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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Da luz e do túnel

Tenho sido há meses torturada por essa galera que canta e escolhe mal.
Tá bom, talvez "torturada" seja uma palavra pesada demais, ainda mais nesse contexto que estamos vivendo em que galera tá achando que tortura ok.
Então tenho me incomodado com a galera do pseudo karaokê. Que, surpresa!, pode ser mesmo meio karaokê!
Enfim, estou eu trabalhando a arte da abstração quando, depois das férias, começo a ouvir uma coisa estranha, muito estranha. Paro, franzo a testa até onde ela vai, provavelmente faço uma careta com a boca (tenho treinado, estranhamente, caretas com a boca, esses dias tava dirigindo e percebi que tava treinando semi-rosnados no retrovisor), duvido de mim mesma, mas estava certa.
Arranjaram uma mulher boa para cantar. E escolher!
Não sei ainda mais nada, não tive o gás de ir lá descobrir a cara e o nome e tudo o mais dela, sei só que em meio à gritaria apareceu uma voz algo grave, dessas tranquilas, tipo talvez Teresa Cristina, que fica ali no seu ótimo lugar e não precisa tentar se esgoelar, e um violão.
Uma voz e violão em meio ao buracão, minha gente!
E ela escolhe bem também, foi de "se quiser fumar eu fumo, se quiser beber eu bebo..." e desde então já fez aquela miscelânea gostosa de tudo que é música brasileira, de Zé Ramalho a Marisa Monte a Cazuza a Alceu Valença e mais um monte de sucesso.
Aí o que achei engraçado é que no meio - ou no fim - tem uns feminejo que não tão podendo faltar nesse Brasilzão, e fico imaginando a conversa dela com o chefe:
Ele: olha, você até pode escolher as músicas que quiser, e pode até escolher bem, mas meu estabelecimento tem sua identidade, não dá pra ficar só tocando música boa, o povo não aceita, não...
Ela: Ah, entendi; você quer dizer que eu posso tocar qualquer coisa, desde que no meio eu coloque uma "dona Maria".
Ele: Isso, pode por uns feminejo ok, mas tem que ter também umas bagaceira braba, você pode alternar a "dona Maria" e a "inquilina".
Ela: Aceito o sacrifício.
E aí pronto, tá feito o acordo com o diabo.
Mas não reclamamos, melhor uma dona Maria do que três.
E assim a vida melhora.
Hoje fiquei na função de preparar coisas e, inspirada pela Maneiras, fui procurar um samba bão pra ouvir e pousei no Paulinho.
Que coisa maravilhosa, o Paulinho. Tava lembrando um documentário que vi dele, com a família e ele na oficina que acho que era do pai e quanta serenidade pra ter uma só pessoa nesse mundo!
E que maravilha é o samba, e como a música brasileira é tão rica e foda que me inventa um negócio desse; e tantas outras coisas. Tava no avião esses dias, procurando alguma santa distração e caí na música do Dorival e "eita, porra!", que música é essa e de onde veio e gostei.
Fui depois descobrir que uma amiga que tinha mandado e eu, é claro, devo ter ouvido, achado ok, pra depois descobrir o descoberto e ficar anos com a música na cabeça e mostrar pra galera toda.
Então vamos lá, arrumar coisas com o Paulinho e esperar o fim-de-semana que vem chegando.

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