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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Reunião

Fui me dar conta assim algo inesperadamente de que, se vivesse numa sociedade que valoriza essas coisas, eu poderia estar numa daquelas festas de dez anos de formatura do colegial.
Como boa viciada em seriados que sou, devo confessar que já pensei nisso algumas vezes, ao longo da minha vida, mas realmente não percebi o momento chegar. Os dez anos sempre pareciam estar muito mais adiante, daqui a cinco anos, ou sete, ou nove, ou só ano que vem, talvez. Não sei se cheguei a pensar nisso nos idos de zero-nove, mas poderia ter pensado. E contrariando o hábito de não lembrar de data nenhuma na minha vida, esta se junta às (poucas) outras que eu sei. Colegial: noventa-e-oito-dois-mil.
E dois-mil foi há dez anos, ? E o final de dois-mil, quando eu terminava as últimas matérias, fechava notas e não ficava de recuperação foi mesmo pelo fim de dezembro. Depois viriam as férias, como desde então não sei fazer. Mais que isso eu não alcanço; tenho às vezes vislumbres do que foi aquele período, principalmente enquanto estava lidando diretamente com adolescentes, de me perguntar como eu fui, como poderia ter sido. Se fiz isso e aquilo e como reagiria a essa ou aquela situação, mas a verdade é que está tudo distante demais. Mesmo me lembrando de como era já não toco com as mãos, aquela garota não existe mais, como tantas outras que já se perderam e ainda se perderão. Quanto tempo será que a gente leva para entender e compreender e incorporar que a vida vai numa mão só? Sempre indo, em frente, e nunca voltar e o que fica pelo caminho forma a lembrança de uma paisagem que vai perdendo a nitidez. O tempo todo as coisas vão e será que a gente um dia deixa de tentar segurá-las com as mãos? E, deixando de tentar por um momento, será que vai continuar deixando no próximo?
Pois o fato é que toda a brincadeira do colégio vai esmorecendo e o que veio depois parece ter maior importância. A grandes decisões foram tomadas depois da escola, se é que a gente decide alguma coisa nessa vida. Como diria o Bernardo, então eu já era o que sou agora, bem pode ser que até melhor acabada, apesar da lapidação que o tempo trouxe.
Cresci, embora ainda falte muito chão para a vida adulta. Talvez hoje menos chão do que ontem, mas ainda.
De repente, se eu fosse outra, iria querer fazer um balanço do que passou por essas paragens desde então, mas não é do meu feitio enumerar as coisas que me acontecem. Nem as boas nem as más. Nem mesmo as ótimas.
Foram-se, então, dez anos. Número redondo e tudo.
Aqui hoje o lago é mais tranquilo.

Um comentário:

Ju Taruga disse...

Oi, valeu por me lembrar que já fazem 10 anos! Não sei você, ams eu continuo com 18 anos e alguns meses! :P
Bjos