Ah, os começos.
Hoje pensei em dois ou três temas fortes para escrever aqui. Fortes no sentido de ter a idéia geral e a frase inicial, que é do que preciso para começar. É assim que funciono: penso um pouquinho, escrevo um tantão e depois vejo como acabar.
Aí agora, com a casa já em silêncio, meu sono ainda um tanto distante, a tv sem nada para ver, livros que não quero ler, venho aqui, decido abrir o blog e as idéias e frases se foram.
Ainda em Leiden eu conversava com um amigo que estava puto por ter, na noite anterior, pensado várias coisas interessantes sobre o trabalho dele, antes de dormir, e no dia seguinte não sobrou nada. Acho que na verdade a gente tem mesmo essas revelações naqueles momentos intermediários em que as realidades se misturam, os sonhos parecem reais ou talvez... não sei, eu pelo menos faço muito essa confusão, de não saber qual metade do círculo é real e qual não é, como se eu estivesse sempre fora da realidade sem saber, e minha vida fosse o outro lado.
E as revelações. Talvez elas venham mesmo nesses momentos de passagem, nesses meio que portais, nesses crepúsculos em que somos e podemos e sabemos mais do que parecemos ser e poder e saber.
Então, essa tarde, como em muitas que foram e que virão, eu entrei num ônibus para uma ou duas horas de viagem que já nem doeriam, não fosse o diabo do ar condicionado. Sim, tudo bem, puta calor dos infernos, mas o cheiro do ar não tem pagamento possível. E, sabendo disso, que eu enjôo mesmo, sem saída, viajando sem vento, tomei lá meu draminzinho e passei parte da viagem meio em alfa. É um sono diferente, né, esse meio dopado. Isso porque eu já sou mega resistente, às vezes nem durmo, mas ainda assim. Não dormi profundamente, mas fiquei um tanto nesse estado de transição, sentindo aquele baita solão do lado de fora, olhando as nuvens e aquele céu estranho de São Paulo.
Peço desculpas pela insistência e repetição, mas a sério. O céu é muito diferente. Mais do que qualquer coisa, eu acho. O sol, parece que puxa a gente pra cima. Ou talvez seja mesmo só o dramin.
Dá pra perceber que eu não tenho frequentado ultimamente esse meu espaço, mas sempre me prometo o esforço de vir e dizer qualquer coisa. E na maioria das vezes, depois que passa o sono, saio do chuveiro ou termina o programa que eu via na tv, a vontade se perdeu, ou talvez nunca tenha existido.
Exceto que hoje de fato existiu e eu de fato vim.
Um comentário:
adoro vc Má.
o finzinho deste post.
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