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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Querido diário

Acho que não vai ter jeito.
Eu não gosto muito de blogs "querido diário", mas acho que esse está prestes a se tornar um. Ou quase um. Eu que não sou muito de contar coisas me vejo agora obrigada, pelos inesperados rumos que as coisas tomam na vida, a vir aqui, contar coisas.
Agora é uma hora da tarde, e eu ainda não fiz nada. Tirei a manhã para descansar um pouco, mas, tonta que sou, coloquei o despertador para 9:30 e desde então estou dormindo e acordando regularmente, mas tudo bem. Da próxima vez eu não faço isso.
Tinha combinado comigo hoje de passar aspirador no quarto, inclusive nas cortinas e almofadas, mas a preguiça foi maior, então fica para mais tarde, ou amanhã.
Eu ontem, ou anteontem, queria contar como foi a viagem. Claro que um clássico "Família Pinto", com direito a irmã que não chega, sobrinha que não acorda, saída atrasada, discussão sobre comprar ou não um lanche para irmã-que-passa-mal-se-não-comer, etc. Mas fui eu quem quis ser levada ao aeroporto pela trupe toda, então não tenho direito a reclamar.
Pulemos a parte das despedidas.
Os vôos foram melhores do que eu poderia esperar; agradeço à Deborah pelos treinos feitos há alguns meses, que se não aniquilaram meu medo de voar, me deixaram mais acostumada, a ponto de não achar que uma curva é uma queda e saber que barulhos estranhos são normais e o avião não está parando. O problema é o meu tamanho, incompatível com as poltronas. Isso porque vim com um assento vago ao meu lado. Quando entrei no avião, pela frente, vi umas poltronas bonitonas e pensei com meus botões "aaah, isso é que é avião!". Ledo engano, inocente criança. "Isso sim que é classe executiva!".
A imigração foi imbecil, passei em Frankfurt e estava tão passada que nem me preocupei, quase saí pelo lado errado, e tive de correr para não perder a conexão. No segundo vôo, vim ao lado de um espanhol que mora em Munique, e nós demos muita risada quando ele disse que praticou capoeira por um tempo e eu contei que faço aulas de dança flamenca. Vai, é inusitado...
O frio não está insuportável, meu aquecedor não chega exatamente a aquecer, tanto quanto não-esfria, mas vai melhorar. Ontem eu andei por horas, moro a 5 minutos do calçadão da cidade e imagino o que essa informação faria com os corações (e bolsos!) de algumas pessoas.
Mas é isso, um primeiro sinal de Leiden. Holanda. Onde eu estou.