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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Quem um dia irá dizer...

Acho tanta graça nessa sabedoria que de repente adquirimos na vigília ou naquele estado intermediário entre o sono e o resto.
Desses momentos em que verdadeiramente desvendamos os significados da vida, é só que, como ela, eles se perdem e nós os perdemos.
Pois dia desses, não se precisar quando, não se se aqui ou alhures, não se se de dia, noite ou crepúsculo, eu tive uma epifania e não tenho a menor lembrança do que se tratava. Era importante, ah, era - alguma compreensão máxima sobre a existência que eu disse a mim mesma: nossa, dessa eu não posso esquecer, e ainda fiz aquele exercício de ficar repetindo mentalmente, na esperança de que as idéias se gravassem, mas elas se foram.
Entre dedos e anéis, ficam as risadas. Aquelas mesmo, que vêm irresistíveis e justamente daquelas coisas que um dia a gente pensou "um dia ainda vou rir disso". Ok, talvez não exatamente dessas coisas, porque aí acho que o tabu corre solto e a gente, com a obrigação de rir da própria desgraça, acaba não vendo nela nenhuma graça. Mas daquelas pequenas pedras no caminho, que causam aqui e ali um certo incômodo - e olha que os pequenos incômodos podem às vezes ser os mais sérios - e aí de repente é impossível falar deles com uma cara séria. Contando para alguém, porque acho que muitas vezes as palavras precisam ser pronunciadas em voz alta para que lhes alcancemos os significados, e não conseguir manter uma cara séria.
Tive um amigo, uma vez, ou um semi-amigo, ou um conhecido, que sempre falava que todo mundo e tudo era ridículo - ele em primeiro lugar. E sem nada demais, é ridículo e talz, ponto, acabou.
Mas né? Tem horas em que o ridículo é de um absurdo tal que rir não é a melhor saída, é mesmo a melhor entrada.
É só que cura. Ah, se cura.

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