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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Clandestino

Estou me sentindo meio desconfortável na minha pele.
Podem ser hormônios, a lua, o sol ou saturno de novo, pode ser doideira minha ou só a vida que segue seu curso, mas ainda é ruim. Tive uma série de estranhamentos ultimamente, com as pessoas ao meu redor crescendo e eu me sentindo um tanto estagnada, em parte por minhas escolhas, em parte não.
Aí estava aqui conversando com uma amiga bem resolvida, se é que alguém o é, e achei tão curioso que ela também está na maior crise. Numa vida completamente diferente da minha, morando num lugar totalmente diferente do meu, com encanações totalmente outras, e ainda em crise.
O foda é perceber isso, as crises não passam; se transformam aqui e ali, mas sempre existem. E cansa tanto, perceber isso todos os dias de novo; a gente sabe, mas esquece, aí uma vem e passa e a gente suspira e diz "ufa, essa já foi" e ali na esquina tem outra se formando. Por uma coisa ou outra ou ambas.
E tava cozinhando antes, em silêncio à princípio, depois cacei um Manu Chao há meses esquecido e cheguei a essa conclusão, totalmente alheia, eu acho, ao que ele quis dizer, mas desse sentimento de ser clandestino na vida.
Sei lá.
E o buraco que não enche, não importa o quê?
A verdade é que nós todos viemos pra vida sem papel, meu caro.
Esses dias levei a sobrinha para tomar sorvete com uma amiga minha. Ela ali sentadinha, tomando o sorvete azul, e eu e a amiga conversando ao lado, na mesa. Boca suja que sou, não seguro um palavrão, um filho-da-puta qualquer, mas como a sobrinha cresce e acho inconveniente ela começar a falar tantos palavrões tão cedo, contornei, ou melhor, corrigi, para "filho-da-mãe". Eis que a sobrinha dá uma pausa no sorvete azul, olha para mim pensativa e rebate: mas todo mundo é filho da mãe. Elementar, minha cara. Eu bem olhei pra ela e respondi da única forma que me ocorreu: é, você tem razão... mas uns são mais que outros.
Achei tanta graça nessa minha imbecilidade, o que provavelmente não revela de mim mais do que eu ser uma tremenda imbecil.
Então é isso; ninguém leva papel, mas uns levam menos que outros. Muito menos, no caso.
E eis que ressurge em mim a vontade de sair, outra língua, outra geografia, ser em outro lugar alguma outra coisa que é a mesma.
A rima, Drummond, a rima, que diabos, e onde caralhos está a solução?

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