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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mosbeando

Sei lá, de repente eu entrei numa máquina do tempo maluca e voltei para 2006. Ou 2007. Ou 2008, 9, 10 ou 11. Voltei para um tempo outro, para um eu que não agora.
Dos alto-falantes sai o som impregnante de um cd do Pink Floyd que nunca me fisgou, até que no fim-de-semana, numa pizzaria "hip" em meio a um monte de gente tatuada e na moda, eu acabada, de tênis, cansada de carregar peso, apreciando uma pizza de queijo de cabra e cogumelos, ouvia ali umas distorções e umas guitarras e uns baixos e pensava "será isso Pink Floyd? Não será? Que diabos será isso?" até que descobri, era o "animals" em versão de Les Claypool e como que viciei. Os instrumentais de Pink Floyd. Mas Pink Floyd foi naquela fase meio 2006. Exceto que, como tudo que vale a pena, as minhas fases vão e voltam e eu no processo vivo de reconhecer os conhecidos e nessa brincadeira o novo... Acho que já foi estabelecido que eu só gosto de novos velhos. E velhos novos?
Muito nessa da viagem no tempo e dos flachbacks, uma das minhas séries favoritas de todos os tempos é How I Met Your Mother. Que adoro e sou ridícula ao ponto de ficar verdadeiramente contente ao encontrar outros fãs e poder fazer referências sem medo de errar. Como aconteceu recentemente, quando eu conheci uma pessoa queridíssima, grande fã, e estamos nessa há meses falando de Ted, Marshal e Barney. Quem já viu a série certamente vai se lembrar do episódio piloto, em que o (imbecil do) Ted conhece a Robin e logo na primeira vez em que eles saem ele vai e diz que a ama. E ela, claro, espana, e daí surge a maior confusão e premissa de não sei quantas temporadas. E quem é fã, pode também lembrar do verbo que a gangue cria baseada nessa peculiaridade do protagonista: mosbear. É quando você conhece uma pessoa e já vai logo amando. Coisa que eu nunca tinha entendido, até entender e aí pronto, é um tal de "mosbear" pra todo lado. Então, não, isso não se faz.
Mas... sei lá, e quando a gente encontra por aí pessoas que são assim especiais, ou diferentes, e você vai e simplesmente as ama? Talvez não no sentido mosbiano, mas nisso da vida ser curta e incerta, dos encontros serem muito raros hoje em dia, de terem valor em si e pronto. Nisso de ser verdade e valer a pena. Aí é armadilha. Cruz e caldeirinha e todo o resto.
Fiquei eu, Pink Floyd, HIMYM, só no flashback e pensando. Sem saída, porque solução é item sempre em falta por essas bandas. Tudo tão já foi, nada novo sob o sol, e ainda assim vivemos a vida sempre nos mesmos dramas, mudando de nome e endereço e nós sendo quem somos e os outros... Ah, os outros, esse inalcançável de tanta gravidade.
Queria eu, Jô Soares, um dia poder entender um outro. Nem me contentava com um "só um pouquinho" ou "por um segundo", que ao pedir o impossível não me contento com migalhas nem esmolas, quero logo tudo, a compreensão total, completa, eterna e final. O pacote todo redondinho e embrulhado para presente, com uma fita roxa em papel verde, numa caixa grande que dá logo vontade de abrir.
Não entenderei, contudo, e sem solução ficamos todos. Mas hoje, só essa noite, as guitarras distorcidas me fazem companhia e me conhecem e somos juntas.

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