Tava aqui na onda com a amiga colombiana ouvindo Manu Chao. Ficamos curtindo o som e tentando lembrar de onde diabos o cabra é, filho de quê ou de quem e de onde tirou essas misturebas todas que faz.
Tenho ensaiado voltar a ele muito, nos últimos tempos, e ficava procurando nos pen-drives e hd's externos onde estavam os álbuns e nunca que encontrava, até finalmente chegar à conclusão de que perdi. Mas, na onda, comecei a ouvir de novo o Clandestino e voltaram algumas músicas de que tinha me esquecido completamente, como essa em francês e me bateu uma saudade do tempo em que eu meio que conseguia falar francês. Estudei até que bastante, talvez se tivesse viajado na época, se não tivesse parado, se...
Tenho percebido, ultimamente, que gosto demais de estudar línguas, mas obviamente não consigo fazê-lo se não for obrigada - e acho que obrigação para mim é do tipo "tenho que tirar nota nessa disciplina ou então perco todos os créditos e o mundo explode" ou coisa assim. Meio que passou do tempo, então. Mas gosto e fico achando que curto todo o lance do instinto, de ficar ouvindo e meio que sair falando - tudo errado e talz, mas a sonoridade e as consoantes malucas e tudo isso.
Não sei a quem eu dizia esses dias que acho que falar francês é achar o sotaque certo em português, engatar a segunda, terceira ou quinta e simplesmente ir embora. Não tenho certeza se é exatamente assim e estou longe há tempo o bastante para criar uma memória absolutamente deturpada, mas seria tão legal se fosse. Como o portunhol, que preciso demais desenvolver.
Tenho estado também nessa onda do espanhol, quem sabe nos próximos meses ele nasce. Fui falar esses dias prum pessoal sobre a Mafalda e ninguém conhecia. Tudo bem, era um pessoal, como direi?, jovem; mas pô, como assim não conhecer a Mafalda? Tão uma instituição, na minha bolha! E fui me dar conta, novamente, de que ainda não pus os pés na Argentina e a cada dia isso me soa mais criminoso. Quem sabe esse é o ano, mas são tantas coisas pra fazer e lugares para ir e eu dizendo que vou encontrar tanta gente e não tenho tempo e dinheiro e dramin suficiente para tudo, ou metade, agora. Mas estou pensando em fazer uma viagem camicase dentro de algumas semanas, algo como vinte horas dentro de um ônibus, lance todo cachorro cinza e etc., me sentindo o próprio Jack Kerouac experimentando as estradas e as paisagens, mas de maneira só um pouco mais comedida.
E, em algum momento do caminho, sinto uma taquicardia tão intensa que parece que vai me explodir, de repente o som subindo e tudo que posso ouvir no mundo é meu coração e literalmente ouço e sinto o peito ficar pequeno para ele, como se ele lutasse para se livrar de amarras ou sei lá o quê, mas o que ele não percebia, ou eu não percebia, é que ele estava de fato solto. É só que é algo apavorante, isso. Eu sou tosca e me pego pensando: o coração da gente dispara assim numas de defesa, de situação de perigo e se preparar para lutar ou fugir, mas nós somos seres tão fodidos nessa vida que a pessoa sente isso confortavelmente sentada, entre quatro paredes, num dia de sol e céu azul, sem perigo algum rondando nas imediações. E ainda, na segurança mais absoluta, nosso corpo reage sem saber bem a quê e a força da reação é tanta que parece nos prostar, chega mesmo a doer de medo de o músculo simplesmente parar ou, quem sabe, de não parar. Não é difícil perceber que a verdade é que não estamos seguros nunca, nem dentro de casa, nem sozinhos, porque a vida... Ai, Diadorim, a vida é perigosa. Precisa mais nada além de estar vivo.
Há tempos, percebo agora, não pensava eu em Diadorim. Nem tanto tempo, talvez um mês ou menos, mas é surpreendente que se tenha passado tanto tempo quando eu imaginei que ele agora já estava dentro e sempre.
Je ne t'aimes plus tous les jours e me pergunto: cuándo llegaré?
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