A conclusão, única possível e alcançável.
A doidera continua aqui, anos e décadas depois, a gente vai vivendo a vida achando que tá aprendendo as coisas, que o tempo tempo tempo mano velho, que o couro e a carcaça, e ao fim e ao cabo o fim da estrada é mesminho o começo.
O caminho se faz ao caminhar. Eu sei.
Odiaria estar ao lado dos vencedores. Eu sei.
Talvez a graça esteja bem nisso, na falta de novidades. Todo dia o sol se levanta e se põe, com sorte seguimos com ele, com mais sorte entre um e outro tem um céu sem lua e uma terra sem luz, para que a manta de estrelas possa nos alcançar com sua maravilha.
Anos depois (décadas?) eu ainda não cumpri um desejo antigo: viajar para uma terra sem luz e poder ver as estrelas. Eu moça da cidade tão poucas vezes vi as estrelas. Eu moça tão pouco sabida jamais saberia ler a rota das estrelas na imensidão do mar.
Eu sou a ilha deserta onde ninguém quer chegar?
Idiotia coletiva. Eu sei.
Já falei isso tudo, mais e talvez melhor.
Bernardo falando que a gente se torna o que era. Eu sei.
Tudo sabido, tudo dito, tudo lido, tudo escrito.
E aqui estou eu, pensando em alguma coisa com C. Escrevendo um enigma e me perguntando se eu no futuro vou saber decifrá-lo. Deixo um rastro de migalhas, porque eu a mim quero me achar.
Raspas e restos me interessam. Eu sei.
Mas pedaços inteiros também, e talvez mais.
Passam os anos e as décadas e alguma coisa que já encontrei aqui se perdeu. Mas eu inteirinha continuo aqui. Será que quando voltar, se voltar, direi que alcancei o céu?
Todo mundo sabe que não, que vai ser de novo a mesma coisa, sempre a mesma coisa, sempre Bernardo. O mundo se abre e se fecha, e continuamos aqui, às vezes sabendo que lugar é esse, na maioria das vezes vagando sem norte e sem fim.
Errar sem fim.
Fim.
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