Real e de viés. Hoje a vida foi. Tanto no "ser" quanto no "ir".
Eis que o dia chega ao sem fim e tanta coisa aconteceu sem acontecer.
Tantas verdades que vêm à tona, tal como nem-tão-verdades-assim.
Ia escrever sobre como fiquei mesmo triste e envergonhada, como acho que nunca tinha ficado, vendo aquele vídeo das velhas dondocas botocadas falando sobre o Brasil. E enojada, e pensando que não pertenço ao mesmo lugar que elas. Ou, melhor colocando, elas não pertencem ao mesmo lugar que eu. Tenho, reiteradamente, esse algo de paixão por esse lugar de onde venho (sim, propositalmente no presente, porque continuo vindo e virei para sempre, sem fim, como o errar), o qual não entendo e tantas vezes estranho, esse desconhecido que é minha terra, que não é minha mas eu gostaria que fosse. Digo sempre da minha adoração pela idéia desse lugar - talvez mais do que pelo lugar em si, e é essa uma das idéias que me é mais cara. E eu sou intolerante, ainda, apesar de meus empenhados esforços em deixar de sê-lo. E arrogante, e possessiva, e ver as botocadas falando do meu lugar, da minha idéia, assim, provoca tristeza, e raiva, e nojo, e vergonha. Mas não pertencemos ao mesmo lugar e nisso encontro consolo.
E por caminhos e descaminhos, encontros e desencontros, fui chegando à "morte e vida severina". Que poema, que música.
E antes disso li, no metrô, um poema do Caeiro e eu pensando "tenho de ler Caeiro, mas não gosto de poesia, mas essa é sublime" e senti vontade... de ter trazido meu livro do desassossego, de ter trazido meu poesia completa de Alberto Caeiro em edição de bolso, e resolvo agora colocar na mala. Vou tentar achar o poema e colar aqui, se encontrar.
A conta menor que tiraste em vida. De bom tamanho, nem largo nem fundo, a parte que cabe neste latifúndio.
Tenho essa tendência - não temos todos? - de personalizar o mundo, mas essa idéia é tanto, a parte que te cabe, que sempre é tão pequena. Sinto então essa simpatia ambígua pelas pessoas, todas, sem saber até onde ela chega. E o sofrimento das pessoas que, momentâneo e pálido, sofre também em mim. E os meus sofrimentos, sempre exagerados, que me corroem em solidão.
A vida que vem a cavalo, e vai a jato, e a parte que nos cabe sempre tão pequena. E o resto eu não sei pra onde vai.
Não sei ao menos se existe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário