Já há algum tempo eu penso nisso.
Vi algumas pessoas - orkut é isso, minha gente! - colocarem como lema, quem sou eu, ou sei lá o que, "viver ou morrer é o de menos, a vida inteira pode ser qualquer momento; ser feliz ou não, questão de talento". Uau, né, que profundo!
A minha dúvida, ao ver isso estampado na cara de alguém, é se a pessoa tem alguma auto-crítica. A sério. Sei lá, se pensa um pouco sobre si e o mundo, para além de se fazer auto-elogios ou querer parecer bem sem grande esforço.
Eu concordo inteiramente com a idéia, não haja dúvida sobre isso.
Mas a única pessoa feliz que eu conheço é minha sobrinha de 3,5 anos.
Vasculho minha cabeça, as lembranças, pessoas que eu vi na rua, e só penso nela. Nem eu com 3,5 anos não era feliz. Acho, ou não lembro de ser. Talvez seja essa a questão, de ver a felicidade sempre nos outros, a eterna história que me persegue e eu persigo, da grama do vizinho que, pelo menos aos meus olhos sem talento, insistem em parecer mais verde.
Não que eu seja um poço de infelicidade, mas sou, sim, uma pessoa melancólica que vez por outra tem momentos assim de uma alegria gritante que passa rápido demais. E eu ainda não aprendi a sentir isso mais vezes ou por mais tempo, não aprendi que é o pequeno que nos faz feliz, porque para mim o pequeno que me faz feliz torna-se grande, ainda que momentaneamente, e depois murcha e se esvai.
Como ver uma criança com um folha outonal na mão, andando devagar e sendo deixada para trás pela mãe que leva outro bebê num carrinho, até se voltar e esperar paciente e carinhosamente a chegada da criança e da folha (é um post maternal!) ou um velhinho pedalando, devagar mas pedalando, ou um raio de sol num dia escuro, essas coisas me trazem uma alegria que às vezes é plena, mas ainda assim intermitente. Não dura, e talvez seja essa a lição da vida, que nada dura.
Eu tinha medo desse momento, do depois, de não ter nada resolvido e sentir ainda uma dor imensa. A verdade é que não, pode ser uma anestesia ou o choque, mas agora já não dói, agora tenho esperança. Agora me sinto pronta para ver o mundo sem a venda que me tampou os olhos durante tanto tempo.
Uma vez eu disse sobre "tocando em frente" que é uma música de que gosto muito, mas que para mim é futuro, que eu esperava ser um dia uma pessoa que a pudesse cantar com sinceridade, e que no momento eu só podia esperar, e cantar algo sinceramente esperando a verdade vir um dia.
Mesma coisa.
Eu, por mim, se tivesse de citar a canção, e tenho, diria: "leve, a semente vai onde o vento leva; gente pesa. Por mais que invente, só vai onde pisa."
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