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domingo, 22 de março de 2009

There can be only one!

Muitas vezes, como agora, eu tenho certeza de que há algo errado comigo. Muitas vezes, não agora, penso isso no mau sentido.
As pessoas vivem falando de mensagens subliminares - é esse mesmo o nome? Que os caras colocam num filme em milésimos de segundos uma imagem da coca-cola, aí você fica morrendo de vontade de tomar coca-cola, e talz. Ou sei lá, de traumas de infância ou coisas que te dizem e das quais você nunca se livra. Eu vivo comentando como minha irmã sempre me disse que eu tenho uma voz feia - apesar de nossas vozes serem quase idênticas - e eu sempre acreditei e não conseguiria me livrar. Ok, não está aqui em discussão a feiura da minha voz, mas o quanto eu acredito nela.
Bem, isso tudo tem um sentido. Porque hoje eu me peguei pensando no Highlander, dizendo que só pode haver um. Acho que eu ouvi isso, sei lá, sem parar, enquanto eu dormia, em algum momento da vida e pegou.
Ou talvez o 1 seja mesmo um número perfeito, e talz. Eu gosto de números primos, basicamente. E dos divisíveis por 3, mais ainda dos por 9. Mas pensando bem a respeito, o 1 é o primeiro, né? E tão básico, sei lá.
Acontece que a idéia me ocorre repetidamente, sobre os mais diversos temas e perspectivas. Aí a parte de mim que pensa, intervém dizendo que não precisa haver necessariamente só um, olha o tamanho do mundo, pode haver, por exemplo, dois. Por que não?! Aí eu me convenço, até parar de pensar no assunto e a oportunidade sugir de novo e meus instintos voltarem berrando, fazendo uma dancinha desengonçada, gritando "um, um, um!". E começa tudo de novo, basicamente.
Eu não me acostumei ainda às coisas que me divertem nessa vida. E no quanto elas divertem. Tantas besteiras que me fazem genuinamente feliz, mesmo que por um tempo excessivamente curto. E eu rio sozinha e fico com um sorriso imbecil na cara, e, sei lá, saio de mim. Talvez seja nesses momentos que a gente faz mesmo parte de alguma coisa maior do que a gente.
Sonhar com anéis de fogo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Bonde do dom

Saudade.
Conversando pelas ruas noturnas de São Paulo, ainda verão mas um vento agradável, sem fome, sem sede, sem sapato apertado. Falando e pensando nisso da gente ter saudade de um tempo que... não foi.
Minha vida inteira eu me lembro de sentir saudade de um período anterior, como se fosse feliz, e quando paro pra pensar, sempre sempre eu carreguei comigo essa tristeza melancolia, sempre a falta de algo, inclusive da tristeza.
Eu nunca contei isso pra ninguém, acho, mas uma vez, uma cachorra nossa morreu, de repente, e eu fiquei muito chateada e senti, ao mesmo tempo, um alívio, porque não sei por que eu achava que não sentia nada.
Eu talvez ainda descubra se sou mesmo clinicamente deprimida, ou se é só mesmo a vida. A minha vida e eu na vida.
Hoje... bem, não especificamente hoje, mas dessas coisas que estiveram sempre ali e num dia... hoje Marisa Monte e Cartola deram as mãos pra me dar uma rasteira. E no meio do caminho uma dessas saudades. Na minha despedida deLeiden, de ouvir algumas poucas músicas do Universo ao meu redor. Foi tão bom e tão... insuficiente. Acho que talvez venha daí isso que eu tenho. Da consciência da efemeridade.
Vêm, passa, eu durmo, acordo, passa, vem, eu durmo.
Me pergunto se há mesmo algo errado, e o quê.

quarta-feira, 4 de março de 2009

É de avalanche, né?
Mas lembrei de uma coisa que vinha querendo dizer há dias.
É assim, mais um inconformismo meu comigo, que não aceito e, redundância das redundâncias, não me conformo.
Bem, amigos, é o seguinte: eu tenho um poder. Não é assim uma conquista, nasci com ele, não me gabo, apenas reconheço. Ele consiste na capacidade extraordinária de ler - isso mesmo, as tais letrinhas, uma em seguida da outra - por um tempo enorme, ininterruptamente, a uma velocidade considerável. Ler, digamos, mil páginas em 2 dias não é atividade que me pareça impossível. Ok, talvez nem seja assim um poder tão especial, mas enfim, há que se reconhecer que não é coisa tão comum.
O problema é que eu só posso fazê-lo com romances bobos. Dá aí uma Bridget Jones ou coisa muito pior e num instante eu acabei. Já com uma literatura que eu considero boa - apesar de não tão efetiva como passa tempo - e a coisa desanda. Livros de história, então, Ave Maria. Tenho dito muito ultimamente, não sei por que, "ai, meu São Crispim!".
Foi-se.
Eu ergo as mãos para o céu e pergunto por que eu não posso usar meu poder para o bem.
Mas é isso, a característica dele e minha. Não, posso, pura e simplesmente.
Não é sempre que eu estou no clima desse tipo de livro, mas andei passando por um hiato. Estou deveras com saudade do Proust, do fundo do meu coração, mas não me sinto ainda impelida a voltar. Só que não encontro inspiração para seguir muito adiante. Até achei uns títulos interessates no sebo, até comprei, mas começo a ler e sei lá. O momento agora, infeliz ou felizmente, é Bridget Jones.
Aí minha mãe, de sacanagem (citando o Oswaldo Montenegro, contando a história da camisa do Fluminense), me deu de aniversário um romance de banca. Desses piores do mundo, que eu não sei como alguém tem a coragem de publicar, ainda que em banca. Eu confesso que li, em 5 minutos, mas alego em minha defesa que é porque a situação anda crítica.
Comparando, a Bridget vai aos céus. Sem grandes revelações, mas eu acho bom, de verdade. Diz a que veio, e diz bem. Sei lá, isso das regras da vida. Eu gosto e ponto.
Mas gostaria mais se pudesse sentar e ler das galinhas e baratas em menos de cinco anos.

Muitas e muitas vogais

Ouvindo, vez por outra, já há algum tempo, uma tal banda que um amigo me apresentou, cuja língua, país de origem e tema das músicas desconheço.
Claro que com esse negócio de internet - que aliás, é internet mesmo, na língua maluca dos caras! - a coisa mais fácil do mundo é saber. Se eu quisesse.
Me atrai a idéia de ouvir uma música cantada por alguém e não fazer idéia.
Eu muitas vezes me pergunto, ainda mais depois das últimas viagens, como seria ouvir português sem entender. Talvez esse fosse assim um top 10 de coisas impossíveis que eu gostaria de viver. Não pra sempre, que sou, afinal de contas, uma garota apegada, mas o suficiente para sentir o estranhamento e lembrá-lo, depois.
Enquanto o calor grassa por aqui, eu sigo pensando nos outros dizeres e -esses que eu gostaria tanto de falar, mas sinto falta de ouvir.
Saudades.

Volta

Ah, os começos.
Hoje pensei em dois ou três temas fortes para escrever aqui. Fortes no sentido de ter a idéia geral e a frase inicial, que é do que preciso para começar. É assim que funciono: penso um pouquinho, escrevo um tantão e depois vejo como acabar.
Aí agora, com a casa já em silêncio, meu sono ainda um tanto distante, a tv sem nada para ver, livros que não quero ler, venho aqui, decido abrir o blog e as idéias e frases se foram.
Ainda em Leiden eu conversava com um amigo que estava puto por ter, na noite anterior, pensado várias coisas interessantes sobre o trabalho dele, antes de dormir, e no dia seguinte não sobrou nada. Acho que na verdade a gente tem mesmo essas revelações naqueles momentos intermediários em que as realidades se misturam, os sonhos parecem reais ou talvez... não sei, eu pelo menos faço muito essa confusão, de não saber qual metade do círculo é real e qual não é, como se eu estivesse sempre fora da realidade sem saber, e minha vida fosse o outro lado.
E as revelações. Talvez elas venham mesmo nesses momentos de passagem, nesses meio que portais, nesses crepúsculos em que somos e podemos e sabemos mais do que parecemos ser e poder e saber.
Então, essa tarde, como em muitas que foram e que virão, eu entrei num ônibus para uma ou duas horas de viagem que já nem doeriam, não fosse o diabo do ar condicionado. Sim, tudo bem, puta calor dos infernos, mas o cheiro do ar não tem pagamento possível. E, sabendo disso, que eu enjôo mesmo, sem saída, viajando sem vento, tomei lá meu draminzinho e passei parte da viagem meio em alfa. É um sono diferente, né, esse meio dopado. Isso porque eu já sou mega resistente, às vezes nem durmo, mas ainda assim. Não dormi profundamente, mas fiquei um tanto nesse estado de transição, sentindo aquele baita solão do lado de fora, olhando as nuvens e aquele céu estranho de São Paulo.
Peço desculpas pela insistência e repetição, mas a sério. O céu é muito diferente. Mais do que qualquer coisa, eu acho. O sol, parece que puxa a gente pra cima. Ou talvez seja mesmo só o dramin.
Dá pra perceber que eu não tenho frequentado ultimamente esse meu espaço, mas sempre me prometo o esforço de vir e dizer qualquer coisa. E na maioria das vezes, depois que passa o sono, saio do chuveiro ou termina o programa que eu via na tv, a vontade se perdeu, ou talvez nunca tenha existido.
Exceto que hoje de fato existiu e eu de fato vim.