Diz o ditado que onde há fumaça, há fogo.
Tem umas coisas que entram na cabeça da gente, não sei se por repetição contínua ou por fazerem mesmo sentido.
Ontem levei um susto daqueles.
(Não, eu ainda não pirei de vez e esse post faz algum sentido, tá?).
Uma das minhas cãs (ok, pode não existir, mas acho divertido, dá licença?) apareceu com uma bolota na barriga. Depois de grande hesitação familiar ela consultou um veterinário e o veredito foi "gravidez psicológica". Eu não entendo direito como uma cachorra pode ter "gravidez psicológica". Quer dizer, ter lá um distúrbio sei lá do que que parece gravidez eu aceito. Mas psicológica? Tipos aqueles clichês de filme ruim, que a mãe da mocinha vive enchendo o saco dela pra ter um filho, aí ela vai lá e pensa que tem? Ou ela acha que tá ficando velha e tem que ter um bebê? Como assim, psicológica, meu deus!? Vamos lá. Cachorro. Gente. Tem uma diferença, apesar de uma galera por aí meio que ignorar.
Lembro de quando essa mesma cachorra teve filhotes, e a gente levou o bando todo a um outro veterinário, e estávamos preocupados com o que aconteceria com a mãe quando os cachorrinhos fossem indo embora, e ele respondeu "olha, pode ir dando destino pra eles, mas deixa alguns um pouco mais de tempo que ela nem vai sentir falta", e como resposta à nossa - minha e da irmã - cara de interrogação, ele acrescentou "ela não sabe contar". Né?
Mas ok. Lá foi ela, fez a cirurgia e tá em recuperação. Com aquele abajur na cabeça que eu acho tão engraçado, porque ela meio que perde a noção do próprio tamanho e sai batendo em tudo que tem pela frente. Acho que qualquer um com um trambolho daqueles pendurado no pescoço também ia sair batendo, opinião essa puramente especulativa, já que ainda não me convenci a fazer um test drive.
Tudo muito lindo, maravilhoso, a cachorra melhorando, até que eu resolvi dar uma folga do abajur e deixá-la um pouco perambulando pela sala, enquanto eu ficava bem de olho pra ver se ela não tentava tirar os pontos. E qual não foi minha surpresa em perceber, de repente, que ela estava soltando fumaça. Chega fiz aquela coisa da gente ver um negócio e só se dar conta do que vê quando já está olhando pro outro lado, e voltar a cabeça com tudo pra ver se o que viu tá mesmo ali ou foi efeito de algum alucinógeno ingerido inadvertidamente.
E era mesmo fumaça, juro! Apurei o nariz e os olhos, pra procurar o fogo, pensando "isso não faz o menor sentido; como pode uma cachorra começar a pegar fogo do nada, e ainda continuar andando pra lá e pra cá abanando o rabicó?!?!"
Até que meu cérebro resolveu funcionar e desvendou o mistério: ela não está acostumada a usar roupinhas. Quer dizer, é uma cachorra, num país tropical. Ela tem pêlos, e se estiver muito frio dorme em cima de um cobertor aglomerada com as outras cãs. Então, desacostumada de roupas, ela tava de saco cheio do vestidinho de gaze que puseram nela - tudo em nome da segurança dos pontos - e ficava se esfregando numa prateleira de concreto da sala, que é bem da altura dela. Conseguiu mesmo rasgar o vestidinho todo. E se encheu de pó. Nas costas. E resolveu desfilar na minha frente com o pó saindo enlouquecido do lombo, enquanto eu já levantava correndo pra pegar um balde.
Agora não sei se é a repetição, a lógica ou a burrice, mesmo.
Idéias?
Só se lembrem de ser gentis, que eu ando numa fase muito sensível e duvidosa das minhas habilidades. Mentais e outras.
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