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sábado, 5 de novembro de 2011

Graça

Tem tanta graça viver. Tudo que coça e dói e passa.
Tudo que a gente poderia ter sido e não foi.
Estou num momento tão engraçado da vida, de algo como questionamento total e absoluto, acompanhado passo a passo dessa certeza de que o que tem de ser, é.
Abre-se à minha frente, inescapável, irresistivelmente, uma janela para uma vida que eu não quis, mas que poderia ter sido a minha. Um caminho aberto, metade de encruzilhada, para o quel nunca antes olhei.
Segui em frente com certeza e precisei chegar tão longe, até aqui, para perguntar "e se?"
E "se" não existe, lembro-me de ouvir pela primeira vez com meu professor de história do ginásio. O mesmo que me inspirou a marcar a profissão que sou eu naquela outra vida, preenchendo fichas de inscrição em universidades. Universidades, s, plural.
E se?
E se o caminho fosse o outro, eu não seria essa agora. Seria outra, talvez melhor, talvez mais feliz, talvez ainda mais perdida. Seria eu? Seria possível me tornar eu como sou, se tivesse escolhido outra estrada?
Abre-se uma janela e não resisto à tentação de olhar. E, olhando, imaginar.
Tantas viagens que poderiam ter sido.
Não tinha de ser.
Eu, a janela, olhamos por caminhos percorridos e esquecidos, apagados à força, recriados, inventados.
Tem que ter graça, a vida.
Tem de ser ou não.

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