Quando a gente dorme, vira de tudo.
Lembrava, não. Que linda a Letícia Sabatella cantando e falando Guimarães Rosa.
Eu nunca vi nenhuma adaptação, digo com tranquilidade que nunca verei, porque não há o que ver, mas gostei de ouvir, gostei bem muito. E o Daniel Dantas ali, tão lindo.
Ontem fui assistir o filme do Cézanne e do Zola e olha que coisa, nunca li o Zola. Pra entrar pra lista de algum dia. Mas quando tava na escola, a gente fez um trabalho aí sobre história da arte e eu entrei numas piras com o Cézanne, gostava dele e dos impressionistas e do Van Gogh. Meu tio me deu um monte de gravuras e um livro "para entender a arte" que eu ficava doida, e meu pai desenterrou não sei de onde uns fascículos de pintores famosos, um calhamaço, e eu queria mesmo ver esses do fim do XIX. Não gosto de pintura de gente, nem tanto de natureza morta, santo então nem pensar, mas gostava ali daqueles caras, dentro de uma ignorância do tamanho do mundo.
Então eu me dignei a sair de casa para ver o Cézanne e tem duas cenas lindíssimas no filme, uma que é ele falando com a mãe do Zola numa escada, e o fim.Gostei do filme todo, apesar de perder muita referência, mas o fim é uma coisa maravilhosa que me levou às lágrimas pela beleza. Engraçado, e era isso que eu vinha dizer, que a vida toda senti essa ojeriza a chorar em público - chorava, mas não gostava e evitava sempre que possível. Mas fui ver uma peça, há muuuuito tempo, no Rio com uma amiga e lembro de chorar muito. Não lembro o nome. Depois fui ver Once com outra amiga e a gente abriu as torneiras, chega a ser engraçado o tanto que a gente chorou sem nem saber explicar, era só a cachoeira a cada vez que o cara abria a boca. Eis um momento a que eu voltaria, se pudesse.
Mas sim, engraçado que eu fui assistir esse ano ao filme do Van Gogh e do Cézanne e achei os dois finais impactantes, já as luzes acendendo no cinema e eu meio em choque, olhando praquilo e sentindo... alguma coisa. Vi ali o porquê de eu gostar tanto do Cézanne, eram aquelas imagens mesmo, acho, da floresta e a montanha e ele sempre lá e eu também. Sempre lá.
Cheguei em casa e vi um pedaço do Sertão e não sei. Córguim. É bem nosso o córguim e eu me aproprio mesmo sem ser do sertão. A gente pode ser tão bonito, né, e escolhe ser tão feio.
Mas o mais lindo continua a ser o Guimarães; assisti acho que ano passado um documentário sobre o trabalho dele num consulado na Alemanha nazista e o pessoal contando que ele ajudou muitos judeus a escapar, arrumando visto para eles virem ao Brasil. Já contei aqui?
Lindo Guimarães e o Sertão.
Ainda nada que eu vivi alcançou o Sertão, talvez haja uma ou outra obra que se acerque, mas não é fácil. E ainda, dois finais de filmes mexeram cá em alguma coisa e me disseram da beleza da vida, beleza doída, dura como há de ser.
Vi a foto do cara no Salar de Uyuni e percebi que nunca vi as estrelas, mas quero ver.
No Salar, na Chapada, no Sertão.
Isto é o vão.
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