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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Resposta ao Tempo

Querido Anônimo que eu suponho ser a Deborah,
Explico: fiquei pensando quem defenderia com tanta ênfase (acho que a repetição é ênfase, né?) o livro do Veríssimo, me lembrei da Deborah ter lido e adorado, e da Carla, de Paris, que ficou surpresa por eu largá-lo, mas terminar o Tempo Perdido do Proust. Mas a Carla não tem o endereço desse blog, acredito.
Ou seria ainda um terceiro excluído, um apaixonado pelo livro que veio buscar referências nas minhas impressões e se decepcionou mortalmente? Tantas as possibilidades escondidas por trás de um não-nome...
Acho que a resposta à pergunta está no por que eu o leria. Que também responde à pergunta da Carla.
Simplificando: achei chato. O primeiro livro foi, até gostei bastante. Cheguei ao segundo e achei chato e não tive forças para superar o tédio e ler mais mil páginas.
O motivo deu achar chato é o que me move nessa vida: o egocentrismo. Diferente do Proust, não me vi, ali. Em nenhum momento achei que ele estava falando de mim para mim. Nem achei que ele estava falando de um eu que já foi, nem de um eu que será. Nem de um eu que não é, foi, nem será; nem um oposto de mim. Eu simplesmente não estava ali. Você há de concordar que é uma prova dura para uma egocêntrica.
Eu tenho também minha implicância com essas histórias, livros ou filmes, históricos. Já parto do princípio de que não vou gostar, porque realmente, ao longo dos anos, vi, li e não gostei. Ou gostei apesar de ser histórico. Nem porque eu conheço a história real por trás da ficção, talvez devesse, mas admito a minha ignorância. Só, sem conhecer a verdade, não acredito no que eles dizem. Aquela coisa tão grandiosa. Não que o Veríssimo faça isso, mas confesso também minha irritação, em alguns momentos d'O Continente. Me interessa mais ler a profunda impressão de alguém sobre algo que conhece muito bem, do que as descrições e reconstruções de coisas que estão tão distantes.
Eu sou historiadora, fato, mas história não é romance. Ou é, mas não dessa maneira.
No fim das contas, tudo devaneios para dizer que achei meio chato - dizê-lo já carrega em si uma culpa - e não me vi.
Poderia até me estender, mas aí a culpa ia crescendo proporcionalmente, então paro por aqui.
Espero ter respondido à sua tão angustiada pergunta, Anônimo, e que você não me odeie. Nada pessoal, só essas coisas da vida.
E do Tempo.

2 comentários:

Anônimo disse...

hahaha, não, não te odeio nem por isso nem por nenhuma de suas adoráveis aversões ou irritações. E mal tenho como fazer a defesa do livro. Li há 14, 15 anos? Não sei que impacto teria sobre mim hoje...Li nas gerais, em duas semanas de férias de inverno, na casa da família do primeiro namorado, entre mil delicadezas e novidades e sonhos quase juvenis. ;) Um beijo. Anônima.

Anônimo disse...

Ps: Primeiro namorado a vera...