Sábado à noite. Como tem acontecido nos últimos tempos, não tenho vontade nem oportunidade de me deslocar da minha casa para um programa descolado. Às vezes, como hoje, eu acho que deveria ter, ao mesmo tempo em que me pergunto por quê. Eu tomo muito cuidado com os motivos que nos levam a fazer as coisas; sair porque quer, aproveitar a vida, a noite, as pessoas, acho ótimo; aquela coisa de sair pra poder dizer pra alguém - mesmo que seja para nós mesmos - que fizemos alguma coisa descolada e que, portanto, somos legais, amados, aceitos, etc., acho o fim. Então, por esses e outros motivos, sábado à noite, eu em casa, pra variar sem grandes obrigações a cumprir, fiquei assistindo televisão e viajando pela internet, arrumando o ninho para me abrigar em tempos futuros. Séries e músicas, estocados aos montes.
Assim, calhou de ver um filme/documentário chamado "Brasileirinho", sobre chorinho.
Tantas e tantas referências, uma delas um aniversário de uma amiga querida, em que os ditos amigos dela não se conformavam por ser essa a música que tocava no bar. Acharam engraçado.
Eu digo frequentemente que sou má e é nesses momentos que minha maldade vem à tona. Confesso que sinto algum prazer em ver as pessoas sendo estúpidas. Aquela velha história da gente se sentir melhor em comparação. Que pode ser uma grande merda, mas tem momentos, como esse, em que acho até justo.
E a Teresa Cristina. Mesmo sorriso e mesmo dançar.
Alguma coisa ali me emocionou muito, as músicas e os músicos. Contar uma história e parar com os olhos cheios de lágrimas, e a gente não sabe se sente uma dor ou uma alegria, se tristeza pelo que passou, mas plenitude pelo que foi. O filme acaba com duas crianças, uns sete anos, dançando numa praia, ao pôr-do-sol.
Não sei se eu fico alegre ou triste, por mim ou por quem. Às vezes as coisas bastam, e eu não sei se isso é triste ou alegre. Adridoce, talvez, e bastante.
Eu tinha pensado em comentar como o filme é produzido na Finlândia, em como isso é engraçado, inusitado, e como parece ser necessário esse olhar de fora para apreciar uma coisa de dentro. Ok, muita gente de dentro aprecia, mas eu conheço meia dúzia de imbecis que acham engraçado, no sentido mais depreciativo da palavra.
Mas agora falta energia e vontade para discutir o assunto. Basta anunciá-lo.
Incrível como a vida fica mais simples quando a gente decide escolher as coisas nas quais vale a pena gastar energia.
Tantas não valem, e tantas bastam...
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