Opa, que lembrei mas muito vagamente que comecei a cantarolar, já deitada pra dormir, aquela música tão bonita da Violeta Parra. Volver a los diecisiete.
Sei não de onde ela surgiu, a não ser que de vez em quando essas coisas voltam.
Não liguei o computador, mas procurei no meu novo celular high tech um vídeo dela no youtube e achei com a Mercedes Sosa e entrei numa viagem, daí para Gracias a la vida e a Alfonsina. Chega encontrei uma versão da primeira com a Joan Baez, o que tem toda uma simbologia que não vem agora ao caso, mas o fato é que prefiro com a Violeta. Ou com a Mecedes. E eu muito não sabia que a tal Alfonsina foi uma poetisa que de fato se lançou ao mar e lá se quedou.
Não sei, as duas, ou as três, me trazem essa sensação de pertencimento que é tão engraçada, tão recorrente e de que falo tanto, da idéia de América e de Sul, de alguma coisa que é nossa, mesmo sem que saibamos o que ou quem é nós, mas que nos pertence e a mais ninguém. Porque infelizmente eu ainda estou nesse estágio em que preciso ser melhor do que os outros, mas acho que apesar disso, é nosso e de ninguém mais. Eles lá, ou aqui, ou aí, tem outras coisas, talvez melhores coisas, talvez coisas que nos despertam inveja e vontade de ganhar e que derrubem aqui e ali nossa auto-estima, mas dentre tudo que eles tem ou não, que eles são ou não, não são América e nem Sul. E é engraçado, porque eu muito não conheço a América. Vi um pedacinho minúsculo, quase nada, como sei também quase nada do Brasil. Nem à Argentina ainda não consegui ir. Mas quando as pessoas me perguntam se sou latino-americana, não concebo outra resposta que não um sonoro "sim".
Não era isso, afinal, que eu pensava à noite e sobre o que queria escrever, mas é isso que penso sempre, que está já incorporado em mim. Tenho visto e refletido muito sobre essa questão do ufanismo, por tantas e tantas razões, e o fato é que se me quiserem acusar de ufanista, creio ser obrigada a aceitar, apesar de não pensar em mim dessa maneira. Nem sou patriota a ponto de pensar que venho do melhor lugar do mundo, nem ao contrário, de afirmar o tempo todo como "lá fora" tudo é melhor do que no Brasil; é só que gosto tanto dessa idéia de pertencer a um lugar, não por ser melhor ou pior, mas simplesmente por vir dali, estarem ali minhas memórias e referências, por serem aquelas as cores com que me acostumei a ver o mundo e a gente sabe, ou eu sei, que as cores mudam de acordo com o lugar em que você está. São os sons que minha língua aprendeu a produzir, a música que sai da minha boca quando falo, que pode fazer um menininho de casaco laranja se contorcer na mesa ao lado para ouvir. Não amo-o ou deixo-o, não salve nada, só e simplesmente pertencer a um lugar - e um lugar que são tantos, que podem se expandir até formar um "Brasil" que desconheço ou uma "América" que adoro.
Muito não sei, mas tanto gosto de fingir que sim - e bem pode ser que esse fingimento se prove mais real do que muitas verdades alardeadas aos quatro ventos.
Aqui com Mercedes Sosa e Milton Nascimento. Gosto da levada mais melancólica.
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