parece ter sido há mais tempo), e o primeiro lugar em que parei foi na L&PM. Sem querer dar ordem de valor às coisas por elas serem primeiras ou segundas ou últimas, mas no caso a colocação é muito importante, porque significa que eu ainda estava com paciência de olhar todos os títulos disponíveis e, pra variar, os livros estavam razoavelmente arrumados. E o melhor é que as edições são de bolso, então além de mais baratas são levinhas e dá pra carregar na bolsa sem agravar demais a cacunda.
Bem por acaso achei o do Salinger sobre o Seymour que eu tava querendo ler faz tempo, mas sempre esquecia de comprar ou não achava ou sei lá* e ia já começar a ler, mas ele é o mais fininho e resolvi deixar pra estrada. Ironica ou belamente, comecei foi o On the road e acho que seguiremos até o fim. É o manuscrito original, sei lá que importância tem isso, mas tá lá destacado na capa.
E toda a história do fluxo, tenho aqui alguma sensação de reconhecimento que não consigo identificar bem. Pode ser total piração, até porque leio traduções, mas fiquei pensando que afinal os dois, Kerouac e Salinger, parecem ter alguma coisa em comum, talvez vocabulário, ou um jeito meio engraçado de dizer as coisas. Ou eu estou mesmo só forçando a barra, porque estão ambos abraçados na mesa de cabeceira.
E é claro, não tem como não, fiquei pensando no lance todo da estrada e tentando despertar em mim essa fome e entendendo que a estrada dos caras não é a minha mas quem sabe elas se cruzam, e se cruzarem, quem sabe se seria bom?
Fico me colocando no lugar de algumas das personagens, imaginando o que eu diria no lugar delas e está tão no nível do impossível, porque é óbvio que o que parece extremamente sedutor desenhado numa folha de papel pode ser completamente abominável em carne e osso e além do mais eu tenho esse jeito de travar em momentos chave, de ficar sem resposta e me quedar em silêncio porque não sei bem o que dizer e de repente é isso que põe tudo a perder. Ou a ganhar, se é verdade que só acaba quando termina e, como diria Cazuza, ainda estão rolando os dados.
Pois vou lá, ao encontro de Jack, ver se ela me chama e para onde nos leva.
* Lembrei, lembrei: fiquei matutando por que tinha deixado pra lá toda a história do Seymour depois de ter fixado nela como fixei há relativamente pouco tempo, mas agora lembrei. Ao invés de comprar esse livrinho, o da cumeeira e da apresentação e etc, baixei a novela ou sei lá como chama aquilo, aquela carta que supostamente o Seymour escreveu quando era criança e tava num acampamento com o Buddy e não foi traduzida e eu pensei "oras, lerei no original" mas larguei no meio, em parte porque não entendia, noutra porque o que eu entendia parecia totalmente fritado e, por essas e outras, deixei de lado. O engraçado é que tenho pensado bastante no Seymour, de modo assim meio abstrato, acho que mais na história dele como personagem e os caminhos que o Salinger criou ou descriou pra ele. Mas, como diz o Kerouac, mais sobre isso adiante, quando eu chegar lá.
Páginas
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
sábado, 17 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Transa
Só porque eu tinha esquecido e de repente me lembrei. E poucas pessoas, se alguma, nesse mundo podem entender a beleza e a tragédia do seguinte: gamei no Caetano.
E odeio Caetano.
Ok, talvez odiar seja um termo forte, mas eu seguramente desgosto com regularidade aferrada.
Mas gamei e está feita a merda.
Mais a dizer, em anotações perdidas em cadernos vermelhos, mas por hoje é só.
E odeio Caetano.
Ok, talvez odiar seja um termo forte, mas eu seguramente desgosto com regularidade aferrada.
Mas gamei e está feita a merda.
Mais a dizer, em anotações perdidas em cadernos vermelhos, mas por hoje é só.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Novembro
Do meio do caos.
Eu agora.
Tanta coisa para arrumar, embalar agora para desembalar já já e depois arrumar tudo e em seguida desarrumar e embalar e partir. E tudo que quebra e se parte e se renova, tantas despedidas e esperanças.
Assim acordei, hoje. E enquanto tudo paira e nada se assenta, encontro num fundo de gaveta um manuscrito, reconheço minha letra garranchosa, vejo a data. Época em que fui feliz e apreciei e, para o bem ou para o mal, passou e eu sigo ainda hoje tentando recuperar, mas tempo passado é tempo ido.
Pois sigo guardando, procuro uma música de empacotar, toca Nando Reis, que me lembra mar e sol, e eu transcrevo:
"Não sei o que em mim insiste em resistir ao sono.
Aquele cansaço doído e gostoso, a possibilidade de recuperar nem sei o que que volta com as manhãs. Como uma vontade muito grande que tem a realização adiada não para lhe aumentar o valor, mas para aproveitar isso. Do cansaço do justo, das tarefas realizadas, da sensação de dever cumprido. Amanhã não terá isso, talvez. Terá cheiro de dia novo, de livros novos, de chuva e um calor gostoso, mas será amanhã, não sono.
Então depois de muito postergar eu me deito, mas rapidamente me levanto, para adiar, ouvir, dizer.
Conversei esses dias, depois de muito tempo, depois de anos, sobre o Kundera [opa, foi daí que ele ressurgiu!]. Perguntada assim, de chofre, se já li a Insustentável e me surpreendo com á forma como posso ser totalmente desconhecida para alguém.Quer dizer, sem ser o cúmulo do egocentrismo, mas é estranho - apesar de óbvio - pensar no tanto de gente aí fora que não faz a menor idéia de quem eu sou, muito menos do que eu já li.
E isso é tanto o Kundera, né? A referência feita foi sobre essa coisa do apaixonar-se, que torna o mundo lindo/melhor e depois acaba. Eu já acho que guardei do livro - quem sabe da vida - a história da sinfonia. Que a gente vai compondo e se encontra no começo do trabalho alguém para compor junto, fazemos lá a música, mas se não, se seguimos compondo solitariamente e só no meio do caminho encontramos um parceiro de estrada, afinar e harmonizar as músicas já compostas em separado é difícil demais.
Mas, mais que isso, a conversa avançou para as janelas. Metáfora mais que batida, mas ainda muito acurada, do mundo que se abre. Abrir, eis o verbo. O que antes estava fechado, o que antes não existia e se abre, assim nasce, e transforma, e então é tarde, já o antes é que não mais existe, o mundo é outro e pode ser novo.
Eu não saberia responder, nessa madrugada, sobre as minhas janelas. O instinto primeiro é dizer que elas não existem, o que é uma simplificação tremenda, mais do que uma mentira. A verdade é que ao fim e ao cabo, somos nós a janela, não parece? Somos o antigo e o novo, que coexistem e se revezam e podem permanecer em eterno descompasso.
Vez em quando tenho a impressão de que a vida é que nos vive, bem naquelas do "não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar". E a gente se deixa ir e vir, porque não tem como impedir, e quando pode curte o balanço, porque tudo é a viagem, com altos, baixos e ocasionais náuseas. É a brincadeira e o jogo e as janelas somos nós, com todas as possibilidades enterradas e esquecidas, e o tempo que passa, e o medo e a hesitação e a exultação.
Vale só lembrar de não ser Carolina."
São Paulo, 24 de novembro de 2010, 1:53.
Eu agora.
Tanta coisa para arrumar, embalar agora para desembalar já já e depois arrumar tudo e em seguida desarrumar e embalar e partir. E tudo que quebra e se parte e se renova, tantas despedidas e esperanças.
Assim acordei, hoje. E enquanto tudo paira e nada se assenta, encontro num fundo de gaveta um manuscrito, reconheço minha letra garranchosa, vejo a data. Época em que fui feliz e apreciei e, para o bem ou para o mal, passou e eu sigo ainda hoje tentando recuperar, mas tempo passado é tempo ido.
Pois sigo guardando, procuro uma música de empacotar, toca Nando Reis, que me lembra mar e sol, e eu transcrevo:
"Não sei o que em mim insiste em resistir ao sono.
Aquele cansaço doído e gostoso, a possibilidade de recuperar nem sei o que que volta com as manhãs. Como uma vontade muito grande que tem a realização adiada não para lhe aumentar o valor, mas para aproveitar isso. Do cansaço do justo, das tarefas realizadas, da sensação de dever cumprido. Amanhã não terá isso, talvez. Terá cheiro de dia novo, de livros novos, de chuva e um calor gostoso, mas será amanhã, não sono.
Então depois de muito postergar eu me deito, mas rapidamente me levanto, para adiar, ouvir, dizer.
Conversei esses dias, depois de muito tempo, depois de anos, sobre o Kundera [opa, foi daí que ele ressurgiu!]. Perguntada assim, de chofre, se já li a Insustentável e me surpreendo com á forma como posso ser totalmente desconhecida para alguém.Quer dizer, sem ser o cúmulo do egocentrismo, mas é estranho - apesar de óbvio - pensar no tanto de gente aí fora que não faz a menor idéia de quem eu sou, muito menos do que eu já li.
E isso é tanto o Kundera, né? A referência feita foi sobre essa coisa do apaixonar-se, que torna o mundo lindo/melhor e depois acaba. Eu já acho que guardei do livro - quem sabe da vida - a história da sinfonia. Que a gente vai compondo e se encontra no começo do trabalho alguém para compor junto, fazemos lá a música, mas se não, se seguimos compondo solitariamente e só no meio do caminho encontramos um parceiro de estrada, afinar e harmonizar as músicas já compostas em separado é difícil demais.
Mas, mais que isso, a conversa avançou para as janelas. Metáfora mais que batida, mas ainda muito acurada, do mundo que se abre. Abrir, eis o verbo. O que antes estava fechado, o que antes não existia e se abre, assim nasce, e transforma, e então é tarde, já o antes é que não mais existe, o mundo é outro e pode ser novo.
Eu não saberia responder, nessa madrugada, sobre as minhas janelas. O instinto primeiro é dizer que elas não existem, o que é uma simplificação tremenda, mais do que uma mentira. A verdade é que ao fim e ao cabo, somos nós a janela, não parece? Somos o antigo e o novo, que coexistem e se revezam e podem permanecer em eterno descompasso.
Vez em quando tenho a impressão de que a vida é que nos vive, bem naquelas do "não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar". E a gente se deixa ir e vir, porque não tem como impedir, e quando pode curte o balanço, porque tudo é a viagem, com altos, baixos e ocasionais náuseas. É a brincadeira e o jogo e as janelas somos nós, com todas as possibilidades enterradas e esquecidas, e o tempo que passa, e o medo e a hesitação e a exultação.
Vale só lembrar de não ser Carolina."
São Paulo, 24 de novembro de 2010, 1:53.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Ventania
Tive bem agora um baita deja vu; não sei por que caminho cheguei ali mas fui lembrando de uma manhã, já há uns bons anos, manhã cedo num acampamento com amigos queridos, e acordar cedo com o calor do sol ouvindo uma música então desconhecida, violão e voz, e de repente as pessoas ao redor da minha barraca irem cantando junto e ser tão bom.
Um despertar feliz, desses momento meio mágicos porque tão simples, nada e tanto, uma ilusão de contato, uma falta de ausência, acho que a definição de felicidade como não querer estar em nenhum outro lugar do mundo. A única que conheço, tão pouco e tão difícil de alcançar.
A música, só depois descoberta, é do Ventania e e fala dos cogumelos azuis e do "violão na costa".
Saudade pra caralho.
You Oughta Know
Meio bipolar, mas é isso.
Essa é uma ótima música para karaokê.
A melhor, talvez.
Tem todo esse lance da raiva que explode pelos poros e não tem nada a ver, mas me lembra a Joana, que eu fui ver uma segunda vez antes do fim da temporada.
Esse ódio sem fim e sem saída, totalmente incorreto mas parece tão... não sei, a gente passa a vida tentando não entrar por esse caminho, porque sabe perfeitamente que ele só pode levar à total destruição, então vamos respirando fundo, tentando esquecer, talvez perdoar, deixando ir, mas tem alguma coisa catártica no ódio puro.
Num mundo tão cinza, tudo em meio tom, chegar ao absoluto parece mais precioso. E desgastante, tal como passar a vida tentando não chegar a extremos. Acho que a conclusão é que cansa, mesmo. Tudo.
Mas eu tinha me esquecido dessa música e dessa mulher e desse disco e agora me pergunto como.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Fim
Rápido, tenho que escrever logo, ou logo não escrever, que a vida ou o que a gente chama de vida e na verdade é uma farsa chama, demanda, exige e é preciso ir. Para onde não importa, só seguir indo, em frente ou em círculos, para o alto ou para baixo, norte ou sul, mas ir e jamais voltar.
Voltar nunca.
E tudo que poderia ser, tudo que poderia ter sido, esse tempo verbal atemporal nem futuro nem presente, pura impossibilidade, tudo que poderia ser e não é e não foi e não será dói de repente, inesperadamente, de forma tão completa que nada resta além de uma dor pontiaguda, congelante sob o sol num céu azul.
Tanta coisa que ficará desconhecida, tanta vida em desencontro e você não vai estar aqui para ver, ouvir, sentir, rir e cantar e estar aqui, estar aqui, estar. Aqui.
Sim, eu sei que é pouco, mas só resta hoje dor e saudade.
Voltar nunca.
E tudo que poderia ser, tudo que poderia ter sido, esse tempo verbal atemporal nem futuro nem presente, pura impossibilidade, tudo que poderia ser e não é e não foi e não será dói de repente, inesperadamente, de forma tão completa que nada resta além de uma dor pontiaguda, congelante sob o sol num céu azul.
Tanta coisa que ficará desconhecida, tanta vida em desencontro e você não vai estar aqui para ver, ouvir, sentir, rir e cantar e estar aqui, estar aqui, estar. Aqui.
Sim, eu sei que é pouco, mas só resta hoje dor e saudade.
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