Tava agora mesmo tomando banho e comecei a cantarolar Cartola.
É Cartola, né??
Achei tão engraçado, que em algum momento tava cantando na minha cabeça e de repente saiu em voz alta um verso bem do meio da música, nem começo de estrofe, e parei, pensando "uai, mas por que que isso eu falei em voz alta?". Vai saber, mas tava eu cantarolando Cartola e pensando que era isso mesmo, preciso me encontrar.
Estou há semanas, talvez, pensando em escrever, sempre o mesmo drama, bla bla bla. A questão é que não sinto necessidade de dizer, já há muito tempo; os dias passam, eu vivo os dias, chegam as noites e o silêncio permanece. Mas tenho sentido nesses últimos tempos, quando comecei a pensar em escrever, um certo incômodo comigo. Como se eu estivesse mesmo perdida, meio sem saber quem sou e o que trago à mesa.
Ora, mas se é verdade que um passar de olhos por estas páginas mostra que eu sempre digo a mesma coisa, repito as mesmas frases e ideias e expressões, se continua tudo a mesma, então não estou perdida, ou não mais do que sempre estive. Nada de novo e tudo aquilo. Um grande mar de nada novo. E aquilo de que a gente nunca se banha duas vezes no mesmo rio?
Não sei e não tem nada mais eu do que não saber.
A verdade é que eu devia mesmo é parar de sofismar e fazer um diário da pandemia, não é mesmo? Um documento histórico, a ser lido por ninguém além de mim, se deus quiser daqui a cinquenta anos, e dizer "olha, é mesmo, não lembrava disso!". Claro que não tenho nem de perto a disciplina necessária para fazê-lo, como prova o fato de eu vir aqui em julho pensar em talvez quem sabe escrever. Uma ótima e típica piada.
Não sei.
O que tenho pensado muito ultimamente é isso de chorar, sempre fui mais de segurar mas nos últimos anos, talvez, de repente não dá mais. Vendo filmes. Já disse isso aqui? Chorei muito no do Cézanne e no do Van Gogh, chorei muito no do menino da África do Sul, chorei muito muito na Jovem em Chamas, até vendo Titanic com C. esses dias eu chorei! Quer dizer, dei uma seguradinha por vergonha, mas se estivesse sozinha certamente abria as torneiras. Chorei muito no show da Liniker, que por coincidência entrou numa playlist agora e eu descobri que a música é do Candeia, olha que coisa.
Mas no Titanic? Lembro que não gostei quando vi pela primeira vez, quero dizer que no cinema no meu aniversário, mas quem sabe??? Depois na faculdade um professor passou naquele curso de cinema do "So What?" e eu fiz questão de faltar. Vendo agora tive mais simpatia pelos personagens, a mina de fato é ótima e bem pra frente e o cara é um amorzinho, né? Para além de galã e toda essa merda, um cara gente boa e nossa quando isso se tornou digno de nota?!
Que nem quando assisti quase sem querer o Antes do Amanhecer e como o olhar do Jesse é encantado pela Celine! Não lembrava disso, não sei se tinha me chamado a atenção ou se se perdeu, mas a construção é toda maravilhosa, do olhar.
Acho que a verdade é que tenho me achado desinteressante, o que também não é uma novidade mas também não é uma constância.
Talvez tenha a ver com o fato de não poder mais usar botas.
Então é isso: na quarentena assisti Titanic com C. e não posso negar que houve um certo grau de ludíbrio (nossa, apostaria alto em ludibriação, até acho que faz mais sentido, mas continuo amiga do Aurélio) para que essa façanha foi possível. Vou confessar: tava passando na tv, perdi os primeiros minutos mas queria ver o meme do "faz 84 anos!" e fui ficando e C. dizendo "nunca vi Titanic, é muito tradicional pro meu gosto" e pronto, dali a pouco estamos vendo a coisa toda (eu tive que sair uma hora pra dar comida pro cachorro, ou pro gato - quem sabe!) e C. depois disse que não chorou porque a tensão era grande demais. Porque, né? Se tem uma pessoa que chora é C.. Tava bem agora se descabelando porque o Karev não vai voltar na próxima temporada.
Não, e ontem que eu tava vendo uma pessoa chorando na internet pelo cancelamento de uma série e só me ocorria pensar se eu já fui assim tão jovem.
Tendo sido ou não, as coisas que importam parecem ser em muito menor número hoje em dia. E ao mesmo tempo estou eu lá chorando em Titanic, porque sentido nunca foi um dos nossos valores fundamentais, não é mesmo?
Combinado, então, vou tentar abrir aqui portas e janelas e deixar um pouco de fluxo de consciência se materializar para a posteridade.
Quarentena e tudo isso, claro que não foi por uma bota pra ficar em casa, mas pelo menos vou dormir de cobertor.
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