Ai que estou desde ontem com a garganta querendo doer e a piração querendo começar. Parte da hipocondria e da neurose, nada de novo mas ainda assim.
E desde ontem fui pega por um desses apertos que chegam e não querem mais sair; por decisões erradas que tomei e por decisões erradas que meio que não tomei, mas também não deixei de tomar. Afe, que o erro, principalmente o meu, ainda é desafio gigantesco que se coloca na minha frente.
Nessas de tentar consertá-lo, ou só aceitá-lo, achei essa coisinha que escrevi há mais de um ano; nem sei se mandei pra alguém ou se era pra alguém ou se era praqui. Nem sei do que falava, porque conservo ainda esses dois pilares da ignorância: o texto trincado e a falta seletiva de memória. Mas achei bonito e quis colar, portanto:
"E esse mundo véi sem portera?
Tem coisas que a gente sabe tanto sem saber, né?
Ou sabe mesmo sabendo, só que não faz a menor diferença.
Como isso da solidão. Eu há muito tempo sou do partido da solidão perfeita e incorruptível, inalienável, inabalável e mais um monte de vel e véu que eu não sei mais dizer.
Há tanto e tanto tempo, o tal partido. E tanta, a solidão. Insolúvel.
E é malandra, essa, porque não tem saída; não há outro que possa espantá-la, nem nós, superá-la.
E o que podemos tentar fazer com ela depende tanto do momento. Acho que ciclos, mesmo, ou fases da vida.
Eu já tentei despejá-la e ouvi-la desmoronar num eco que eu sabia ilusório. Para me conceder acreditar, por um instante, que era mentira.
Depois nem sei, talvez tenha entrado nela, ou sido por ela atraída, como um buraco negro, e ali, nada.
Aí, semana passada, acho, eu tive um desses momentos de querer explodir. Literalmente, mesmo, como se o que eu sentisse fosse demais pra suportar e quisesse sair, sem ter por onde, portanto explodir. Desfazer-se e depois, qual esponja, refazer-se. Sem objetivo além do desafogo.
E bem agora, indo bem por esse caminho, sem ter palavras pra contar, fiquei foi pensando nisso, da solidão. E quase acho que ela nem é tão dramática assim, acho que é como é, original. E quase não dói, depois de um tempo.
Ou dói, mas é da vida."
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