Claro que ficou tosco esse título, porque esse monte de L fica ridículo e nem faz sentido, mas foda-se. Não é assim que o diabo canta?
Não é assim que a música é maravilhosa?
Eita, que eu tentei, mas não coube oralidade aqui. Não pode escrever "maraviosa", fica esquisito, tem que lhe por ali ao meio o L e o H, porque sei lá. Só tem.
Aí eu conversava com uma amiga esses dias sobre esse espaço, que eu deixei de escrever, acho que por ter mesmo perdido o hábito. Tentei reavê-lo algumas vezes, mas acho que afinal a pessoa tem que estar afim de vir e escrever e tem que ter o hábito e eu acho que não tenho tido nenhum dos dois.
Talvez uma calmaria que venha com o tempo, o tempo passando e passando sem freio, tanta coisa pra fazer, ou nada pra fazer e não mais o instinto de vir dizer.
É de fato uma pena, porque é bom ter dito, então quem sabe a vontade do passado estimule em algo o presente.
Sempre sempre sempre a mesma coisa, e a mesma pessoa dizendo a mesma coisa, e as mesmas palavras querendo dizer.
Há uns anos - anos, meu deus, como que podem ter passado anos! - estava eu no sofá expandido de uma outra amiga, dizendo do quanto eu detesto Caetano (repetição, eu sei!), e ela que não, mas ouve o "transa", e eu não querendo ouvir merda nenhuma e sei lá como ela me fez ouvir e me deu o cd.
De fato, o disco é foda. Mas muito bão.
Aí semana passada - na outra semana? Quando foi?!?! - eu estava ali na linha do meio, comendo um peixe e um bolinho (adouro bolinho e essa oralidade não tem como tentar reproduzir) e falando mal do Caetano e um amigo dizia: "pois é, tu já me disse isso, e que detesta a carolina e a piscina e a gasolina" e eu "ah, é mesmo... detesto mesmo, mas eu gosto do 'transa'..." E do meio do tacacá (será que foi isso?) ficamos tentando lembrar do "transa", mas ele veio apenas em vislumbre.
Pois que fui depois caçar o disco e ficar ouvindo e viajando e viajando demais nos éles.
Alguma coisa no mundo se alinha ali, né não?
A questão é que realmente é um long way. Mas um looooong way. Mas um lo lo lo l l lo l l lo l loooong way,
Maio de 2017.
Doismiledezessete.
Eis o mês, em que os caminhos se abrem e se alongam e é como se finalmente, finalmente!, as cortinas do Teatro se abrissem. Como se amanhecesse, como se acendesse, como se começasse, como se.
Sei lá, mas foi um long way, Mas um looong way, Mas um lo lo ll l lo lll looong way e de repente, sempre de repente, parece que a chegada se aproxima, mas a chegada é só mais um caminho, longo, imenso, tortuoso, que se abre pelo meio da mata.
E enquanto isso as crianças gritam no parquinho, enquanto isso a cidade queima, enquanto isso a gente é usurpado, desrespeitado, ferido, enquanto isso a gente volta no tempo, enquanto isso o tempo não para, enquanto isso o tempo fecha, as nuvens se aglomeram e a tempestade vem e não passa.
Tempos tenebrosos, é o que tenho dito tanto ultimamente.
Sombrios.
E as crianças brincam no parquinho. Quais crianças? - pergunta-se. Aquelas que podem, né?, que sabemos bem quais são.
Maio de 2017 e os caminhos se abrem e os caminhos se fecham ao mesmo tempo e contraditoriamente, como costuma ser a vida.
E o mundo se alinha nos éles, pelo menos por enquanto.
Um comentário:
"E enquanto isso as crianças gritam no parquinho, enquanto isso a cidade queima, enquanto isso a gente é usurpado, desrespeitado, ferido, enquanto isso a gente volta no tempo, enquanto isso o tempo não para, enquanto isso o tempo fecha, as nuvens se aglomeram e a tempestade vem e não passa."
https://m.youtube.com/watch?v=v-vuT5WcTTU
é difícil viver sem ti.
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