Isso dos sonhos.
Eu conheço gente que sonha com muita coisa, sabe com o que sonha. Às vezes sonhos possíveis, outras nem tanto, às vezes eu acho que fazem sentido, outras, não.
Lembro da Mafalda planejando o futuro, pegando um giz e traçando no chão um novelo de linhas cruzadas, aí chega a mãe dela, dizendo alguma coisa e ela "não!! Mamãe, você apagou minha viagem de estudos para o Japão!!".
É esquisito demais gente que faz mapa. Porque eu não faço e, não tendo alteridade, tudo que é diferente de mim é potencialmente esquisito. Não sei até que ponto isso é uma opção consciente ou é só um conformismo intrínseco com a minha falta total de senso de direção. Mapas não servem para nada se você não sabe lê-los.
Um desses dias, eu ouvia rádio e tocou Infinita Highway" e eu chorei. Isso da estrada. Na boca ao invés de um beijo, um chiclé de menta e a sombra do sorriso que eu deixei.
Mas hoje, como todos os dias, hoje em especial, eu penso: "mas não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir". Não queremos lembrar o que esquecemos.
Muita vezes eu me defini como uma pessoa de pouca imaginação. Artisticamente nula, isso de ficar planejando muito exige uma disciplina que eu, dda, não tenho.
Então eu sei muito bem o que quero, apesar de não saber exatamente como quero. Será que isso é possível? E se for, será assim e não ao contrário? Sei como, mas não o quê? Não sei exatamente onde ela está, mas eu vejo alguma diferença. Eu não sei pra onde, mas sei que quero ir. Preciso? Tem diferença, será? Quem será que separa em duas caixas, ou em duas listas, uma chamada "precisar" e outra "querer"?
Recentemente, me pediram pra confiar e eu tentei muito, não sei se consegui. Agora, não sei se eu confio. Recebi uma notícia triste e fui inundada por ela, não sei mais se minha ou alheia. Tem diferença, será? Quem separa em duas caixas, ou em duas listas, uma "minha", outra "alheia"?
Estamos sós e nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar.
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