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terça-feira, 26 de abril de 2011

A simple kind of man

Não sei.
Estou absolutamente esgotada, nesse fim de noite de terça-feira, cansada mental e fisicamente e ainda com aquela preguiça ou resistência, velha conhecida, que me impede de me enfiar imediatamente debaixo dos cobertores - porque sim, finalmente chegam por essas paragens vestígios de frio que pedem meias, agasalhos e cobertores.
Hoje vim ouvindo Lynyrd Skynyrd e, me lembrando das poucas músicas que conheceço deles, me deparei (de novo e eternamente) com o tanto tanto de coisa que desconheço. Aí que essa é uma realidade também velha conhecida, talvez mais do que qualquer coisa é o princípio de tudo, a essência, a idéia original que molda o meu mundo. É só que acontece da gente esquecer. Ou de eu esquecer. Quando não estou pensando no assunto, quando me distraio, ou me concentro nas atividades imediatas, resolvendo o que há a ser resolvido, quando vou mesmo vivendo, em vez de ir pensando, eu esqueço.
Talvez seja isso a mais pura hipocrisia, mas eu tenho a cara-de-pau de declarar que isso meio que não é um problema pra mim. Eu não sei porra nenhuma, mesmo, e beleza. Não acho que tenho que saber. E acho que até sei bastante, considerando... será que há o que considerar? Como pode, né?, uma pessoa arrogante como eu sou conciliar isso com a percepção cristalina da própria ignorância? Porque eu tendo a achar mesmo que sei mais que os outros.
No fim do dia, a verdade mesmo é que somos todos um monte de bosta.
Mas o que eu vinha pensando, não essa tarde, mas agorinha, quando vinha dizer que não conheço Lynyrd Skynyrd (e logo seguem, sei lá, dez outras bandas de que eu só ouvi falar), é que... sabe aquela impressão que a gente tem de vez em quando de que as outras pessoas, ou algumas das outras pessoas com que cruzamos por aí, a impressão de que elas acham que sabem pra onde estão indo?A reflexão que essa impressão me provoca não é de inveja, nem de raiva de mim por ser tão perdida. Fico meio naquelas de que elas, como eu, não fazem a menor idéia. Só não saem por aí dizendo. E de boa, cada um que viva a própria vida como quiser ou puder.
O que me intriga é perceber que, supondo que essa diferença seja mesmo real... quer dizer, essas pessoas não me conhecem e, se eu não lhes disser que não faço idéia, elas podem até ficar com a impressão de que eu sei aonde estou indo. E o fato é que eu, que em tese aceito a idéia da minha falta de noção, não digo. Por n motivos, todos plenamente legítimos e compreensiveis. Um deles, e o menor, é que elas não me perguntaram. E eu tenho combatido o meu egocentrismo crônico com o hábito de contar de mim apenas o que me perguntarem. Quando não vêm questões, procuro me contentar com o silêncio. Enquanto imagino as possíveis questões e suas respostas, na privacidade da minha mente. Sei lá, de repente eu escolhi viver minha vida em insanidade.
E, sendo louca, acho graça demais na idéia de que tem gente por aí que acha que eu sei. E mais do que isso - acho que o ponto central é esse -: que é normal saber. Esperado e tudo. Meio que nada mais que a obrigação e essas merdas todas.
Pobres de nós.
Misericórdia e tudo aquilo.
Ainda se alguém me dissesse para não me preocupar, que ainda vou me encontrar.

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