Entrei no banheiro em silêncio e nesse meio tempo entre o fora e o dentro veio um "you don't know me, better never get to know me" e a malemolência toda.
Quantas vezes já falei desse disco?
Vieram tantas coisas, na casa da Lô um dia, ou uma noite?, num sofá e ela me desafiando do meu desafeto.
Não sei quando foi, será se foi num tempo turbulento? Estava há pouco sentindo uma dessas angústias que vêm chegando, mas já aprendi que elas passam. Será se esse álbum veio num tempo desses, será que ele trouxe a angústia ou a angústia trouxe ele?
You don't know me.
Tenho a impressão de que já passei por isso algumas vezes, mas, como sempre, acho que todo mundo passa por isso o tempo todo. Isso de chegar num lugar meio sem referências, sem uma âncora ou um porto seguro, chegar assim algo na cara e se construir naquele lugar. Lembro da sensação algo de alívio dessa ignorância, de poder ser qualquer uma das eus que é, de não estar engessada numa eu que também é e foi. Ao mesmo tempo em que não dá pra deixar de ser, como tanto diz o Bernardo. Tão sempre as mesmas coisas.
Esses dias tava lendo um texto de um menino e, meu deus, entrei num vórtex ali, não sei se meu ou dele, e parecia que nunca mais ia sair. Mesmo sugando e parece que passei muito tempo ali, nesse outro lugar, mas não de uma maneira boa. Lembrei de uma vez, nos idos de muitos anos atrás, quando um amigo me disse que meus escritos lhe davam uma sensação estranha, como se ele estivesse dentro da minha cabeça. Na época achei que isso era bom, talvez? Queria dizer que tinha eu ali, ou sei lá.
Mas aí agora não foi uma boa viagem não, porque pareceu que eu estava algo na cabeça dele e não sei se a cabeça é que era doida ou se eu é que não falava a língua. Me perguntei se era disso que o amigo falava. Porque eu passo a vida falando as mesmas coisas, talvez, e sempre falando, e será se isso aqui também é um vórtex?
Que vai girando ao som do desafeto.
Voltei a ele também, eu me lembro, há coisa de um ano, depois de conversar com outro amigo que não se conforma e sempre me provoca dos meus desgostos e eu entrei no avião e tinha meu computador e nele o disco e antes de decolar ainda liguei o bicho e baixei no meu celular e cruzei o país nesse som. Também um período que não sei bem definir, algo de conquista e alívio e apreensão e tensão e um medo, acho.
Estou bem cansada nessa semana que vai acabando, o que tem um lado bom pelo cansaço e descanso e pela sensação de que fiz o que tinha de fazer e me livrar dessa culpa eterna que me atormenta; ainda assim estava ainda ontem sem conseguir dormir, não sei bem por quê. No geral acho que estou bem, com esses barulhos cotidianos que não ensurdecem. Tão misterioso isso que temos cá dentro, será também preciso toda vez saber?
Não pode nós vez em quando deixar lá?
E se eu não conheço, quem dirá you.
Don't know me.
Então tava eu pensando nisso, ponderando no por que deveria.
E que se do lado de cá há confusão, do lado de lá há, acredito, quem ache que porque sim.
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