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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quarta-feira

Não sei se de repente, ou se muito natural e previsivelmente, mas estou/estava com todas essas bolas no ar, muitas bolas de todos os tipos e tamanhos, e de repente, ou logicamente, parece que elas começam a cair na minha cabeça.
Não tenho alma - e coordenação - de malabarista, suponho. Ou "balabarista", como dizia uma amiga minha do colégio. E dizia a sério e eu me lembro do tanto que rimos disso, na ocasião. Foi num chat que ela escreveu, no meio de uma aula do curso de química - é, a gente era panacão e arrancava uma folha do caderno e escrevia "chat" em cima e ficava passando de um pro outro, sem falar nada em particular, mas brincando e passando o tempo (e desrespeitando os pobres professores, mas que fazer?).
Mas eis que as bolas começam a cair, uma por uma e em velocidades distintas. Eu percebo, porque adquiri nos últimos dias uma tremenda dificuldade de lidar com as menores e mais insignificantes frustrações. O engraçado é que eu muito vejo que estou dramatizando, então a consciência me impede de enlouquecer e eu vou voltando devagar para a realidade, mas o peito começa a apertar e eu não sei como fazer pra ele soltar.
E muitas vezes, como hoje, não sei exatamente porque dói. Acho que é por tudo e a pressão que vem de todos os lados, principalmente de mim.
Estou totalmente pirada no Lirinha e tem uma que chama "ela vai dançar" e ele diz que "pra desfazer a dor da quarta-feira".
E no show ele perguntou se a gente sabia o que era a dor da quarta-feira e eu fiquei tão pensando. Que não sei, mas imagino. E hoje me dei conta de como a coisa de que eu mais gosto no mundo são as idéias. Não as coisas, festas, pessoas, mas as idéias que eu crio delas - e sei que isso é uma completa loucura egocêntrica e egoísta, sei que vou me foder grandão pra sempre, porque idéias simplesmente não existem, mas ao mesmo tempo há nelas e na própria abstração algo que me completa e não existe nada mais real que isso.
Então, não, eu não conheço a dor da quarta-feira, mas imagino e pra mim é mais. E bem hoje, nessa noite fria de novembro eu dramatizei total e concluí que a estou sentindo, a quarta, só que sem a terça.
A dor da quarta-feira sem antes o carnaval, como ela em si sem aquilo que a compensa e justifica. Ela como pura e cortante, ela fim e eu esperando o começo.
Eu aqui ameaçando sucumbir, mas tão me acostumei a permanecer de pé, tão endureci a casca de outras quedas que nem sei. Pode ser que as bolas vão caindo sem causar qualquer dano e só fiquem no ar as essenciais. E tudo bem, amanhã melhor, mas hoje está tudo meio difícil.

2 comentários:

Miguel disse...

Esse haver amanhã que deixa a gente se não apto ao real ao menos no sonho de um dia melhor. O amanhã é a nossa esperança, mesmo que a gente deteste frases batidas. Batidas ou não, tem dias em que se acertam. E amanhã irão estar certas.

Cheguei aqui vindo de outro blog, não lembro qual, aí por Junho, Julho. Quando lembro, visito.

M. disse...

Miguel, "junho julho" não foi em outra vida? Outro século, outras pessoas, tudo que não agora?
E seguimos sendo inescapavelmente, mesmo tão diferente do que éramos.
Esse tem sido um ano estranho, mas também todos os anos são estranhos e, nos bons dias, há esperança. Nos maus eu já não sei.
Pois, se quiseres, deixa aí um contato pra gente conversar qualquer hora.
Beijos.