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domingo, 9 de novembro de 2008

Resposta

Eu pensava sobre isso mais cedo.
Acho que a diferença entre estar num lugar conhecido e num desconhecido não é assim tão grande como as pessoas pensam.
Acho que eu não me sinto mais - nem menos - solitária aqui do que me sentia antes, em casa, porque eu estou sempre, irremediavelmente acompanhada da minha solidão, que não me deixa nunca, não importa onde eu esteja, e essa companhia tão presente também é absolutamente pressentida, e sentida e vivida, diariamente, não importa onde eu esteja.
Acho que quando a gente está longe, a perda das referências que costumam nos definir, perante nós e o mundo, nos deixam um pouco mais livres para perceber isso. Porque eu não saí esperando ser diferente, saí esperando continuar a ser exatamente a mesma pessoa que sou e não sou todos os dias, então continuo em casa.
Acho que principalmente o fato de desconhecer totalmente a língua que me rodeia e não envolve, porque não me pega, não me fisga, acho que isso é que muda alguma coisa. Porque estamos muito acostumados a ouvir o que vem de fora, e não reconhecer quaisquer sons que nos rodeiam, não nos fisgam, desde as palavras de casais de namorados, ou grupos de amigos, ou crianças de dois anos que perseguem irmãs mais velhas num restaurante com um brinquedo na mão, ou sinos de bicicletas, não reconhecer os sons que nos rodeiam apesar de reconhecer as cenas, isso te coloca num estado diferente. Como uma anestesia, talvez uma apatia, ou talvez esse silêncio cheio de sons incompreensíveis e, talvez por isso, menos sons, talvez toda essa atmosfera simplesmente case com um estado interior já existente, ou crie um estado em que as coisas já não fazem barulho.
Acho que é assim que eu me sinto, sem barulho.

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