Tenho andado mesmo é sem vontade de me explicar. Em busca de silêncio e alguma solidão que não vêm ou são pequenos demais, vez em quando lembrando de uma melodia e ficando satisfeita em cantarolar.
Aí que não sei o que hoje me deu, de vir uma tristeza dessas que não doem demais.
Dessa melancolia que não é de todo ruim e que há tempos não vinha em visita.
Essa saudade do que não foi, ou do que foi e eu esqueci. Mais do que não foi, acho.
Esses tempos encontrei uma amiga das antigas e é mesmo algo assustador perceber o tanto da minha vida que me é estranho. De coisas que vivi e ficaram tão para trás que já quase não fazem sentido.
Também tem isso, que cada um lembra o que interessa lembrar. De repente eu tenho cá trilhares de outras memórias que para qualquer outra pessoa não têm a menor importância.
E outras tantas que nem a mim importam - ou será que isso não existe?
Um exemplo: lembro de quanto eu tinha uns doze anos, talvez, de gostar de um short roxo que eu usava com uma camiseta cor de rosa e eu adorava. As duas peças usadas até ficarem gastas e eu ainda adorar.
Ou de uma vez que fui à aula com uma saia jeans e uma blusinha laranja e quando fui descer do ônibus quase caí, porque não estava acostumada a usar saia e a não conseguir dar aquele passão para descer do ônibus.
Que importância tem isso?
Será triste que, de alguma forma, tem mais do que pessoas com quem convivi, vivi, cresci?
Tava assistindo a uma série cuja protagonista é absolutamente egocêntrica e egoísta e insegura e, sinceramente, algo idiota e sei lá. De fora a gente vê que é absurdo, mas alguma coisa aqui se identifica. Algo como quando eu li pela primeira vez Ana Karenina e fiquei pensando: "pô, dá pra entender esse negócio e como essa mulher se sente". Depois, muitos anos depois, fiquei pensando se era isso que o Tolstói queria dizer, dessa diferença entre homens e mulheres e do que eles podem e não podem fazer e sinceramente não faço idéia. Sei é que dá pra entender aquilo ali.
E esse filme que vi há pouco, em que um casal tira o filhinho doente do hospital para ver o mar. E meio que disfarça o menino com um casaco preto com gorro, meio como se fosse ninja ou esse povo que vai invadir sei lá o que todo de preto. Agridoce e eu achei tão bonito e dolorido que nem sei.
Sei que fazia tempo que não batia aqui esse negócio e eu nem estou de tpm.
Nem estou nada, nem assim tão preocupada, nem assim tão desencanada, nem assim em crise, nem assim em êxtase, estou mesmo só estando e me pergunto se tem alguém por aí fazendo qualquer outra coisa e o que é que se tem para fazer.
E se um dia alguém vai lembrar de tudo ou qualquer coisa que a gente (não) fez.
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