Não tem magia? Um lance assim voluptuoso e sedutor, som que rola da boca sem amarras, todo suave e solto.
Nem falo dele em primeira mão, mas esses dias tava assistindo a um programa que chama calada noite, só sobre isso de ser notívago e dos encantos e loucuras que só despertam com o pôr do sol. Aí rola uma trilha sonora sobre a noite e tocou essa, que conheço por Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede e fazia tanto tempo que eu não ouvia.
Taí outro projeto: regravar essas músicas que há tempos não ouço, pra tocar no carro ou no celular. No computador não tenho muito saco, ao menos não agora, que ele tem sido o lugar da escrita, doída, aliviada, cansada, empolgada, mas isso. Quero um pouco de distância da máquina, ao mesmo tempo em que sei que tenho cá um vício difícil de superar.É que neles, para mim, estão as palavras e acho que essa é a maior paixão da minha vida, o sentido da minha existência.
Tão bom esse álbum, tanta música boa e essa música magistral. Tudo nela, tudo dela, todos eles são geniais nestes poucos minutos.
Sigo sem entender as referências; sigo acreditando que elas pouco importam.
Importa o resto, importa a noite e a janela assim acesa.
E é claro que a música é de Lula Queiroga. Talvez eu já tenha sabido, mas sei de novo agora e penso: claro.
E, mais uma vez e sempre: o que é esse homem? Como pode uma figura ser tão expressiva, tão ostentosa sem espalhafato, tão espalhafatosa sem esforço, exagerada sem exagero, fascinante o Ney. Aí eu penso: ok, ele está ali paramentado, nem tanto neste vídeo como em outros, mas ele se torna o centro do mundo na hora do show, é impossível desviar os olhos dele. Lembro de uma vez, na turnê do Inclassificáveis, em que eu fui assisti-lo e ele brilhava. Mas ele não tá fazendo nada, não tem dancinha coreografada nem trezentos bailarinos o abanando, nem luzes escalafobéticas nem coisas caindo do céu, nem indo pro céu, não tem nada, apenas ele que é o centro do mundo, porque não sei se há nesse mundo artista que lhe alcance.
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