Eu tenho a capacidade de concentração de uma ostra.
É meia hora trabalhando e de repente preciso beber água, ou checar uma citação, ou pegar um clipe (é, disse o Aurélio que é assim que escreve, daqueles de papel!), ou ouvir uma música, ou comer uma tortinha de limão, ou falar alguma coisa rapidinho com alguém.
Ou fazer xixi, lavar a mão, coçar a cabeça, alguma coisa, qualquer coisa que não o que tenho que fazer.
Vim - dessa vez pelo clipe, que tinha levado um monte para a mesa mas perdi, aí a culpa é deles e dos seres superiores que os fazem desaparecer, né não? - e comecei a divagar e pensar na música do Chico que fala "está registrado nos dados oficiais", que achei que era "eternos amantes". Comentários, ou nem precisa?
Faz já um tempo que não o ouço, ao Chico, se não por acaso, num rádio ligado deixado esquecido num canto da casa. Ou na minha cabeça, quando vem alguma lembrança ou idéia, como a de agora.
Tão lembro da minha mãe ter os LP's e de um calhamaço de papel com todas - acho que só muitas, né, que ele tem música pra caramba - as letras, que eu ficava aprendendo e perguntando pro pai ou mãe como era mesmo. Lembro, em particular, da "mais formosa das cabrochas dessa ala". Depois meio que parei de gostar dessa, não sei bem por quê.
Sem mais a dizer, no fim desse dia tão quente. Hoje os termômetros da rua marcavam 40 graus e eu senti mesmo aquela ardência na pele de que tinha meio que esquecido.
Ao trabalho, então.
Vou só antes dar um telefonema.
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