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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Marambaia

Um disco, LP, desses pequenos. Dentro de um livro, chamado "As casas que fugiram de casa" ou algum equivalente, três casas na capa, rosa, amarela e branca.
A história era da Casa Branca que estava muito triste, porque foi construída por um português, com azulejinhos e tal, e o dono foi embora e não voltava mais. Aí as amigas vão tentar consolá-la, mas ela fica chorando, tanto que o gato escorrega pelo telhado.
No fim das contas, pra satisfazer a Casa Branca, a Rosa e a Amarela fazem um pedido pra Iemanjá e elas se transformam casas-barco e atravessam o Atlântico.
Será que essa história tem alguma coisa a ver comigo? Incluindo as casas-barco? Eu adoraria viver em uma. Aliás, visitei uma essa semana e mesmo com a clautrofobia hipocondríaca, eu tentaria, de coração aberto.
Casinha na Marambaia.
Hoje acordei com essa música na cabeça e cantarolei algumas vezes, inclusive agorinha, quando fui escovar os dentes, até que lembrei que tenho a Bethânia e a Omara cantando. Não é o disquinho da minha infância, não tem a historinha, o livro, os desenhos, o gato, não tem no final o esquema ensinando a fazer umas casinhas de papel, com cortininha e tudo, que sempre foi meu sonho construir mas eu nunca nem tentei.
Isso de sonho não faz o menor sentido, né? Eu até ensaiei escrever um "quase nunca", ou um "às vezes", mas acho que é absoluto, mesmo. É sempre o inatingível. Talvez por isso eu nunca tenha tentado fazer as casinhas, porque não iam ficar iguais às do livro, de qualquer jeito. Do mesmo jeito que eu nunca vou comer um bolo de morango como os que a Magali comia no gibi.
Mas e aí, a gente não deveria fazer casinhas e comer bolos mesmo assim? Entender que não serão tão bons ou bonitos, mas acreditar que podem ser bons ou bonitos.
Eu não sei.
No entanto, não importa o que eu faça ou deixe de fazer, nunca vou dizer "lá na marambaia" como Bethânia ou Elis. Eu posso, apesar disso, ouvi-las agora, inclusive a Elis e a Casa Rosa, porque internet é isso.
A lua nasce por detrás da serra anunciando que acabou o dia.
Afinal a deprimida era a Rosa. Chega faz sentido, né?

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